Apelidada de “little boy” (garotinho) a bomba atômica que os americanos lançaram do B-29 “Enola Gay” a 9.450 m de altura sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945 matou 70 mil pessoas e deixou um número equivalente de feridos, mas precipitou o fim da Segunda Guerra Mundial. No Brasil, uma nova “little boy” com semelhante potencial destrutivo, mirando a área política para atingir os mais altos e baixos escalões do poder, está pronta, desde hoje a tarde, para ser detonada. O agente do disparo será a Norberto Odebrecht que já tem na Praça dos Três Poderes o epicentro da hecatombe cujos efeitos devastadores se espalharão por todo o território nacional. A arrasadora “little boy” da empreiteira serão os depoimentos de 80 dos seus executivos favorecidos com os privilégios da delação premiada que atingirão em cheio os ex-presidentes Lula e Dilma, o atual governante Michel Temer, o presidente do Senado Renan Calheiros e praticamente toda a classe política lotada nas duas torres do Congresso Nacional. Aguarda-se com muita expectativa, para não dizer com muito medo e terror, as revelações dos nomes envolvidos em crimes de lesa-pátria. O próprio juiz Sergio Moro não se conteve e disse esperar que o Brasil sobreviva. Provavelmente, a “little boy” brasileira não extirpará os males da corrupção – em qualquer lugar do mundo ela sempre existirá – mas a conclusão é de que o país, finalmente, será passado a limpo.

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