Conta-se que na véspera do jogo entre Brasil e União Soviética, na Copa de 1958, o técnico Vicente Feola levou Garrincha para o canto da concentração e explicou o que ele deveria fazer em campo. “Mané, você pega a bola e dribla o primeiro beque; quando chegar o segundo, você dribla também. Vai até a linha de fundo e cruza forte para trás, para o Vavá marcar”. Malicioso, Garrincha respondeu: “Tudo bem, seu Feola, mas o senhor já combinou com os russos?” Pois foi exatamente o que aconteceu, quinta feira última, no jogo desonesto do acordo firmado entre entidades patronais e o Governo Federal, para acabar com a greve dos caminhoneiros. Tramou-se todas as jogadas e artimanhas a serem feitas , mas os envolvidos menosprezaram combinar com a parte mais interessada, os caminhoneiros. A resposta veio fulminante!. Na sexta feira de manhã, a PRF já registrava um número de bloqueio nas estradas muito superior ao dia anterior. Na verdade, os engravatados participantes das negociações eram todos empresários donos de grandes transportadoras que, gananciosamente satisfeitos com as reivindicações atendidas em gabinete fechado, pouco se lixaram para quem era a parte mais desesperada por um gesto grandioso das autoridades. Resumindo, o Governo, que intencionava perder só um dedo, acabou perdendo a mão inteira, além de se desmoralizar por completo.

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