Deputado Aldo Rebelo

Tirante alguns pequenos percalços, há quem tenha achado fácil a aprovação do novo salário mínimo, nas duas casas do Congresso, mas o governo Dilma terá agora, em abril,  uma tarefa muito mais difícil, repleta  de espinhos, que é a reforma do novo Código Florestal. A presidente se verá diante de sua primeira prova de fogo, pois a questão envolve decisões capazes de levar duas facções inimigas, proprietários de terra e ambientalistas, a confrontos de consequências  imprevisíveis. O jornalista Geraldo Moura, em sua coluna de Brasília, atento aos acontecimentos, mostra como será difícil a tarefa de acomodar interesses tão  opostos, em clima de grandes radicalismos.

DILMA ROUSSEF:  PRIMEIRA  PROVA DE FOGO

Jornalista Geraldo Moura/Brasília

O governo Dilma venceu tranquilamente a parada do salário mínimo. A presidente (ela prefere presidenta) chamou ao Palácio o senador do PT, Paulo Paim (RS), que defendia o valor em R$ 560, contra os R$ 545 aprovados na Câmara. Enquadrou o ex-metalúrgico gaúcho e 54 dos 81 senadores votaram de acordo com o governo.

A questão do salário mínimo dividiu, na semana que termina, as atenções no Congresso com o primeiro projeto realmente polêmico, caminho verdadeiramente  espinhento, que o governo Dilma terá de transpor: as alterações do Código Florestal, cuja discussão prima pelo lado emocional.

Parlamentares ligados aos produtores rurais elegeram a proposta do deputado comunista do PCdoB, Aldo Rebelo (SP), como o projeto ideal. Ambientalistas e ONGs condenam e querem evitar a votação – para quando, ninguém sabe.

Dilma: pressões de todos os lados

Uma linha de entendimento busca conciliar a proposta de Aldo Rebelo com outra, a ser proposta pelo Ministério do Meio Ambiente, com o aval da presidente (presidenta) da República. Os deputados ligados ao setor rural cederiam em alguns pontos e o governo faria o mesmo.

Com isso, espera-se que o assunto possa ser votado em abril. Mas os ânimos continuam exaltados. No dia 22/02, quarta-fera, a Frente Parlamentar do Meio Ambiente, um grupo de deputados com quase 300 participantes, promoveu um seminário durante a tarde inteira para discutir o assunto. Na verdade, para condenar a proposta de Aldo Rebelo.

A poucos metros do local, o deputado Giovanni Queiroz, líder do PDT na Câmara, reuniu a bancada para ouvir uma exposição de Aldo Rebelo sobre o assunto. A proposta que ele apresentou é a síntese de onze projetos que tramitavam na Câmara, além de sugestões que ele ouviu de produtores rurais em audiências realizadas nos estados.

Jornalista Geraldo Moura

Giovanni Queiroz pessoalmente é um defensor dessa proposta. Mineiro de Campina Verde, no Triângulo, ele é pecuarista no Pará, onde tem sua base eleitoral, iniciada em 1975 na antiga ARENA (partido de suporte ao regime militar). Na exposição que fez, Aldo Rebelo deu o tom que marca as discussões sobre o assunto, mas disse que aceita conversar com o governo sobre os pontos que propôs em seu projeto.

Quando foi avisado de que sua ausência estava sendo criticada no seminário dos ambientalistas, a poucos metros da sala em que falava, Aldo Rebelo afirmou não ter sido convidado pelos ambientalistas para debater o tema. E concluiu curto e grosso: “já demos muita trela para essa gente de ONGs”.

Os pontos em torno dos quais se pretende entendimento são: faixa da vegetação nativa a ser preservada nas margens dos cursos dágua, anistia a quem desmatou ilegalmente, preservação de topo de morro e necessidade de preservação de áreas de matas naturais.

Para os deputados ligados ao setor agrícola, não há um só produtor rural que não concorde com isso. A questão é saber a dosagem que será aceita. Outro ponto: qual a relação entre as práticas agrícolas adotadas pelos produtores rurais e os deslizamentos ocorridos nos morros de áreas urbanas no Rio de Janeiro?

Facebooktwitterpinterestlinkedinmail
rss