No aeroporto, o lixo fora de controle

O leitor que por acaso for  piloto de avião e tiver  pouso programado para Dores do Indaiá, no Centro-Oeste de Minas, não deve ficar  espantado  se, lá do alto, ao procurar insistentemente no mapa, não conseguir avistar o aeroporto. É bem provável que verá, no lugar dele, espalhado  sobre a pista, algo parecido a um lixão, pura sujeira mesmo, coisa típica de rotineiro e viciado desmazelo das autoridades locais.

Na verdade, Dores do Indaiá expõe sujeira por todos os lados, a céu aberto, que pode ser verificada nas praças públicas, de mesas e bancos quebrados, avenidas, e até na saída da cidade. Recentemente, inaugurou-se lá uma Usina de Beneficiamento e Compostagem de Lixo, avaliada em quase R$ 400 mil. Só que  ela anda meio capenga e, por causa disto, até hoje, o antigo lixão não foi desativado, levando desespero aos moradores próximos que disputam  espaço com urubus, ratos e baratas e  constante nuvens de moscas, entrando até pelas bocas de crianças e adultos.

No adro da matriz, tolerância de culto mórbito

Pior ainda, para que a dita usina entre em pleno funcionamento terão de comprar uma esteira e outros apetrechos cujo custo não estaria longe dos valores totais do projeto. E no caso do piloto acima referido, numa hipótese de ele conseguir romper o lixão na pista , também não deve se espantar, quando, passeando pelo centro da cidade, deparar-se com fantasmagóricos esqueletos de gameleiras destruídas, misteriosamente.

No centro e saída é tudo lixo a céu aberto

Ali, bem no adro da matriz, como se tolerante símbolo  de culto à natureza cruelmente destruída, vai avistar outro tronco de um desses valiosos exemplares mais se assemelhando à palma de uma mão cujos galhos em forma de dedos decepados,  no momento do seu criminoso  sacrifício, pareciam gesticular,  implorando pela vida.

E se o aeronauta decidir  andar mais um pouquinho, ainda poderá contemplar outros seis desses troncos decepados, cinco apenas na famosa Praça Abaeté, como se estrategicamente lá deixados para simbolizar o decadente futuro que espera esta cidade.

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