O crepitar ruidoso dos fogos de artifício iluminando o prédio da PF meio escondido na penumbra noturna do céu de Curitiba, exatamente às 22h30m, permitiu vislumbrar Lula sair do helicóptero poucos minutos antes de ele ser fechado numa cela de 15 m2 para cumprir pena de 12 anos em regime fechado. O jornalista da TV, que fazia transmissão ao vivo, sentiu-se constrangido de comentar os estampidos barulhentos regozijando a capitulação em SP do famoso fora da lei. Por ironia do destino, o ex-presidente foi conduzido ao PR num avião surrado do poder público, um monomotor prefixo PR-AAC, o mesmo que, anos atrás, despejou no sistema carcerário o perigoso narcotraficante “Fernandinho Beira-Mar”. Enfim, um homem cansado, caminhando a passo trôpego, alquebrado ao peso dos seus 72 anos, respirava os últimos ares de liberdade antes de ser isolado no edifício da prisão onde ouviria o terrível ranger da porta da cela batendo às suas costas. Quanto valeria uma foto do primeiro presidente republicano atrás das grades por conta de corrupção? Certamente, Lula, naquele momento, nem mais reprimia seu pavor! Ele, um líder popular, não apenas se via amputado dos direitos de ir e vir, mas também por estar sendo enclausurado na masmorra do seu algoz e arqui-inimigo juiz Sérgio Moro. Pior ainda, ele representava o humilhante papel da caça capturada que ia de encontro ao temível caçador. Ou, melhor dizendo, o lobo matreiro, sagaz e fugidio que, finalmente, após dois anos rastreado, caia nas malhas de um experiente, frio, calculista e implacável caçador!

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