downloadAno passado, a grande imprensa teve muitos veículos de reportagem queimados e péssimas avaliações de credibilidade na cobertura dos manifestos de rua, além de grande perda de público. O motivo principal estaria fundamentado em sua eterna bajulação aos plantonistas no poder, que a coloca em posicionamento dúbio em face dos interesses de proteger o rico manancial de propaganda nela jorrado, fartamente, sob carimbo oficial.

Não há dúvida de que ela sentiu o impacto e, agora, demonstra sinais de estar adotando estratégia bem mais inteligente, para sair incólume nas próximas mobilizações que já se anunciam altamente  explosivas, durante a Copa do Mundo e o período eleitoral.

Pelo que já se verifica  em todas as programações de TV, rádio e imprensa de papel, os poderosos grupos estão fazendo opção, pelo menos nas aparências, por uma nova pauta com significativas mudanças objetivando captar e reportar os sentimentos do povo, priorizando reivindicações focadas nas graves questões sociais.

Tomemos como referência, por exemplo, o rotineiro jornalismo “salamaleque” da Rede Globo. Desde janeiro, quem assiste as edições do “Bom dia Brasil” e “Jornal Nacional” está se surpreendendo com o novo tom impregnado de radical veemência na  abordagem demorada de denúncias pautadas  nos problema de mobilização urbana, saúde, segurança e corrupção, não por coincidência, os motivos de desespero e aflição dos brasileiros..

Subentende-se que a era de tais “salamaleques” da família Marinho traduzidos no excesso de cuidados, acatamento, afabilidade e mesuras aos donos do poder, em todas as esferas, tende a ceder lugar a uma linha  mais agressiva mirando os interesses da sociedade. Junte-se  a isto que as redes  abertas de TV, rádios e os próprios jornais de papel  se ressentem  de considerável perda de público ocasionada por grande debandada rumo ao lazer variado  das redes sociais e canais fechados. Assim, não restará a eles senão uma alternativa:  buscar credibilidade ou desaparecer. Inacreditável, mas é verdade. E o PT de Lula e Dilma já revela muita irritação com esse novo enfoque, demonstrando o quanto o governo fica vulnerável sem a mídia “guarda costas”.

O certo é que a grande imprensa embarca numa corrida desesperada tentando represar a perda de público por conta da eterna bajulação às fontes dos seus comerciais. Tal comportamento já pode ser claramente verificado e, sem dúvida, deverá exercer influência nas próximas eleições. Afinal, o país está podre, e sem o conluio das principais redes tudo entra em processo de decomposição, deixando escapar o mau cheiro que causa medo e pavor em  todo o país ora vivenciando cenário de uma barcaça à deriva, sem comandante.

Os órgãos de comunicação, pela ausência de plena independência e sem ainda poder cobrar, por motivos óbvios, responsabilidades diretamente dos ocupantes dos poderes constituídos, procuram compensar esta fragilidade fazendo repercutir, sonora e indiretamente, as notícias sobre mazelas o que, com certeza, também revela certa eficiência mirando encostar agentes públicos contra a parede.

Na TV Globo, o bom jornalista Chico Pinheiro chega ao forçado extremo de exageros diários em indignados protestos contra o descalabro no exercício da atividade pública. Nunca se dedicou, no jornalismo da Venus Platinada (que acabou de botar Xuxa pra correr), tamanho zelo e nem tanto tempo  aos desmandos. Não obstante, o Jornal Nacional, apesar de sofrível melhora – mas ainda avesso à presença de autoridades para debater problemas de interesse nacional – deixa muito a desejar, se limitando ao noticiário modorrento apresentado pelo casal de jornalistas.

Na Record News, ao contrário da Globo, o veterano Heródoto Barbeiro constrói seu jornalismo basicamente com entrevistas, in loco, ao vivo e  sem limitações, de personalidades  questionadas sobre a realidade nacional. Por sua vez, Ricardo Boechat, da Bandeirantes, é capaz de passar legitimidade nas suas informações.

Mas é claro que tais avanços não são indicadores de uma imprensa na plenitude de independência. Isso jamais existirá. Muitos vícios permanecerão, como antes, na cobertura das próximas mobilizações populares, pois, afinal, não se pretende ficar assim tão manifestamente contrário às principais fontes fornecedoras de publicidade sob o beneplácito oficial.

Os “Blac Blocks”, por exemplo, continuarão sendo chamados de vândalos, bandidos, agitadores e depredadores. E, certamente, devem ser assim classificados. O que não fica bem é fazer vista grosa à cruel realidade de que a existência deles, assim como dos “holezinhos”,  tem  motivações originárias da grave ausência de visão social nas políticas públicas.

Por outro lado, os políticos corruptos que assaltam e depauperam o erário, levando falência a setores vitais, nunca serão pichados de vândalos e ainda ganharão oportunidade, com certeza, de se afirmarem em choramingadas justificativas como se vítimas de perseguição e intrigas da oposição”.

   

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