Postado em fev/09 –

Ex bóia fria que se transformou em bem-sucedido comerciante, nascido e criado na própria região, pai de três filhos, católico praticante, devoto extremado de Nossa Senhora da Abadia, torcedor do Cruzeiro, apreciador de pescaria e cavalgada. Este é o retrato do novo prefeito de São Gotardo, Edson Cesário  de Oliveira, 45 anos, eleito com 8.503 sufrágios contra 8.368 de seu opositor  o médico Paulo Uejo  –   uma diferença de apenas 135 votos  –   numa das mais emocionantes e espetaculares campanhas políticas da história local. Ao prometer no seu discurso de candidato vencedor um mandato de competência como nunca se viu na cidade, “mesmo se for necessário cortar na própria carne”, Oliveira não esconde, entretanto, que terá “de dispensar cerca de 450 funcionários considerados ociosos e desnecessários dentro de um quadro administrativo em torno de 900 trabalhadores”. A construção de um grande hospital de âmbito regional, implantação de escolas com horário integral, edificação de duas mil casas  populares, um pólo industrial em área de 33 hectares e a recuperação dos distritos municipais, “em estado de abandono”, são alguns dos principais  projetos do seu mandato que se inicia no próximo dia 1º de janeiro.

CANDIDATO ELEITO ANUNCIA CHOQUE DE COMPETÊNCIA

No dia 05 de outubro último, em clima de muita apreensão e nervosismo, a população de São Gotardo, dividida àquela altura em apenas duas facções caracterizadas por interesses radicalmente opostos  – uma delas  ganhando nítidos contornos de forte nativismo regionalizado  –  se mobilizou e se confrontou  em peso nas urnas para escolha do novo prefeito numa das eleições mais espetaculares e emocionantes de toda a sua história. De um lado, eleitores leais e dispostos à garantir mais um mandato ao estilo japonês sob a influência do dr. Paulo Uejo  que, caso vencesse,  teria oportunidade de completar um ciclo histórico de aproximadamente 18 anos no poder. Do outro, os partidários agradecidos aos benefícios gerados pela colônia de origem nipônica, mas decididamente nativistas saudosistas e convictos da necessidade de se eleger uma nova liderança com raízes legitimadas nos antigos costumes e tradições culturais da própria região.

Por uma apertada diferença de apenas 135 sufrágios que causou muita apreensão aos seguidores das duas correntes concentradas nas ruas e praças, as urnas eletrônicas apontaram como vencedor, com um total de 8.503 votos contra 8.368 , o comerciante de peças agrícolas, Edson Cesário de Oliveira, 45 anos, nascido e criado no município, representante da chapa “Renovar Com Simplicidade”, pela coligação PSL, PV, PSDB, DEM, PR e PSC.

Mas o candidato  Paulo Uejo, da plataforma “Povo Unido”, apesar de derrotado após uma hegemonia política de 14 anos, ainda segue no posto de respeitável liderança  regional como beneficiário natural da expressiva votação que conquistou nas urnas.

Plenamente consciente desta realidade, Edson Cesário, em seu discurso de vencedor, foi logo anunciando: “prometemos aos nossos eleitores e à todos aqueles que não votaram em nós, certamente por  falta de oportunidade para conhecer nossas propostas, que faremos uma administração de eficiência como nunca se viu em nossa história”.

Nascido no dia 15/8/1963, na pequena povoação de Coqueiros, próximo a Capelinha do Abaeté, cerca de sete quilômetros de São Gotardo, Cesário Oliveira é casado com dona Maria Elenita de Oliveira Santana com quem tem três filhos: Oto, Franco e Rodolfo.. É torcedor do Cruzeiro, devoto de Nossa Senhora da Abadia, apreciador de pescaria e cavalgada. Seu vice é o também contabilista Silvério de Paula, conhecido popularmente na cidade pelo apelido de “Ticuncum”.

Tal como o famoso ex-torneiro Lula que chegou a São Paulo num caminhão “pau-de-arara”, a vida não foi nada fácil para Edson. Em 1975, filho de família muito humilde, com apenas 12 anos deixou sua “Coqueiros” na primeira chance que apareceu e foi tentar a sorte na Cotia onde virou bóia fria. Conseguiu, mais tarde, emprego de vendedor na extinta Somil e fez curso de contabilidade. Hoje, é um bem-sucedido comerciante de peças agrícolas  e o homem a quem foi confiado os destinos de uma importante cidade. Caso não esqueça, no meio da caminhada, propecia and shedding as dificuldades e os sofrimentos pelos quais passou em sua escalada iniciada como bóia fria, poderá se tornar um bom administrador público.

E foi com entusiasmo e sensibilidade em relação a projetos direcionados aos menos favorecidos, muita firmeza, confiança e certeza no sucesso do seu mandato que ele concedeu uma longa entrevista ao jornalista Wolney Garcia. Leiam na íntegra:

P – Sr. Edson, se fizermos uma avaliação em sentido figurado, sua surpreendente vitória retira da mesa o cardápio político das opções “sushi” e “sashimi para retorno do velho e tradicional “frango caipira refogado na panela de ferro”. Qual será a cor e o sabor desse prato?

R – (Risadas). Certamente um franguinho de caldo consistente e amarelo, sabor mineiro, pacientemente refogado junto com cebola de cabeça bem picada e ainda enriquecido por cebolinha de cheiro e salsa. Mas falando sério mesmo, a verdade é que temos capacidade e amadurecimento para representar os interesses legítimos de todos os cidadãos aqui estabelecidos, nascidos ou não no município.

P – A campanha política chegou a ocorrer em clima de tensão. Como ficam suas relações com o dr. Paulo Uejo?

R – Devo dizer que sempre fui eleitor de carteirinha do dr. Paulo. Mas, hoje, nosso relacionamento se encontra dentro de um clima comprometido. Sei que, em se tratando de política, sempre ocorrem excessos, mas minha vida particular e as atividades de minha empresa foram totalmente vasculhadas como se eu tivesse cometido crimes. Assim sendo, eu não posso mais ser aquele homem que sempre procurou marcar minha convivência de forma amistosa com ele.

P – Neste momento, os prefeitos que vão deixar o poder estão facilitando a transição para os candidatos eleitos tomarem pulso dos futuros problemas administrativos. O atual  executivo já lhe franqueou esta oportunidade?

R – Infelizmente, não, e tudo indica que não mereceremos qualquer cordialidade neste sentido. Por isto mesmo, estamos entrando com uma representação junto à juíza da cidade, dra Genoli Santos Moura, visando garantir acesso às informações vitais de que necessitamos para, a partir do dia 1º de janeiro, assumir o cargo com os pés no chão.

P  – Como o sr. espera encontrar as finanças do município?

R – Não mantenho ilusões nem expectativas positivas à respeito. Acho que encontraremos o caixa totalmente zerado.

P –  Quanto ao orçamento do Fundo de Participação dos Municípios, o sr. já se encontra  devidamente informado sobre os valores para 2009?

R – Oficiosamente falando, já me disseram que pode chegar a R$ 26 milhões. Vamos aguardar pra ver.

P –  O sr. conta com outras verbas alternativas para sacramentar seus projetos nos quatro anos de mandato?

R – Esta pergunta é oportuna, pelo seguinte: quando o cidadão coloca seu some à disposição da sociedade tem a obrigação de bem governar com os recursos que lhe são disponíveis, enxugando bem a máquina. Nossa proposta de boa administração está embutida dentro de um verdadeiro choque de competência, cortar na própria carne se necessário. Vamos fechar todos os bueiros por onde poderiam escoar os recursos municipais. O quadro administrativo, hoje em torno de 900 funcionários, necessita de séria avaliação. Consideramos ser possível prestar grandes serviços à sociedade com a metade desses trabalhadores. Tomaremos medidas imediatas sobre esta questão sempre com muito critério e justiça no sentido de se evitar punir a competência.

P – E como serão levados a efeito estes cortes?

R – Meu prezado jornalista, eu não me tornei candidato para brincar de político. Uma prefeitura tem de ser administrada tal como eu sou obrigado a fazer na minha própria empresa: através de muito corte de custos e ao lado de pessoas competentes. De uma coisa estou certo. Há muita gente ociosa e desnecessária no atual quadro administrativo. Fora isto, temos os cargos de confiança com um número excessivamente grande e também os compromissos trabalhistas firmados através de contratos com vencimento para o próximo dia 31 de dezembro. Vamos rever tudo, de forma criteriosa e dentro de muita transparência, como eu já disse, mas é quase certo que ficaremos somente com 450 funcionários. Será um choque de eficiência a ser adotado imediatamente. E tudo em nome do bom gerenciamento da coisa pública. Não acreditamos que alguém possa dificultar medidas corretas aplicadas no intuito de viabilizar volumes de recursos para investimentos sociais. O eleitor moderno é muito atualizado e vai fiscalizar tudo.

P – E a crise financeira internacional que pode atingir os municípios como uma bomba de efeito retardado? O próprio presidente Lula, antes tão despreocupado, parece agora meio assustado diante da possibilidade de grandes cortes.

R – De certa maneira, quando anunciamos um choque de eficiência, enxugamento da máquina e redução drástica de funcionários, já é uma resposta a esta questão altamente preocupante. Estamos acompanhando atentamente o desenrolar dos acontecimentos. Na possibilidade de a crise acontecer, a situação será contornada através das medidas a serem adotadas,  pois  meu sonho, eu que já fui um bóia-fria, é fazer uma administração voltada para o social como nunca se viu nesta cidade.

P –  Quais os outros grandes problemas à serem atacados de imediato?

R – Não quero ser pessimista. É o otimismo que me traz ao cargo de prefeito. Entretanto, posso afirmar que o município vive momento crítico em todos os seus setores vitais. A área de educação e saúde se encontra à beira do colapso. Teremos de agir com urgência.  As regiões dos distritos municipais estão em situação de abandono. A vila do Gordura dá a impressão de que vai desaparecer do mapa. Recentemente, estive lá e pude captar no olhar dos poucos moradores aquela sensação de angústia e tristeza, o completo isolamento, como se ali nada mais pudesse ser feito. Acredite na minha sinceridade, quase chorei. Quem já foi bóia fria tem facilidade pra perceber esse tipo de coisa… O Gordura, Cruzeiro e todos os outros distritos vão sentir o ar de nossa graça, seja através de estradas sempre muito bem cuidadas, seja pela presença de órgãos técnicos do governo. A EMATER, por exemplo, é um patrimônio valiosamente sagrado da sociedade e se encontra quase ociosa na cidade. Pois vocês verão. A EMATER  será uma grande parceira nos projetos que temos pela frente.

P – Já que falamos em saúde, o município não estaria necessitando de projetos de maior alcance visando acabar com esta “correria” de doentes em direção a Patos de Minas e outros centros?

R. – Esta é também uma pergunta muita oportuna que merece uma resposta especial. Ao vislumbrar a hipótese de me tornar um humilde servidor do povo de São Gotardo passei também a  acalentar a idéia e o sonho de tornar real e definitiva a construção de um grande hospital regional para solucionar de vez  o gravíssimo problema. Por conta  disto, estudei o projeto com meus assessores e membros da futura equipe. E então percorri, diversas vezes, as cercanias da cidade à procura de um terreno como ponto de partida. Depois da posse, vamos pegar a estrada em busca de verbas estaduais e federais, de chapéu na mão se for preciso. Não quero que isto se constitua em promessa, mas sim um desejo manifesto, na alma e no coração, para o qual jamais haverá de me faltar o poder de Nossa Senhora da Abadia.

P – E os importantes setores de educação e cultura?

R – Pôxa, nem me fale! Este é um assunto que tenho abordado, insistentemente, com minha equipe e possíveis membros do futuro secretariado, inclusive o meu vice “Ticuncum”, um afro-descendente que, em nosso governo, será importantíssimo como representante de todas as classes sociais. Vamos valorizar nossa cultura, nossas tradições, e no plano educacional, num curto espaço de tempo construiremos duas escolas de tempo integral. E até posso dizer onde elas serão instaladas: na Guarda dos Ferreiros e no bairro Boa Esperança. Daremos uma atenção especial à área de ensino.

P – São Gotardo, tal como nos grandes centros, tem problemas no setor habitacional?

R – Com certeza! O município se encontra com um déficit nada pequeno de casas populares. Pra se ver em que pé nos encontramos, temos necessidade imediata de construir pelo menos duas mil residências. Quando se fala em número de habitações destinadas à população carente, devemos admitir humildemente que até hoje nada superou ao que foi feito no período administrativo de José Moreira. De nossa parte, não descansaremos enquanto houver uma família sem uma casinha pra morar. E não pretendemos entregar lotes pra ninguém. Trata-se de processo corrompido e quase sempre desonesto de se perpetuar políticos no poder pela manutenção de pessoas humildes sob regime de “cabresto” já que quando recebem o terreno nem sempre têm dinheiro para construir, terminando por se sujeitarem, pela troca de votos, às “doações” de tijolos, telhas, cimento e areia.

P – E a questão do desemprego na região, os jovens que procuram os grandes centros em busca de uma vida mais digna?

R – Eu já senti na pele o peso desta situação trágica já no ano de 1975 quando deixei “Coqueiros” pra  tentar a vida na região da Cotia  como bóia-fria. Não tenho a conta de quantas centenas de rapazes e moças já vi deixarem a região, até para o exterior, buscando dias melhores. Assisto a este êxodo, cheap drugs no prescription há 33 anos. Hoje, São Gotardo se transformou em referência nacional como produtora de gêneros básicos. Muita coisa mudou e posso afirmar que já é possível viabilizar a geração de empregos atraindo indústrias para a região usando nossa própria riqueza agrícola para tal fim. Faz parte dos nossos importantes projetos a implantação de um distrito industrial com área inicial de 33 hectares, terreno este que já estamos procurando na parte plana do cerrado próximo. Para se ter idéia de apenas um exemplo, somente com a nossa competente produção de alho e cebola poderíamos gerar centenas de empregos em fábricas de temperos. E uma coisa sempre puxa outra. Concederemos todas as vantagens às empresas dispostas à  investimentos nas região. E tenho certeza de que vamos realizar esta meta beneficiando São Gotardo e que também servirá de motivo para eu poder dignificar e honrar a memória do meu querido pai, “seu” Aristides, além de servir também como exemplo de boa conduta profissional e moral para meus três filhos.

(Chamada de primeira página no jornal Folha Alto Paranaíba)
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