Com o anúncio de uma espantosa safra de 480 milhões de toneladas de cana ,  inauguração de mais 29 fábricas de grande porte, neste presente ano, e  já ocupando a liderança na produção de biocombustíves , o Brasil  está perto de feitos históricos semelhantes aos conseguidos pelos portugueses , há mais de cinco séculos. Os lusitanos, muito antes de Cabral  avistar o Monte Pascoal,  já eram pioneiros na criação de agroindústrias  e na introdução de  açúcar nos principais centros econômicos da Europa, dentro de projeto previamente elaborado visando exportação em larga escala.

E se Portugal teve a primazia não apenas de introduzir, mas também de tornar popular, na Europa, um adoçante de sabor universalmente aceito, até então um  produto valioso e raríssimo ao alcance somente  propecia sterility das classes abastadas, cabe agora  ao  nosso país  a honrosa missão de colocar um ponto final   às apreensões pessimistas quanto ao futuro das reservas de petróleo.

Estamos diante da sonhada oportunidade de podermos disponibilizar, em pauta de escala plaanetária, os estoques nascentes de fontes renováveis e inesgotáveis  de biocombustíveis, tendo o etanol na  linha de frente. Some-se a isto, o que não é pouco, a condição natural de importância estratégica  que a região passa a  assumir.

Num futuro que nos parece próximo, os olhos do mundo estarão voltados para  este lado do Atlântico num processo de profundas alterações no cenário econômico mundial. Não obstante, é bom que se diga, à bem da verdade e do pleno dever de justiça, que expectativas tão favoráveis  no setor alcooleiro não podem ser interpretadas como resultantes de um projeto “made in Brazil” ou simplesmente de uma conquista  exclusiva da inteligência , do esforço e da per´severança nacional.

Tudo começou mesmo foi em Portugal. O infante Dom Henrique, “o navegador”(1396-1460), visto, no seu próprio tempo, como figura  lendária à frente  dos empreendimentos marítimos, entraria também para a história como o patrono do projeto  de açúcar  em larga escala, na ilha da Madeira, visando o abastecimento global. Em 1452 houve grande produção e, em 1480, cerca de 100 navios transportaram açúcar das ilhas Madeira, Cabo Verde e São Tomé.

Portanto, conforme estamos vendo,  o que se pratica, hoje, na área de plantio e na indústria do nosso país, são adaptações e ajustes de necessidades contemporâneas à uma experiência muitas vezes secular, de cunho lusitano, desde que Martim Afonso de Sousa, com a permissão do monarca Dom João III, plantou as primeiras mudas (1532)  em terras da futura capitania de São Vicente [São Paulo].

Artigo publicado no Estado de Minas e Folha Alto Paranaíba em Maio de 2008.

Cana-de-açucar:
Infante Dom Henrique – Pioneiro empreendedor no cultivo de cana-de-açucar
Ilustração de moagem de cana
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Imagem do Infante Dom Henrique
Praça em Portugal
Ilustração do manuseio da cana-de-açucar
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