Em pé:   Marco Antonio, Chiquinho Miguel (Téc. Interino) Neném, Washington, Riva, Juninho Capela e Pituinha. Abaixados: Tiago, Mateus Tinga, Renailton, Ademir, Marcos Tinga e Fernandinho.

Daqui a quatro anos, precisamente no dia 13 de agosto de 2022, o time de futebol Sparta Esporte Club de São Gotardo, no Alto Paranaíba, dono de uma torcida pra lá de apaixonada,  estará comemorando  100 anos de existência.  Na sua  trajetória, uma vida marcada de   glórias e, porque não dizer, também de muitos  percalços, por conta dos problemas financeiros sempre  inerentes  às agremiações do interior. Mas os tempos mudaram naquele rico município agrícola. O Sparta já não é mais o time seguidamente vivenciando tropeços  do tipo vai não vai. Nos últimos anos, suas diretorias persistiram  na atualização das  revoluções no   futebol e, entre tantos projetos,  vem priorizando investimentos nas    categorias de base agora elevadas a uma posição de destaque.  E tem surpresas, por lá. O diretor e também técnico  Chiquinho  Miguel   informa que, muito  em breve, será inaugurado  no Estádio Olavo Bilac  a cobertura de uma grande área das arquibancadas. E não é só isso, o Sparta quer voar baixo em 2018. Irá disputar  a Copa Alto Paranaíba de Base  em  19 de Janeiro, Copa Amapar em Fevereiro e o tradicional Regional,  no segundo semestre!

No centenário, Chiquinho Miguel quero Sparta no apogeu...

No Centenário, Chiquinho deseja ver o Sparta no apogeu de sua existência

A instituição  Sparta Esporte Clube de São Gotardo, no Alto Paranaíba, figura na  galeria dos times    mais antigos de Minas Gerais e  está pertinho de completar o primeiro século de existência  com muita história pra contar. Faltam apenas quatro anos! E, com certeza, a data de sua fundação, 13 de agosto de 1922,  será comemorada com muita festa. 

Para se ter ideia, a  camisa verde e branca desse time – cuja trajetória sempre foi marcada pela  paixão da torcida, seja na alegria seja na tristeza – é quase tão antiga quanto a azul celeste do famoso Cruzeiro Esporte Clube de Belo Horizonte   para o qual perde pela insignificante diferença de 12 meses.

Os registros narrados nesta matéria sobre a fundação do Sparta Esporte Clube  foram extraídos do livro “História de São Gotardo”, páginas 135/136, do capítulo “59° Aniversário do Município” escrito, em 1973, por José Gonçalves Ferreira, “Juquinha Carneiro”, também dentista, coletor e jornalista, cidadão de muito prestígio e credibilidade na região.  O livro foi editado sob o patrocínio da prefeitura no mandato de José Luiz Borges por ocasião  da inauguração do aeroporto e do asfalto de acesso à cidade, no 59° aniversário de emancipação do município.

Em 1912, Gonçalves Ferreira, procedente de Dores do Indaiá,  chegou a São Gotardo onde constituiu família e residiu pelo resto de sua vida, acompanhando de perto, durante mais de 60 anos, os principais acontecimentos locais.  Não constitui surpresa, portanto, que   estivesse à altura de testemunhar e registrar a criação do Sparta, por iniciativa de ilustres cidadãos. Entre os  anos 40 e 70 do século passado era correspondente do Jornal Estado de Minas.

Portanto, para quem tiver alguma dúvida sobre a idade do Sparta é muito oportuno esclarecer: os fundadores da agremiação, bem como os atletas do primeiro e segundo quadros descritos  por Gonçalves,  eram naturais do município. Dois deles foram   posteriormente transformados  em referências importantes da própria história política local: Bento Ferreira dos Santos e Frederico Duarte Coelho que  integraram a diretoria do então clube nascente. Bento Ferreira e Frederico Coelho são nomes das ruas mais antigas desta cidade de quase 40 mil moradores.

Vamos aos fatos, seguindo os passos do próprio “Juquinha Carneiro”. Fundado em 13 de agosto de 1922, o Sparta fez sua estréia oficial poucos dias depois, em 24 de setembro, precedida de apresentação solene da banda de música local quando se enfrentaram os times do 1° e 2° quadros, jogo apitado pelo juiz Domingos Tocafundo.

O 1° quadro foi escalado com Baiano, Correa, Clodomiro, Artur, Abel, Melo, Farnese, Romeu, Garantia, Boaventura e Josefino. O segundo, com Joanico, Sá, J. Franco, Silva, Fagundes, Assis, Diógenes, Brasileiro, Amador, Cordoval e Paulino. 

Ocupou o posto de primeiro presidente do Sparta Esporte Clube o dr. José Soares Carvalho, tendo como vice dr. Cincinato Sampaio; 1° secretário, José Lopes Cerqueira; 2°  secretário, ninguém menos que Bento Ferreira dos Santos (futuro prefeito, durante 12 anos, no regime de exceção de Getúlio Vargas, de 1934 a 1946); tesoureiro, Manoel Pinheiro Costa; procurador, Raul Rocha; na 1ª “capitania”, Frederico Duarte Coelho (outro prócer da política local cujo nome entrou para história); e na 2ª “capitania”, Diógenes de Castro.

A partir de então, o clube vem alternando sua história com momentos de gloriosas conquistas em torneios disputados no Alto Paranaíba  e períodos de extremas dificuldades pelos mesmos motivos que sempre acometem agremiações das pequenas cidades do interior: falta de recursos financeiros.

Após sua fundação, chegou a paralisar as atividades por bom tempo, mas retornou com força, tempos depois, sob a liderança do médico Moacir Ferreira Franco. E ficou mais poderoso ainda, principalmente, a partir da construção do Estádio Olavo Bilac, presidido por Olavo Bilac. Mesmo assim, por repetidas vezes, teve suas portas fechadas.

Quando sob o  comando do próprio Olavo Bilac, o Sparta viveu momentos gloriosos, espalhando por todo o Alto Paranaíba a fama do seu poderio, pelo brilhantismo de jogadores do nível de “Zé do Baiano, Dezinho, Zé de Castro e Alaor.  

Bilac não economizava verbas para levar times de renome a São Gotardo tais como Bonsucesso, Olaria, URT, Mamoré, Araxá, Zacarias e Dorense. A população reconhecia os esforços do presidente e comparecia em massa. E sempre com seus gritos de guerra: “É osso, é osso, é osso, o Sparta é um colosso/É aço, é aço, é aço,  o Mamoré é um fracasso”…..!

Outro presidente que teve destacada passagem na instituição foi o produtor rural Pedro Takigami que a administrou, por vários mandatos. Takigami, marcado na história como  pioneiro produtor de cenoura  no Alto Paranaíba, é, hoje, importante cultivador da fruta morango, pelo sistema  orgânico.

E nem se pense que o fanatismo  de torcedores por seus clubes do interior são casos isolados como aquele do massagista de um time paulista que invadiu o campo e evitou que dois chutes certeiros do jogador do Tupi entrassem na trave do seu goleiro. A partida foi anulada. Mas se para a torcida do “Galo” de Juiz de Fora ele virou sinônimo de vilão, na sua cidade, entretanto, deve  estar recebendo, até hoje, homenagens reservadas a heróis.

Também em São Gotardo, o lendário Jaci, motorista de táxi, deixava de lado sua profissão e até a família para acompanhar as “embaixadas” do Sparta  aonde quer que fosse. Seu lugar no ônibus sempre estava reservado, com antecedência. Seria capaz de qualquer loucura pelo “Verdão”. O jornalista desse site, à época, goleiro do time, haverá de ter sempre na memória o rosto de Jaci, amigo e companheiro para tudo.

Por sua vez, o tipógrafo “Edson Dadá” (in memorian), era também jogador, mas quando se fazia necessário  necessário quebrava o galho apitando jogos. Certa vez, em inesquecível partida na cidade de Lagoa Formosa, com vitória espetacular do “Verdão”, ele foi o árbitro. E tal como sempre acontecia, o coração falava mais alto nestas horas. Perto da grande área seu apito só soprava favorecendo o time de sua terrinha. 

Por causa dessa “oportuna tendenciosidade”  de  “Dadá”, o jogo  foi interrompido, diversas vezes, aos gritos de “ladrão, ladrão”, quase terminando em pancadaria. Mas Edson, apesar de baixinho,   encarava  a “barra” com destemor tal como  era do seu feitio: de peito aberto. Não tinha medo de xingamentos e nem de cara feia.

O primeiro conhaque que o então jovem goleiro do Sparta  experimentou (o jornalista dessa matéria)  lhe foi  servido por  “Dadá”. Após a preleção no vestiário, ele retirava uma garrafa da sacola e oferecia um gole para cada jogador, dizendo: “Isso é muito bom pra calibrar  o sangue antes de pisar o gramado”. E era mesmo, pois o atleta já entrava no campo suando.

E sempre foi assim! A paixão por esse clube nunca arrefece, nunca diminui, só aumenta. Sempre surge alguém que o reergue das cinzas, reaviva suas chamas, não deixa a peteca cair.  

 

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