Paulo Uejo, obras irregulares no Projeto Solar

“Mister M”, o ilusionista mascarado também conhecido por “Mágico dos Mágicos”, teria suas artes de tornar coisas invisíveis rebaixadas a níveis de obscuro e singelo amadorismo, se acaso comparadas ao que é capaz de fazer, em São Gotardo, no Alto Paranaíba, um veterano e superdotado mágico de insuperáveis poderes: o ex-prefeito e médico Paulo Uejo.

Entre 2007 e 2008, durante execução das obras de 234 casas populares do Projeto Solar avaliado em R$ 4.612 milhões, no Bairro Boa Esperança, ele foi autor de incríveis façanhas de grande bruxo nas artes de fazer  desaparecer coisas quando, perante uma população igualmente estupefata, num simples estalido de dedos, sumiu com a impressionante, espetacular e maciça quantidade de exatamente 100 moradias.

Cezário deu sumiço à auditoria contra Uejo

E, pasme-se, nesse mesmo número mágico de sumir com 100 casas, ainda conseguiu transmutar – para algum lugar misterioso só dele conhecido – a milionária cifra de R$ 2 milhões. Mas não ficou só nisto.  Pela força do magnetismo emanado da sutileza de suas poderosas mãos, sempre fantasiando  realismo na excelência dos seus  truques,  fez todo um bairro  de  terreno inclinado ficar plano. O que? O leitor não acredita? Pois é só comprovar, lendo, abaixo!

MAGIA QUE FEZ BAIRRO INCLINADO  FICAR PLANO

Chico Uejo, discípulo das mágicas

Sim, senhor! Entre 2007 e 2008, o então prefeito Paulo Uejo demonstrou ter poderes infinitamente superiores aos de qualquer mágico, realizando, de verdade, essa incomparável façanha  de fazer sumir casas, que aos poucos vai virando lenda em todo o cerradão do Alto Paranaíba: a lenda do fabuloso mago capaz de fazer evaporar no ar uma centena de habitações, num único estalido de dedos.

Lá no que sobrou do Projeto Solar previsto para 234 habitações, simplesmente foi apagada do mapa a área das 100 moradias, após tão espetacular façanha de prestidigitação. E, como resultado de sua arrasadora magia, quase sumiriam também as outras 134 habitações. Sobraram somente paredes, pedaços de alvenaria.

Igualmente digno de menção foi o solene e incomparável ato final desta magistral proeza: o poder de encantamento de suas mãos cuja velocidade   olhares comuns não conseguem capturar, fariam transmutar para algum lugar misterioso somente dele conhecido, um “volumaço” de dinheiro num total de R$ 2 milhões. Exatamente o valor destas lOO residências, a R$ 20 mil cada.

Antes porém de operar tão retumbante mágica, ou seja, meses antes do início das obras, ele  fora autor de outra sensacional exibição, digna de figurar no mais alto pedestal reservado aos grandes bruxos do  ilusionismo. É sabido e notório que, por determinação da Caixa Econômica Federal, está proibido, terminantemente, homologações de construções populares, do projeto “Minha Casa Minha Vida”, em terrenos inclinados, no sentido de serem evitadas tragédias de desabamento, como as do Rio de Janeiro, ano passado e recentemente.

Portanto, pelas exigências descritas nesta portaria, a área atual de terreno inclinado do Projeto Solar, no bairro Boa Esperança, estaria totalmente inviabilizada. Alguém pensa que o endiabrado mestre deixou-se perturbar? Que nada! Foi aí que colocou em prática seu ilimitado  poder ilusionista. Num relampejante piscado de olhos, num velocíssimo deslizar de mãos sobre documentos, oohhh!! que  maravilha!!!! O endereço  do Projeto Solar foi subitamente transmutado para outro lado distante da cidade:  o bairro Sol Nascente.

Durante muito tempo, mansa e ingenuamente, os diligentes inspetores da CEF pensaram ser este o local do empreendimento. Incrível! Fenomenal! Como ele pode, num simples lusco-fusco, executar truque com tamanho toque de realismo? Como se vê, perto de mago Uejo, “Mr. M” não passaria de simples  “fichinha”.

Prefeito Cezário assuiu obrs irregulares

Diga-se de passagem, o vetusto mestre do Alto Paranaíba sempre optou por tirar do seu velho baú somente mágicas capazes de provocarem sumiços fenomenais envolvendo, por exemplo, patrimônio estadual, federal ou até municipal, certamente, considerando tudo isto coisas sem dono mesmo, que nem mesmo fazem falta  quando desaparecem. Um simples “alakazam” e pronto. Fica por isso mesmo.

Durante anos a fio, mestre Uejo teve oportunidade de exibir grandiosos números de prestidigitação sem nunca lhe faltar os aplausos admirados principalmente do povão que o adorava. “Bondoso mestre”, assim ele era visto. Sempre fingindo ser um pai dos pobres, mas, na verdade, uma bondosa mãe de ricos, como ele. Por exemplo, na espantosa magia em que fez sumir 100 habitações, pessoas humildes, perdedoras de suas casas (adquiridas na planta), ainda foram cobrar e exigir, do prefeito subseqüente, a edificação imediata desta centena de unidades, certas de existir o dinheiro delas bem guardados nos cofres pelo bondoso mestre.

Para se ter idéia, tais transmutações originárias do patrimônio público,  quando somadas, já acumulam um valor de quase R$ 20 milhões, não se  incluindo aí uma quantidade sem número de outros processos em andamento no Fórum de São Gotardo. Recentemente, a juíza da cidade, Genole Santos Moura, determinou bloqueio de bens para cobrir rombos estimados em R$ 500 mil. Mas não se logrou êxito, pois o mago, em outro de seus mirabolantes truques, simplesmente tornou invisível os patrimônios registrados em seu nome. Ou seja, de repente, num simples estalar de dedos, tudo se volatiza no ar, materializando-se, mais à frente,  em nomes de parentes e amigos. Coisa impressionante! Atualmente, perante os órgãos de fiscalização, não passa de um pobretão.

No sentido de que se faça plena justiça a quem, de fato, merece, é necessário  reconhecer o espírito de coragem e cidadania do ruralista Tarcísio Pereira de Melo, residente no distrito de Vila Funchal (Gordura), responsável pelas graves denúncias de irregularidades praticadas durante a execução das obras do Projeto Solar. Após seus levantamentos sobre os escândalos que estavam solapando os recursos do Governo Federal, instalou-se uma CPI na Câmara Municipal. O Departamento de Polícia Federal, Seção de Patos de Minas, abriu processo que agora se encontra em poder de um procurador da República. Constatou-se, fato gravíssimo,  que oito folhas do processo admnistrativo do Projeto Solar simplesmente evaporaram no ar, como consequência de outra das grandes artimanhas mágicas de Uejo. Segundo informações confiáveis, em junho próximo, tudo se define com pedidos de prisão preventiva para vários dos envolvidos nesse desfalque de verbas públicas.

De qualquer maneira, ainda persiste um mistério a ser esclarecido em torno deste caso. O atual prefeito Edson Cezário de Oliveira, quando tomou posse, no dia 1º de janeiro de 2008, após magra vitória por diferença de 135 votos, conhecia, de certa maneira, a situação escandalosa envolvendo o Projeto Solar. Seus companheiros de campanha, entre eles o popular vereador Dominguinhos, lhe advertiram e aconselharam a não tomar nenhuma iniciativa visando continuidade ao empreendimento, pois existiam suspeitas infinitas de muita sujeira. Inexplicavelmente, Oliveira resolveu dar seqüência às obras e elas  foram concluídas sem as referidas 100 habitações.

O prefeito se dizia inimigo ferrenho de Paulo Uejo contra quem determinou inclusive uma auditoria visando investigações na conta da prefeitura e em obras suspeitas executadas na represa no centro da cidade. Ao jornalista deste site, Cezário afirmou que tinha um calhamaço, de 500 páginas, cheio de irregularidades acusando os Uejo, que seria apresentado à imprensa, no devido tempo. Apesar da insistência o documento jamais foi apresentado, simplesmente desapareceu. Algumas raposas políticas da cidade afirmam: é estranho que o nosso prefeito tenha abafado a auditoria e ainda assumiu obras do Projeto Solar, que cheiravam coisa podre. Algum acordo de bastidores deve ter sido sacramentado, entre os dois. “Coisa boa para a cidade não pode ter sido”.

Facebooktwitterpinterestlinkedinmail
rss