Sem  nenhuma dúvida, ainda não se faz uma omelete sem quebrar a casca do ovo, coisa que nem mesmo a presidente Dilma Roussef  teve como evitar, apesar dos  seus dotes culinários demonstrados no programa de Ana Maria Braga. Entretanto, mal sabe a primeira dama que ela, caso deseje o pleno sucesso no preparo futuro de pratos similares na área política, vai ter de quebrar uma quantidade muito maior de  ovos, sem nenhuma dó ou piedade, principalmente, quando os auxiliares de sua cozinha  forem justamente os “mui amigos” parceiros da base governista, entre eles o PMDB  e o PT. O jornalista Geraldo Moura, em sua Coluna de Brasília, mostra que Roussef tem se dado bem nos primeiros embates. E  foi também uma escolha de melhor bom-senso sua decisão de optar por  Barreira do Inferno onde se recolherá, discretamente, durante o carnaval. Lá, certamente, terá  clima  e tranquilidade para fazer a conta antecipada de quantos ovos terá de espatifar na omelete do Código Florestal.

BARREIRA DO INFERNO”

Jornalista Geraldo Moura

O líder do governo na Câmara, o médico ginecologista e obstetra, Cândido Elpídio Vaccarezza, eleito deputado federal pelo PT-SP, resumiu bem a coisa: “não conheço nenhum parlamento no mundo que tem uma festa dessas (como o carnaval) e que funcione”. Seguramente isso não existe em lugar algum.

O Congresso ficar uma semana sem funcionar não muda a ordem natural das coisas, ainda mais que nem entrou ainda em funcionamento como um Poder Independente, casa de disputa de idéias. Em um mês de atividade fez exatamente o que o Executivo queria.

As comissões temáticas permanentes só foram instaladas na última semana e o primeiro assunto sobre o qual há, realmente, divergências – reforma do Código Florestal – está em fogo brando. A presidenta (como ela gosta) Dilma obteve sua primeira incontestável vitória com a aprovação do salário mínimo na forma como queria. Ela jogou duro e venceu desta vez.

A principal dissidência na base de apoio no Congresso foi o PDT, exatamente o partido por onde a presidenta (!) entrou na política no pós-64. Como castigo, a agremiação dos seguidores de Leonel Brizola foi excluída de uma reunião de Dilma com os líderes dos partidos aliados.

No encontro, ela explicou os cortes que teve que fazer na proposta do Orçamento de 2011, necessários para compensar a gastança irresponsável do governo anterior em ano de eleições.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (RJ), um dos dirigentes do PDT, foi chamado ao Palácio para uma reunião com Dilma e saiu de lá sabendo que continua no posto, pelo menos por enquanto.

Em seguida, um ideólogo do PT, que havia chamado a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque, de “autista”, foi defenestrado antes de tomar posse no Ministério da Cultura, como previsto.

A presidenta (!) vai deixando sua marca. Fala pouco, prepara omelete na televisão, em companhia de Ana Maria Braga, e já convidou para uma conversa a sós o ex-presidente FHC – coisa que Lula nunca tinha feito, embora houvesse frequentado o Palácio da Alvorada à noite no governo de seu antecessor.

Mais uma demonstração dos novos tempos foi a escolha feita pela presidenta (!) do local para passar o carnaval: a Barreira do Inferno. Tradicionalmente os chefes do Executivo usam, nesses longos feriados brasileiros, unidades da Marinha ou do Exército.

Dilma homenageia a Aeronáutica, na base de lançamento de foguetes perto de Natal (RN), inaugurada em 1965, três anos antes de a estudante da Faculdade de Economia da UFMG entrar para o movimento de protesto contra o regime militar.

O nome da base é sugestivo: pescadores passaram a chamar o local de Barreira do Inferno, porque, ao entardecer, os reflexos do sol tornam as falésias ali existentes vermelhas como fogo. Como o fogo do inferno… Mas Deus não é brasileiro? Como ele pode aceitar isso?

A escolha momesca de Dilma seria uma forma de agradar a Aeronáutica depois de mais um adiamento sobre a decisão de comprar os caças para reequipar a FAB?

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