Rio Paranaíba quer integrar o mapa nacional de maior produtora de cenoura

Um Grupo de seis agricultores   de Rio Paranaíba,  município maior produtor  de cenoura do Alto Paranaíba, entrou em contato com o  Centroesteurgente para falar dos seus planos de  transferir para lá o evento FENACEN – Festa Nacional da Cenoura celebrada, há 20 anos, em São Gotardo, cidade vizinha que, no entendimento deles, vem mantendo  a  primazia  das comemorações  de maneira injusta  como se fosse a maior produtora da  raiz  quando, na verdade,  não   joga na terra uma semente sequer da cultivar.

Para o referido grupo, apesar de o maior produtor de cenoura  de RP residir em São Gotardo  não dá nenhum direito a esta cidade de fazer a festa. Avaliam ser muito grave a ausência de  notoriedade nacional do seu município em torno da riquíssima produtividade, pois lhe acarreta consideráveis prejuízos em investimentos públicos e privados. Deixam claro que  “a fama nacional de maior produtora centrada em São Gotardo  é uma apropriação indébita  de quem  não  mais dispõe  de referência  no plantio”.

Em tom de guerra, declaram: “ caso nosso vizinho persista na farsa de realizar a FENACEN, que o faça, mas nós vamos criar nossa própria festa, pois temos a legitimidade do sentimento  nativista inspirado na grande produção “in loco”, inclusive, buscando outro nome, se necessário for. E nossos políticos precisam deixar de ser bundões  e se mexerem,  pois  só lembram de RP na hora das eleições”….

Questionados se desejam a transferência imediata do evento  para  sua cidade responderam que não sabem se terão tempo hábil  para a iniciativa  muito embora estejam convictos de que a festa  não tem de ser obrigatoriamente voltada para shows de artistas cujos custos são caros. “Além disso, os  preços da cenoura e afins têm sido  aquém da realidade, presentemente, impedindo iniciativas promocionais, mas sabemos que o mesmo problema financeiro será enfrentado esse ano por nossos vizinhos”, dizem eles acrescentando: “não há dúvida de que o evento anual perdeu o sentido em São Gotardo onde é explorado apenas por “promoters” em busca de lucratividade em torno de shows artísticos. Aqui em   Rio Paranaíba a festa se abrigará em sentimento nativista e, por isso mesmo, não terá de centrar-se somente em atrações artísticas”.

Os seis agricultores, que preferem não divulgar os nomes, se orgulham de já terem  no município uma universidade federal e o melhor carnaval de rua da região. “A festa da cenoura se somará ao nosso calendário para  atrair mais visitantes”, prometem. 

Um dos representantes do grupo faz questão de deixar claro: “esse negócio de se achar que trazer a Fenacen para RP vai contrariar a família Sekita não passa de babaquice para empurrar com a barriga nosso dever de cidadania. Queiram ou não os Sekita  terão de continuar plantando em nosso município ou acabarão desgastados, caso não colaborem. Também nossos  políticos   precisam deixar de ter “saco mole”.

 

A celeuma em torno da disputa entre as duas cidades  começou no dia 8 de janeiro    deste ano, num domingo,  quando a vereadora são-gotardense Denise Alves, inexplicavelmente, teve a infeliz ideia de publicar no Face Book uma homenagem ao seu município com o título de capital nacional da cenoura , ilustrando a matéria com   falsas  fotografias  tiradas em outras regiões produtoras.  A inverdade da homenagem mexeu com os brios de RP que imediatamente reagiu em gritos de protesto. Logo em seguida, no dia 14, o Centroesteurgente colocou no ar ampla reportagem demonstrando cabalmente a improcedência do título.  É verdade que a população de SG acreditava na versão, pois sempre foi iludida pelos colonos japoneses e políticos locais, como no caso da vereadora  Denise Alves.

As quatro áreas do PADAP:
Rio Paranaíba =  60,8 %
Campos Altos  =  23 %
São Gotardo    =  10  %
…………. Ibiá  =     6,2  %

São Gotardo  e Rio Paranaíba fazem  parte do bem-sucedido Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba – PADAP, implantado na região, em 1973, pelo governo Médici, dentro do qual possuem  áreas respectivas  de 10 %  e  60,8 %. Os municípios de Ibiá e Campos Altos também integram o programa   com   6,2 % e 23 % de terras. O que não se pode negar é que o pioneirismo do plantio da leguminosa se deu em SG, em 1988, por intermédio dos colonos Pedro Takigami, Odair Mussi e Luiz Kawazaki, mas isso teve pouca duração.  Logo em seguida, Rio Paranaíba assumiria a liderança no cultivo da raiz  em sua área 600% maior que a do  vizinho. O espaço de 10 % pertencente  a SG dedica-se hoje ao cultivo de café, soja, milho, frutas, além da pecuária.

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