Além das gameleiras, uma praça destruída

Tradicional fabricante de cochos de madeira para comercialização junto aos fazendeiros da região, motivo pelo qual teve seu nome citado em matérias como possível beneficiário da madeira de sete grandes gameleiras mortas em Dores do Indaiá,  o vice-prefeito  desta cidade, Maurício Caetano Dias, encaminhou correspondência   ao Centroeste Urgente, contestando qualquer envolvimento  na destruição das árvores, além de afirmar também que insinuações levianas têm desviado o foco principal em torno da questão.

O editor deste site encaminhou a seguinte resposta ao sr. Maurício Dias: “informamos, com muita satisfação, que publicaremos,  sua resposta, na íntegra, acrescentando que este vosso dever de  dar satisfação pública deveria incluir também as pessoas jurídicas do  prefeito de Dores do Indaiá e o titular da Secretaria Municipal do Meio ambiente. Devemos até admitir que as presentes explicações sobre a referida mortandade de gameleiras, em função de vossa atividade correlacionada, já  se faziam necessárias, há muito tempo”.
NOTA DE ESCLARECIMENTO PÚBLICO

A Praça Abaeté é hoje uma área desfigurada

Leia, na íntegra, a carta de esclarecimento do vice-prefeito de Dores do Indaiá, na qual ele diz que estão sendo feitas investigações profundas para se descobrir as causas do definhamento e morte das gameleiras, prometendo tomar providências cabíveis quando elas forem do conhecimento oficial:

“A discussão a respeito da morte de gameleiras centenárias em Dores do Indaiá continua sem parecer técnico e insinuações levianas têm desviado o foco principal. Informes publicados recentemente por V.Sa. na internet indicam que a morte das árvores tem ocorrido de maneira proposital por meio de aplicação, diretamente no
tronco, de agentes químicos que causariam a morte das árvores. Neste contexto, além de indiciar a Prefeitura Municipal como um dos possíveis agentes desta destruição ambiental, também me envolveram no caso.
Segundo dizem, a morte das árvores me renderia matéria prima para a produção de cochos de madeira e serragem para o abastecimento de fornos industriais.

Alheio ao assunto na internet, ao tomar conhecimento das acusações, apresso-me em rebatê-las diante do despropósito das denúncias, tornando necessário elucidar algumas questões:

Os troncos das árvores recolhidos, por questões de limpeza urbana e segurança para a população, foram colocados em um espaço gentilmente cedido em minha empresa, onde permanecem inalterados até que órgãos técnicos, como o IEF, venham para realizar uma avaliação do material;

O cocho de madeira citado em sua reportagem foi patenteado há aproximadamente quinze anos, utilizando madeira tipo “roxinho” que, por questões ambientais, foi alterada, nos últimos cinco anos, para eucalipto tratado e de uso ambientalmente correto. Nunca foi produzido um único cocho utilizando madeira de gameleira, pois tal madeira não atende os quesitos técnicos necessários para a sua manipulação e não está em consonância com o principal diferencial deste produto no mercado que é “ser um cocho ecologicamente correto” oferecendo uma utilização viável de pneus que são descartados no meio ambiente.

O reconhecimento da importância ambiental deste produto foi ressaltado pela imprensa através dos canais Rede Minas e TV União no programa “Minas Rural” e na imprensa escrita na revista “O Caminhoneiro” e na primeira página da sessão agropecuária do jornal “Estado de Minas’ (05/08/2002).

A madeira fornecida pelas gameleiras também não apresenta qualquer interesse comercial no que diz respeito à produção de cavaco, por se tratar de uma madeira com poder calorífico inferior a 3.000 Kcal e alta concentração de umidade (aproximadamente 90%) e para esta finalidade exige-se a utilização de madeiras com cerne capaz de gerar chamas consistentes para o aquecimento dos fornos e fornalhas, características não apresentadas pela madeira das gameleiras.

Próximo a matriz, o culto à natureza destruída

Acrescento a todas essas evidências que indicam a inconsistência das informações divulgadas, que resido há mais de vinte anos junto à Praça Tenente Zacarias Zica (Praça Abaeté) e em nenhum momento tive interesse em matar as árvores que geram sombra, proporcionam movimentação de pessoas no local,valorizam os imóveis e tornam o ambiente agradável;

A morte das gameleiras na Praça Abaeté e em tantos outros locais de Dores do Indaiá não é o desejo de nenhum dorense que, ao passar por elas, recorda-se de histórias e situações que trazem boas lembranças desse interior de Minas.

Reconhecemos a necessidade de uma profunda investigação das causas para a morte das árvores e os estudos para reverter o quadro daquelas que parecem definhar.

Órgãos técnicos foram acionados pela Prefeitura Municipal e aguarda-se a vinda dos mesmos para uma perícia completa no material que for necessário, sejam as árvores vivas ou nos troncos preservados até o momento com essa finalidade.

Informo que a atual administração municipal (2009/2012) bem como eu, cidadão Maurício Dias, estamos interessados em diagnosticar os reais motivos que levaram à fatídica morte das árvores centenárias do município de Dores do Indaiá.

Informo também, que após diagnosticados os reais motivos das mortes dasárvores históricas, a administração municipal providenciará as medidas pertinentes.

Atenciosamente,

MAURÍCO CAETANO DIAS

Praça Tenente Zacarias Zica, 58

São Sebastião

35610-000 – Dores do Indaiá – MG

mauriciocaetanodias@gmail.com

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