Centroeste Urgente – (Coluna de Brasília)  – Manobras e articulações sob comando do  prefeito Gilberto Kassab possivelmente apoiadas pelo ex-candidato derrotado José Serra, de olho nas próximas disputas eleitorais,  já colocaram no forno a criação de um novo partido que pode convidar até mesmo o senador Aécio Neves à nele se ingressar. Resta saber se a nova agremiação teria clima para abrigar dois tucanos de bicos muito longos  apontados na mesma direção: o Planalto. Em sua “Coluna de Brasília”, o jornalista Geraldo Moura mostra que o PT de Marta Suplicy acompanha, com interesse estratégico,  o desenrolar dos acontecimentos cuja definição pode acontecer até mesmo em Paris.

PLANALTO: COMO SEMPRE, SÃO PAULO QUER SAIR NA FRENTE

                                                     (Jornalista Geraldo Moura)

As manobras do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), devem levar à criação do Partido Democrático Brasileiro (PDB), dando início às mudanças nos quadros dos partidos com vistas à disputa presidencial de 2014.

Kassab articula em segredo

Depois de flertar com o PMDB e mesmo com o PSB, o prefeito age para a criação da nova legenda, puxando com ele gente do DEM, PSDB e PDT. O passo seguinte seria uma fusão com o PSB, partido dos herdeiros do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes.

Gente próxima a Kassab assegura que o senador Aécio Neves será um dos primeiros a receber convite para a se mudar para o novo partido. O senador teria aí uma plataforma para concretizar seu sonho em 2014: a rampa do Palácio do Planalto.

A disputa no PSDB parece que não vai acabar tão cedo. Serra já avisou que pretende ser candidato de novo. Se Lula teve que concorrer três vezes para chegar ao Palácio do Planalto, por que ele também não pode?

A criação do novo partido interessa a muito político descontente e que não vislumbra grande futuro na legenda onde se encontra. Com PDB abre-se uma janela para a troca, sem risco de perda de mandato.

O agrupamento ao qual o prefeito paulista pertence no momento, o DEM – antigo PFL, dissidência do PDS para garantir a eleição de Tancredo no Colégio Eleitoral em 1985 – tenta evitar o pior.

Pediu ajuda aos governadores do PSDB de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Goiás, Marconi Perillo, e ao senador Aécio Neves para demover o prefeito a ficar. A ele foi acenado com a possibilidade de disputar, pelo DEM, o governo de SP em 2014. Gilberto Kassab fez ouvido de mercador e mandou avisar que voa para Paris no sábado de carnaval, só retornando uma semana depois.

Jornalista Geraldo Moura

O PMDB está de olho nas mudanças. Kassab encontrou resistências ao tentar entrar no partido em São Paulo: poderia ser aceito na legenda, mas para ocupar um papel secundário. Como o futuro PDB planeja mais tarde fundir-se com o PSB, o PMDB vê aí uma chance de abrigar os descontentes com a fusão.

Com isso, espera ampliar sua bancada na Câmara, ultrapassando o PT, e aumentando o cacife para negociar cargos no governo Dilma. Tal cacife já não é pequeno.

Na votação do projeto de reajuste do salário mínimo, os peemedebistas mostraram uma lealdade nunca vista, ao contrário do PT, onde houve ausências e dois votos contrários à proposta do governo.

No PT também já houve manifestações sobre os movimentos da Kassab. A senadora Marta Suplicy deu o alerta: onde o atual prefeito de São Paulo estiver ele será sempre um agente de Serra. Afinal, foi vice prefeito de Serra a quem substituiu.  E Serra jogou tudo na sua reeleição.

(Geraldo Moura – jornalista formado pela UFMG em 1973, com passagens pelo Diário de Minas e O Globo, em Belo Horizonte; O Globo, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo, em Brasília. Integrou a equipe do ex-ministro da Fazenda e ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, entre 1993 e 2002).

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