Verdete: sob esse chão pode ter petróleo e gás

Como vem acontecendo rotineiramente no caso  da gigantesca Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, seguidamente embargada em decorrência  de irregularidades, as prospecções de petróleo e gás, no município de São Gotardo, Alto Paranaíba, Centro-Oeste de Minas, já iniciadas dia 27 de janeiro último, correm graves riscos de serem paralisadas, também por via judicial.

E existem  motivos de sobra, justificáveis para isto. No Distrito de Vila Funchal (Gordura), localidade  toda caracterizada pela formação do terreno rochoso conhecido por “verdete”, empregados da Global Gheofyzical Service, munidos   apenas de uma licença de pesquisa e uma imprudente autorização do prefeito de São Gotardo, estão usando esses documentos como se   instrumentos suficientemente legais para entrar nas fazendas,  sem nem mesmo ter de pedir aos proprietários.

É sabido que não basta apenas essa documentação. Faz-se necessário ainda a apresentação de todos os registros perante o DNPM , obediência às  normas da Agência Nacional de Petróleo, bem como a finalidade das pesquisas, os métodos a serem empregados e o nome do responsável, no caso de algum dano ambiental.

Em função de estarem ocorrendo problemas, pela sonegação de tais documentos, a associação dos moradores de Vila Funchal, que engloba cerca de 70 pequenos, médios e grandes donos de terra locais, por intermédios do seu presidente e vice, respectivamente, Vinicius de Carvalho e sua mãe Leninha de Carvalho, fizeram queixa, dia 06 último junto à ANP que, prontamente, em menos de três dias, interferiu no caso, enviando a São  Gotardo dois agentes para verificação dos fatos. Ontem, dia 9, eles já se achavam hospedados na cidade. Neste momento, podem estar reunidos com os  representantes legais da associação de Vila Funchal (este site estará  de plantão para divulgar, até hoje mesmo,  o resultado  das negociações).

CONFLITO PODE SER DECIDIDO NA JUSTIÇA

A vice-presidente informou que já procurou as autoridades do Batalhão da Polícia Militar, expondo toda a situação. Ano passado, por causa do  clima de instabilidade provocado pelos métodos não convencionais adotados pela firma Amazon Mining, fez-se uma reunião na igrejinha da vila, devidamente resguardada por quatro policiais.

De maneira considerada imprudente, o prefeito de São Gotardo, Edson Cezário de Oliveira, concedeu autorização à empresa Global  destinada às pesquisas na área rural. Ao chegarem a Vila Funchal e fazendas próximas, os funcionários da firma, vendo-se  proibidos de entrar, alegam que tal impedimento contraria a permissão do chefe do executivo municipal, preocupado com o sucesso futuro dos investimentos na região.

A resposta de dona Leninha: “digam ao sr. prefeito que, no caso de minha  propriedade, eu a comprei e paguei com o suor do meu sacrifício. Aqui, enquanto eu for dona, vocês só entram através de documentação legal. Não quero complicações e nem brigar com ninguém. Apenas desejo o cumprimento da ordem legal. Além disto, minha responsabilidade aumentou de tamanho visto ser, juntamente com meu filho, responsável pela  associação de Vila Funchal, que tem dezenas de afiliados proprietários de terra.

Esta situação ocorre num momento em que os donos de terra da vila estão muito chateados com o prefeito, que deixou ao completo abandono as estradas vicinais, à ponto de ficar quase impossível o tráfego. Os próprios usuários têm se mobilizado, na tentativa de evitar o completo isolamento. Ainda assim, as condições de tráfego são críticas, levando constantes perigos aos motoristas.

O rítmo acelerado destas pesquisas, que levam empregados da Gheofyzical a entrar sem permissão nas fazendas e sem apresentar os   documentos necessários, pode gerar novo clima de conflito na vila. Como se não bastasse, ontem de manhã, o gerente regional da Amazon Mining, advogado Ricardo Murari telefonou ao presidente da associação, Vinicius de Carvalho, solicitando um encontro para negociações visando novas pesquisas, sobre potássio,  nas fazendas próximas e   na de propriedade deste líder classista.

Certamente, que a empreitada não será nada fácil a Murari. Ano passado, diante de idênticos obstáculos criados por Leninha, impedindo levantamentos em seus 100 alqueires de terra, Ricardo esnobou as atitudes da bonita fazendeira, também advogada e ambientalista.  E tal e qual a velha fábula da raposa e as uvas, sem ter conseguido lograr êxito nas tentativas, lançou  sombras suspeitando de outros possíveis   interesses dela nas negociações. E em atitude de menosprezo ainda declarou,  até mesmo a este site, que sua empresa não tinha  o menor interesse nas terras da ruralista.

Assim, quando o jovem Murari, de 30 anos, for sentar-se  à mesa de negociações, tendo dona Leninha frente a  frente,  terá de levar muito mais que um buquê de flores, como forma de retratação e pedido de desculpas. Se verá forçado a apresentar um calhamaço de documentos, na tentativa de convencê-la.    E caso não convença, a ele só restará entrar na Justiça. Qualquer que for o resultado, a decisão virá de encontro aos anseios da ruralista, que assim conclui: “é que, na forma da lei, a Amazon será obrigada a realizar suas pesquisas orientando-se única e  plenamente   na obediência   às normas que regem o assunto”.

Novos conflitos em Vila Funchal

Como se vê, a tarefa do gerente  Murari exigirá muita fineza e diplomacia, mas, certamente,  a natureza  sairá ganhando.

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