Diretor para assuntos econômicos da Verde Fertilizantes, Milson Mundinho, na audiência pública do dia 27

Tudo está a indicar que o acalentado sonho da Verde Fertilizantes de botar as mãos em seis bilhões de reais  para investimento no seu suposto projeto de exploração de potássio na região do Verdete, em São Gotardo e Matutina, no centro-oeste mineiro, se encontra em estado moribundo e terminal, após três anos de muita polêmica

Dados de Ferrari mostram incapacitação técnica da Verde Fertilizantes

A firma acaba de ser metralhada  e derrubada em pleno voo por denúncias gravíssimas do geólogo Pedro Gervásio Ferrari para quem  ela, de forma dolosa,  cometeu ilegalidades incontáveis, em efeito  cascata, na apresentação do Relatório de Impacto Ambiental-RIMA sobre as jazidas de potássio do verdete.

Sem capitais próprios para tocar o projeto  a firma contava com o apoio dos dois municípios, oficializado em documento, para viabilizar recursos junto ao BNDS e Banco Mundial, mas isso constitui, agora, possibilidade  tão  remota  e difícil quanto ganhar  um prêmio da Mega Sena.

Com a súbita guinada do processo sendo transferido para a área do  Ministério Público, por causa de atos suspeitíssimos, ela, simplesmente, como qualquer  firma ou cidadão dependente do atestado de bons antecedentes,  já  vê sendo fechadas as portas de  acesso aos bilionários recursos das instituições financeiras.

Mas o inferno astral não parece ainda terminado para os diretores executivos da empresa. Novas denúncias gravíssimas, desta vez em grande profusão, são trazidas por Pedro Gervásio como se última pá de cal  para sepultar seus mirabolantes  sonhos , agora, transformados em pesadelos, de botar as mãos na fabulosa grana de seis bilhões de reais.

Em detalhado documento elaborado, neste final de semana,  para servir de subsídio ao Ministério Público de São Gotardo, caso seja de interesse do promotor Cleber Couto, o geólogo Ferrari, 76 anos, apresenta uma sequência de outras  irregularidades contra o Projeto Cerrado Verde, agora, acusado por ele de ter escondido e até omitido, no Relatório de Impacto Ambiental  – RIMA , importantes trabalhos  de análises químicas realizados pelo CETEM E UFRJ bem como outros  publicados pela EMBRAPA e USP cujos resultados  evidenciam aspectos nada favoráveis à empresa.

Resultado da audência foi como se um tiro no pé. A Verde Fertilizantes não deu as respostas esperadas e logo vieram as denúncias contra ela

O empreendimento, fragilmente ou nem um pouco amparado  em fundamentos técnicos e científicos, não consegue sair do paredão onde agora é metralhado por intenso fogo cerrado.  Seu  grosseiro  e mal intencionado relatório ambiental  vem sendo ridicularizado e sarcasticamente classificado pelo geólogo Pedro Gervásio Ferrari como se um verdadeiro pacote de mentiras e  enganação  e de cujo conteúdo só tem a beleza da capa. Na edição de hoje, em capítulo especial de seis laudas, abaixo, Ferrari, vai demonstrar, através de uma sequência infindável de irregularidades, os motivos pelos quais ele afirma que  a única coisa a ser aproveitada nesse RIMA é mesmo a bela capa.

Entre várias acusações de irregularidades e ilegalidades praticadas pela  firma caracterizada por  reveladores  sinais de incapacitação técnica e  ausência de idoneidade ante  empreendimento de tamanha envergadura,  o leitor verá  também que Ferrari  cita o fato gravíssimo de o RIMA, no meio sócio-econômico-cultural, não contemplar os sistemas de abastecimento de água das urbes nas áreas do projeto e Áreas Diretamente Afetadas -ADAS, locais de coleta de água bruta, tipo de captação, nome do curso de água, localização em mapa, análises químicas de qualidades de água bruta e tratada.

Como consequência desta torrente de denúncias, para muitas pessoas entrevistadas, o Projeto Cerrado Verde de  São Gotardo se encontra  moribundo, em fase terminal e sem qualquer credibilidade, pois, no presente momento,  passa a depender dos resultados das investigações do Ministério Público comandadas pelo promotor Cleber Couto. Em se confirmando  as denúncias de Gervásio Ferrari, a empresa passa a viver problemas na área do Judiciário e sem idoneidade para conseguir o devido aval direcionado  ao  BNDS e Banco Mundial.

Questionamentos técnicos e científicos foram elaborados por Gervásio Ferrari e encaminhados à diretoria executiva do Projeto Cerrado Verde que não conseguiu respondê-los

Em matéria recente, ainda em destaque no link do Centroesteurgente  sob o título “Potássio do Indaiá: Geólogo Desvenda  as Mentiras do Projeto Cerrado Verde”,  denunciadora de infrações gravíssimas ao meio ambiente, também foram apresentadas a empresa sete questões de ordem técnica e  científica sobre o projeto e sua  suposta tecnologia de separação do potássio da rocha verdete. Mas tal como ocorrido a outros questionários, ela não teve como respondê-las, por não estar capacitada  tecnicamente  e sem jamais ter tido um plano científico para exploração de potássio no verdete..

Mesmo antes das perguntas serem apresentadas à Verde Fertilizantes, Gervásio Ferrari  já antevia  que elas não seriam respondidas , pois qualquer tentativa nesse sentido equivaleria ao próprio atestado de óbito do Projeto Cerrado Verde.

PARQUE DE EXPOSIÇÕES, O

GRANDE CIRCO ARMADO

Por mais que se tente esconder e até mesmo esquecer, a noite do  dia 27 de novembro de 2012 vai figurar  como data   de um dos capítulos mais constrangedores da história de São Gotardo, no Alto Paranaíba, centro-oeste de Minas. Neste dia, toda população representada por um público de mais de 800 pessoas lotou o auditório do Parque de Exposições sem saber que iria aplaudir ininterruptamente  uma das mais burlescas  encenações teatrais, espécie de arapuca cujo objetivo era  utilizar da boa-fé dessa   massa presente mirando   aprovação oficial de documento destinado a busca de  empréstimos estimados  em seis bilhões de reais, do Banco Mundial  e BNDS,  a terem como beneficiária a empresa Verde Fertilizantes  dona de  um projeto sem pé e nem cabeça, mas cheio de interesses escusos e  obscuros.

Moradores de duas cidades compareceram em massa, mais de 800 pessoas, mas só viu promessas, muita pirotecnia e nenhuma resposta sobre questões graves ao meio ambiente

Ninguém escapou do vexame da manipulação, pois  o sedutor palco valorizado pela presença  de ilustres figuras da sociedade local foi erguido com a ajuda de importantes atores coadjuvantes, residentes na cidade, motivo pelo qual as autoridades constituídas, comerciantes, fazendeiros, jovens na expectativa  de emprego, imprensa em geral, enfim, um público constituído de 800 pessoas em idade média de 35 anos acabou sendo manipulado como se num teatro de marionetes,  por representantes da empresa Verde Fertilizantes.

Cleber Couto já determinou análise minuciosa do RIMA e do EIA da Verde Fertilizantes, através de uma equipe de peritos do Ministério Público composta de geólogos

Em cerimônia de muita pompa  caracterizada pela sofisticação técnica, muito discurso em favor do empreendimento , ônibus de graça para a população de dois municípios, distribuição farta de pão de queijo,  biscoito de polvilho acompanhados de café e refrescos variados, a Verde Fertilizantes –  ao invés  de dar  respostas sucintas aos questionamentos graves em torno do seu projeto  – aproveitou-se  do momento de hipnose coletiva  para apresentar  ao povo de São Gotardo e Matutina um  Relatório de Impacto Ambiental – RIMA  impregnado de irregularidades gravíssimas, coisas não condizentes com uma empresa idônea e comprometida com o bem estar de  uma sociedade.

É importante destacar que a Verde Fertilizantes no afã de valorizar as jazidas de potássio nunca economizou nos índices de teor do minério na rocha verdete, mesmo sabendo da existência, nos arquivos bibliográficos, da percentagem registrada, há décadas, em torno de 7,8 %.

Sobre o teor de potássio no verdete a firma começou com um valor de 15% a 25%, caiu para 12% a 15%, depois para 10% e atualmente advoga 9% de óxido de potássio. No relatório de impacto ambiental (RIMA) apresenta o teor de óxido de potássio no verdete de 8% a 11% e valor médio de 9,87%.

Toda essa falácia pode ser resumida da seguinte maneira: o índice de potássio, para efeito de exploração real no verdete, é de apenas 5,74 % e o óxido de potássio, 6,91 %.

PALAVRA DE QUEM CONHECE

O VERDETE DO INDAIÁ

Fosse Ferrari um homem vaidoso poderia até mesmo acrescentar ao seu currículo  o mérito  de ser um  dos descobridores das jazidas de potássio nos maciços de verdete do Rio Indaiá, pois  os primeiros registros do mineral se deram na expedição da qual ele era um dos membros, na década de 1970.  Trata-se de assunto do qual  pode opinar, de cadeira, tal seu envolvimento nele, durante anos a fio. Vejamos a história que ele mesmo conta:

“Na década de 1970, em solidariedade a um colega de universidade com problema de saúde executei o mapeamento geológico da área “Folha Serra da Saudade” onde entrei em contato com a rocha verdete. Naquele tempo, uma pesquisa mineral sigilosa (urânio, sem sucesso) executava sondagem na região do Alto Paranaíba, atingindo a profundidade de 250 metros.

– E foi quando um componente da equipe alertou sobre a possibilidade do verdete conter potássio. Após decidir-se pela pesquisa, foi realizada a análise química do verdete que acusou teor de 7,8% de óxido de potássio. Em função do baixo índice registrado estudou-se a possibilidade de sua utilização “in natura” , mas mostrou-se inviável, devido sua pouca  solubilidade.

Pleno conhecedor do teor de potássio na rocha verdete, o geólogo sempre desconfiou dos índices apresentados pela equipe do Projeto Cerrado Verde

– Algum tempo depois consegui, como especialista em petrografia microscópica, com extrema dificuldade, identificar o mineral portador de potássio como do grupo das argilas esmectíticas de nome ilita. Este mineral é insolúvel aos processos intempéricos e, portanto, impróprio ao uso como fertilizante “in natura”. A rocha, apelidada de verdete, foi por mim classificada como um Argilito Síltico com variações para Ritmito Argilo-síltico.

E Pedro Gervásio assim finaliza:  “meu professor, o renomado geólogo Manoel Teixeira da Costa  realizou teste no verdete na tentativa de extrair o potássio da ilita, no laboratório da Indústria Klabin, onde era consultor técnico. Produziu um “biscoito” a 1500 graus Celsius, às semelhanças ao da cerâmica branca para azulejo e peças sanitárias. Entretanto,  após a moagem apresentou baixíssima solubilidade do potássio. Concluiu por não haver processo economicamente viável de extração do potássio da ilita do verdete. O tempo passou e a esperança continuou sempre viva de aparecer, repentinamente, um pesquisador capaz de conseguir tal proeza.”

     QUAIS  OS VALORES REAIS DO

    TEOR DE ÓXIDO DE POTÁSSIO E A    

           PERCENTAGEM TEÓRICA

      DE POTÁSSIO NO VERDETE?

No longo texto, abaixo, de seis laudas,  Pedro Gervásio Ferrari deixa sua contribuição ao Ministério Público de São Gotardo caso se queira aproveitá-la como novos subsídios técnicos e científicos para servirem de orientação à equipe de peritos composta de geólogos nas análises  minuciosas determinadas pelo promotor de São Gotardo, Cleber Couto,  em relação aos  documentos da Verde Fertilizantes, respectivamente, o Relatório de Impacto Ambiental – RIMA e o EIA – Estudos de Impacto Ambiental.

Em matéria anterior, o leitor  viu  uma série de denúncias graves. Na edição de hoje,  terá oportunidade de verificar que a empresa, além de mostrar sinais claros de  incapacitação técnica,  ainda  deixa suspeitas  comprometedoras de ter agido também dolosamente para ocultar aspectos técnicos existentes em relatórios de conceituadas instituições ligadas ao setor, de suma importância,  de forma a proporcionar a legalização dos seus interesses escusos. Sem ter as mínimas condições de ordem financeira e técnica para encampar projeto de tamanha envergadura, a pergunta que fica no ar a ser respondida pela Verde Fertilizantes não poderia ser outra: o que  ela  está pretendendo nos maciços de verdete?

Por se tratarem de avaliações  destinadas ao corpo técnico de peritos  o leitor deve ter um pouco de paciência durante a leitura, pois as denúncias vão sendo explanadas em meio a dados  especificamente enquadrados na  área científica:

“Para responder à pergunta SOBRE OS TEORES DE POTÁSSIO NO VERDETE é necessário reportar às análises efetuadas a pedido e patrocínio da Amazon Mining pelo CETEM,RJ (Centro de Tecnologia Mineral) e pelo  INSTITUTO DE QUÍMICA da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicados com os titulos: “VERDETE DO CEDRO DE ABAETÉ (MG) COMO UMA FONTE ALTERNATIVA DE POTÁSSIO” por Pizza, P.A.T. e outros /CETEM,RJ e ”CARACTERIZAÇÃO DO  VERDETE DE ABAETÉ PARA A SÍNTESE DE UM TERMOFOSFATO POTÁSSICO” por Bertolino, L.C/CETEM/UFRJ.  Salienta-se que a Verde Fertilizantes  nunca apresentou estas análises, e sim as escondeu. Os teores de óxido de potássio em sete amostras de verdete são: 6,68%; 7,31%, 6,78%; 6,63%; 6,86%; 6,09% e 7,33%. A média aritmética dá: 6,91% o teor de óxido de potássio no verdete. Este é o teor a ser considerado em possível lavra do verdete.

E qual é a percentagem teórica de potássio no verdete? Para responder, são necessárias algumas considerações. Assim, quando se analisa quimicamente uma rocha multimineral os componentes são expressos percentualmente em óxidos (conteúdo de oxigênio) o que não acontece quando um mineral é desprovido de oxigênio. Por exemplo, o cloreto de potássio Silvita (KCl) que é o principal mineral de potássio tanto pelo seu elevado teor quanto pela solubilidade  maior do que 95%. Assim, sua composição química é K(Potássio)= 57% e Cl(Cloro)= 47%. Na rocha verdete além de K²O(óxido de potássio), foram dosados: SiO²(óxido de silicio), Al²O³(óxido de alumínio), Fe²O³(óxido férrico), CaO(óxido de cálcio), MgO(óxido de magnésio), Na²O(óxido de sódio), P²O5(fosfato=óxido de fósforo) e outros. Considerando o teor médio de óxido de potássio em 6,91% calcula-se sua percentagem teórica de potássio do seguinte modo:

Peso Atômico            Proporção Atômica               Peso Atômico do K²O

K=(potássio) 39.1                  2 ( 2 x 39.1= 78.2)       78.2+16= 94.2

O (oxigênio)= 16                   1 ( 1 x 16= 16)

Assim em:      94.2  tem  78100% tem      x           x= 78.2 x 100/94.2= 83,1% . Este valor é a percentagem de potássio no óxido de potássio, e 16,9% de oxigênio no mesmo composto. Multiplicando-se o teor médio de óxido potássio no verdete de 6,91% por 83,1% obtém-se 5,74%. Este valor é a percentagem teórica de potássio no verdete que, em geral, aproxima-se do real e, portanto, em uma tonelada de verdete tem-se por volta de 57,4 quilos de potássio. O restante, 942 quilos compõe o estéril e é formado pelos compostos acima referidos. Assim, para uma tonelada de potássio com teor teórico de 5,74% são necessários vinte toneladas de verdete, isto é, relação de 20 para 1. Por outro lado, ao se tentar produzir o impossível de se obter o cloreto de potássio a partir do óxido de potássio seriam necessárias dez (10) toneladas de verdete para alcançar 574 quilos de potássio que é a quantidade contida em uma(1) tonelada do mineral de cloreto de potássio que é a SILVITA (KCl), acima referida. O mineral natural Silvita é formado em salinas junto com o cloreto de sódio que é o sal de cozinha. NÃO EXISTE ATÉ HOJE NO MUNDO PROCESSO INDUSTRIAL DE FORMAÇÃO DO MINERAL SILVITA. O descobridor do processo registrará imediatamente a patente e consequentemente será um bilionário financeiramente.

Estes dados, na possibilidade de um dia ser descoberto o processo de extração do potássio da ilita contida no verdete, servirão de base aos cálculos das quantidades necessárias tanto para a produção industrial quanto a destinada ao bota-fora. Salienta-se que o RIMA não apresenta nenhum desses dados devido, provavelmente, a extrema dificuldade desses cálculos. É importante, também frisar que tem gente interessada no processo de extração do potássio da ilita, principalmente, em Illinois,USA, onde o mineral foi descrito pela primeira vez, em folhelhos de ocorrência em vastíssima área, na sua famosa universidade e, por justa razão recebeu o nome da cidade.

ANÁLISE DO RIMA

Conceito: O Rima nesta fase do processo mineral tem por escopo retratar o quadro ambiental dos meios físico, biótico e sócio-econômico-cultural encontrado quando do inicio dos trabalhos de pesquisa para confrontá-lo com os possíveis impactos ambientais a serem provocados pela atividade mineral. É neste conceito a análise do relatório.

1 – Ponto Positivo: A apresentação, com bonita capa.

2 – Pontos Negativos:

3 – Introdução

3a – Não citam os dados cadastrais da FVS Mineração que responde por oito (8) das dez (10) áreas requeridas do presente projeto.

3b – O mapa dos requerimentos de pesquisa está em coordenadas UTM contrariando o DNPM, portanto, deveria conter as coordenadas geográficas (latitude e longitude) associadas ao mesmo mapa.

3c – Não cita a dimensão total das dez áreas requeridas.

3d – O mapa dos requerimentos de pesquisa não exibe a área poligonal demarcada pelos seus vértices numerados em ordem crescente (de 1 a …x) nas direções norte/sul e leste/oeste, no sentido horário, com suas respectivas coordenadas geográficas (não se aceita UTM) e distâncias em metros de vértice a vértice. Os dez pedidos de pesquisa encontram-se dentro de um total de mais de cem áreas requeridas conforme citadas dentro do RIMA que, totalizam, aproximadamente, 1.900.000 hectares que cobrem uma área de 1.900 km² que corresponde a um retângulo de 95km por 20km de lado. A falta das informações acima citadas e a não apresentação de um mapa contendo unicamente as áreas do presente projeto sugere, que com a simples mudança do nome da substância do pedido de pesquisa permitido pelo DNPM, a sua utilização do presente RIMA para todas as áreas requeridas. É evidente que cabe aqui ação judicial ambiental.

3e – Não citam as Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) da empresa e dos técnicos diplomados envolvidos no RIMA.

3f – Os mapas não obedecem às mesmas escalas para facilitar a superposição e, embora, em coordenadas UTM pecam pela falta das coordenadas geográficas associadas.

3g – É totalmente dispensável a exaustiva relação de leis, decretos, resoluções, portarias, deliberações e instruções normáticas editadas pelos órgãos das esferas municipal, estadual e federal que balizam a elaboração do RIMA e, portanto, não precisa de citação no texto. E, por que desta intrusão no texto? Ora, com o objetivo de utilizá-los para justificar a não realização de certos trabalhos, que caracteriza a tentativa malévola de esconder procedimentos escusos.

4 – Bibliografia

4a – Constitui falha lamentável da confecção do relatório por incluir inúmeras obras cientificas não citadas no decorrer do texto. Erudição, deixa na biblioteca.

4b – Erro gravíssimo (ou proposital) não citar os trabalhos  de análises químicas do verdete encomendados e patrocinados pela Amazon Mining realisados pelo CETEM e UFRJ. Também, não citam os trabalhos sobre o verdete publicados pela Embrapa e USP. Acentua-se que estes trabalhos evidenciam alguns aspectos não favoráveis ao projeto verdete. SALIENTA-SE, QUE OS REFERIDOS TRABALHOS FORAM RETIRADOS EM 3/12/2012 DE CIRCULACÃO DA WEB, ENTRETANTO, TENHO-OS EM MEU COMPUTADOR. Esta ação reflete o comportamento mesquinho dos “elementos” dessa caravana que ronda o território mineiro.

5 – Meios Físico, Biótico e Sócio-econômico-cultural

NESTES ITENS FALTAM:

MEIO FÍSICO

5a – Mapa geológico geral; mapa geológico de detalhe dos locais das possíveis lavras de verdete; secções geológicas verticais; descrições das unidades rochosas das entidades geológicas ocorrentes nas áreas do projeto e ADAs; descrições dos (Logs) dos furos de sondagem; secções geológicas verticais dos furos de sondagem e uma secção mostrando a geologia entre os furos; mapa com os locais dos furos com coordenadas geográficas e a altitude da boca do furo.

5b – Descrições dos processos erosivos predominantes e das áreas de risco geotécnico; caracterizações do grau de susceptibilidade à erosão das diferentes unidades rochosas e as causas de assoreamento da rede de drenagem.

5c – Descrições das unidades geomorfológicas, tipos de relevo e drenagem. Mapas de uso e ocupação do solo e de vegetação confeccionados em conjunto pelos profissionais dos meios físico e biótico.

5d – Não citam análises composicionais químicas do verdete e de qualidade de água da rede hídrica. Como salientado acima, as análises do verdete foram realizadas pelo CETEM e UFRJ. A falta de análise da qualidade de água constitui fato gravíssimo na avaliação ambiental da área.

5e – Descrições dos tipos de aquíferos; estimativa da vazão d’água das nascentes; descrição e grau da intensidade da cobertura vegetal das áreas da nascente e da recarga do aquífero.

6 – MEIO BIÓTICO

O Rima desta fase não necessita de realização de estudo profundo do meio biótico, entretanto, deve contemplar as espécies bióticas da área do projeto e ADAs através de levantamento indireto junto à população  urbana e agrícola. Em caso de ocorrência de espécie em extinção e/ou em vias de extinção é necessário o estudo mais aprimorado. Infelizmente, nada apresentam.

7 -MEIO SÓCIO-ECONÔMICO-CULTURAL

7a – Não contemplam os sistemas de abastecimento de água das urbes das áreas do projeto e ADAs, locais de coleta de água bruta, tipo de captação, nome do curso de água, localização em mapa, análises químicas de qualidades de água bruta e tratada.

7b – Não contemplam os sistemas e os locais de lançamento de esgoto e dos lixos doméstico e hospitalar das urbes da área do projeto e ADAs.

7c – Não contempla o plano da possibilidade de isolamento (cercamento) da futura mina em relação ao sistema viário e caminhos de tropeiros, que gozam de garantia em lei de continuarem abertos.

7d – Não exibem documentário fotográfico (com data e hora das fotos) descritivo da alteração paisagística e/ou impactos ambientais impostos pela etapa da pesquisa até a data de elaboração do RIMA.

7e – Não registra nenhuma informação técnica desde a lavra até o processamento industrial de interesse da área ambiental.

PLANTA INDUSTRIAL

A inexistência mundial do processo de extração de cloreto de potássio a partir do óxido de potássio obrigou a Verde Fertilizantes, logicamente, à não apresentação, no  RIMA, do registro da patente no INPI. A exigência para o registro de uma patente é cercada de fundamentos técnicos científicos irredutíveis e, não receita de bolo como a apresentada no RIMA.

A apresentação da planta industrial, quando existe, é sempre realizada no relatório de lavra. Sua apresentação neste Rima é notável para sanar a enorme curiosidade que desperta a receita do bolo de potássio. Para tanto, são necessários alguns esclarecimentos. A rocha verdete concentra todo o seu riquíssimo teor em óxido de potássio (6,74%) no mineral ilita. Assim, é só dela e somente dela que se pode um dia extrair o potássio. E o que é óxido de potássio (K²O)? Em primeiro lugar, para evitar discussão vazia, não existe mineral natural ou artificial de óxido de potássio. É importante salientar que uma pergunta, entre outras levadas pelo jornalista Wolney Garcia à reunião da AP, solicitava exatamente algumas características do óxido de potássio: cor, cheiro, adstringência, dureza, brilho, estado da matéria (sólido, líquido ou gasoso), densidade, solubilidade, clivagem, partição, propriedade elétrica, magnetismo e grau de fusibilidade. Por que será que não responderam? Provavelmente, eu acho que é segredo para não fortalecer a concorrência. Por outro lado, é evidente que estão tentando incutir na cabeça da população, via repetição, à existência do óxido de potássio, às semelhanças com propaganda comercial de produto através da mídia.

Vejamos a seguir o processo industrial de produção do nada a partir de coisa nenhuma.

Verdete + calcinação + sais de cloreto (principalmente cloreto alcalino) + lixiviação do cloreto de potássio + cristalização seletiva do produto por evaporação.  Observa-se que na mistura da receita acima a falta das quantidades dos ingredientes, entretanto, o importante é o sal de cloreto que pode ser “PRINCIPALMENTE CLORETO ALCALINO”, isto é, pode ser cloreto de sódio o nosso sal de cozinha e, coloque-o a gosto, pois não cita a quantidade a ser usada.   Pronto. Está obtido artificialmente pela primeira vez no mundo o bolo salgado de potássio. Coincidência ou não, por curiosidade vamos comparar a receita acima com os dos processos patenteados do cimento Portland e da cerâmica branca (pisos, azulejos e peças sanitárias). É extremamente interessante a comparação dos constituintes desses dois processos com o do verdete.

Cimento Portland: calcário+ argila (caulínica e illítica)+moagem a 250 mesh+ forno com temperatura de 1500 graus Celsius=clinquer+lixiviação +moagem+gipsita (2,5% de CaSO4.2H²O que é um sulfato hidratado de cálcio)+moagem= cimento

Cerâmica branca: argila (caulim e/ou ilita com baixo teor de ferro)+sílica livre (quartzo=grão de areia)+fundente que é o feldspato, um mineral silicático contendo potássio+forno com temperatura de 1500 graus Celsius=biscoito+ moagem+adição de água+moldagem do produto final+ queima para cerâmica vitrificada.

As análises petrográficas microscópicas efetuadas no verdete pelo CETEM e UFRJ (op. sic) evidenciam sua composição mineralógica; minerais argilosos (ilita, caulinita e argilas não determinadas), sílica livre (grãos de quartzo=areia) e raros grãos de feldspato, mica branca (moscovita/sericita) e mica descolorida (vermiculita). Comparando a composição mineralógica do verdete com os dois processos acima, pergunta-se: Que produto sairá? É interessante salientar que o mineral feldspato (ortoclásio, microclina e sanidina) é utilizado como fundente na cerâmica branca para agir como um cimento para unir os insumos utilizados e, o mais curioso e surpreendente fato, é conter óxido de potássio em sua composição química até duas e meia vezes maior que o verdete. A diferença principal entre a ilita e o feldspato é a baixa solubilidade do segundo e a insolubilidade da primeira aos processos naturais intempéricos.

Um relatório de um processo patenteado apresentaria as os seguintes registros: relação de quantidade verdete/calcário; tipo, capacidade, eficiência, produtos destinados ao descarte, composições químicas dos estéreis durante o processo, volume gerado do produto e do estéril na etapa de queima (forno, qual tipo?); qual tipo de sal? Cita que é um cloreto alcalino (os cloretos alcalinos mais conhecidos são: de potássio e de sódio (sal de cozinha); quantidade de utilização; a análise química da água após lixiviação, tipo de condução à bacia de deposição, eficiência operacional, se a lixiviação é a céu aberto ou em recinto fechado para definir o destino dos gases; se o processo de cristalização é a céu aberto ou em recinto fechado, a eficiência do processo, volume do material de descarte se sólido, líquido ou gasoso e o veículo e local final de destino; análise química, solubilidade do produto (?) final. Resumindo: Se nada foi registrado é por que nada sabem. E o pior é a tentativa de ludibriar a opinião pública utilizando de processos patenteados de produtos totalmente diferentes.

CONCLUSÃO

O RIMA não retrata o panorama ambiental da área do projeto e ADAs encontrado quando do inicio dos trabalhos de pesquisa. Não fornece os elementos indispensáveis à análise ambiental da área para serem confrontados com os impactos advindos da implantação da atividade mineral. A população afetada e diretamente afetada diante da gravidade do problema deve proceder à elaboração de documento solicitando  adequações que se fazem necessárias para atender seus anseios de implantação de projeto ambientalmente sustentável, para ser enviado ao departamento ambiental da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais.

wolneyagarcia@yahoo.com.br

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