O pastor evangélico Claudinei Martins


Isolada economicamente em região montanhosa, não obstante muito próxima de municípios em franco desenvolvimento, Dores do Indaiá, no Alto São Francisco, vem padecendo, a olhos  vistos,  dos sintomas de implacável decadência. Em 1950, tinha 18.441 habitantes. No ano de 2.010, assustadora regressão: 13.778. Em 60 anos, ao invés de triplicar a população, perdeu 5 mil habitantes. Ano passado, a projeção do IBGE praticamente não alterou o terrível declínio. Já na vizinha cidade de Luz, em 1950, o quadro era de 13.327 moradores. Em 2.010, o índice demográfico acusou elevação de quase 4 mil. Os números se inverteram. Caso nada seja feito, Dores se transforma numa localidade fantasma, acompanhando o mesmo estágio de vegetação do seu antigo distrito, hoje, município de Serra da Saudade. A corrupção permeia solta, desenfreada, seguindo a cultura do roubo escancarado. O antigo e majestoso prédio da Cadeia Pública (foto), depois sede da Prefeitura, em estilo neoclássico, pode estar vivenciando o ocaso de sua existência. Corre riscos de desabar. O telhado se encontra esburacado e há vazamentos de goteiras por todo os cantos, ameaçando sua estrutura, além do mau cheiro ocasionado pela sujeira de milhares de pombos que lá se abrigam. A magnífica edificação simboliza a fase áurea e efervescente da então “Princesinha do Oeste”. Por fora e por dentro, Dores vai sendo corroída pelas falcatruas. Em mentirosos poemas, cidadãos hipócritas declamam a “cidade amada”, mas nunca levantam a voz por ela.

Em resposta a questionamentos feitos pela editoria do Centroesteurgente sobre as nomeações dos secretários municipais dos Esportes e Assistência Social, respectivamente, Cleomar Martins e seu irmão pastor evangélico Claudinei Martins, porque, segundo denúncias, eles são  credores de dívidas pessoais do atual prefeito Ronaldo Costa,  “Ronaldinho”, o presidente da Câmara Municipal de Dores do Indaiá, Leonardo Diógenes Coelho, “Leo Bombril”, respondeu que enviou requerimento ao mandatário pedindo esclarecimentos justificativos de sua decisão para só então tomar as providências, caso se façam   necessárias.

O vereador descarta nossa pergunta de pedir intervenção do Ministério Público para investigar os fatos e também não vê indícios de nepotismo por parte do prefeito favorecendo a filha de um deles.    Não obstante, é  possível constatar-se que o  chefe do executivo  pode ser acusado, sim, de ter coonestado e referendado uma operação desse péssimo hábito em Dores quando, após as eleições municipais, criou um cargo na Diretoria de Licitações para a filha do  secretário e pastor evangélico Claudinei Martins, figurando, assim, como  partícipe de um ato de nepotismo. Assim, com o pleno apoio do governante, o referido assessor  brindou sua filha com um cargo mais destacado e de melhor salário,no órgão municipal. Comenta-se, inclusive, que Ronaldinho foi pressionado pela dupla de irmãos credores a ceder pela nomeação.

Cleomar, sócio de Claudinei

Na verdade, outras duas servidoras diretamente ligadas a vereadores de Dores do Indaiá são concursadas na Prefeitura, mas também exercem cargos excepcionais de confiança criados para elas com melhores remunerações. Uma delas é a própria irmã do vereador Leo Bombril e, a outra,  esposa do seu colega José Marinho Zica, “Zé Roia”, ex-presidente da Casa por duas vezes. Seus holerites acrescidos de valores maiores em postos superiores compõem a folha de pagamento da Prefeitura.

Daiane, filha de Claudinei

Não se discute a competência profissional das referidas servidoras, mas não resta dúvida de que todas as três citadas como beneficiárias de salários mais altos se enquadram nos privilegiados critérios políticos. Resumindo, na Prefeitura existiriam outras funcionárias também eficientes a serem promovidas , mas nenhuma com as recomendações especiais de irmã do presidente da Câmara, Leo Bombril, do ex-presidente “Zé Roia” e do secretário municipal e pastor evangélico Claudinei Martins.

Entre os 550 funcionários do quadro administrativo municipal, a maioria ganhando salário mínimo, não mais se esconde o descontentamento e decepções contra o prefeito de Dores do Indaiá a quem acusam de não lhes ter concedido um tostão sequer de aumento salarial. E não deixam de ter razão quando se verifica que existem privilégios especiais a uma minoria em detrimento da maioria. Muitos servidores escreveram a esse site manifestando claro descontentamento com o prefeito que reelegeram sob promessas de transparência e competência. . E citam também o abusivo caso do vice-prefeito Tarley Santos acusado de ter abandonado seu posto no qual deveria receber R$ 1.700,00 por um salário de R$ 4.900,00 na pasta da Agricultura. Secretaria, enfim,  que nunca existiu na prática. Seria esta uma entre tantas provas de que o executivo municipal vem priorizando interesses políticos pessoais.

Dentro de  plano minuciosamente centrado em obras de asfaltamento marcadas por desvios de verbas, a política dorense traçou estratégias para eleição, na Câmara, somente de candidatos comprometidos com o status quo vigente no poder executivo. Resultado: não existe oposição em Dores do Indaiá. Os nove escolhidos pelo povo rezam na cartilha do prefeito. O vereador reeleito José Oldack sintetiza momentos dos maiores escândalos financeiros na história do município nos quais sua ex-esposa,, e ele próprio, estiveram no epicentro dos acontecimentos.

No dia 11 deste mês ora se encerrando, este site publicou matéria de ampla repercussão no Alto São Francisco e Alto Paranaíba em que o prefeito Ronaldinho era acusado de tramar uma operação de lavagem de dinheiro com recursos oficiais como forma de pagamento de dívidas pessoais à dupla de irmãos, o pastor Claudinei Martins e Cleomar Martins, patrocinadores de sua campanha de reeleição. Sem recursos próprios para quitar  os débitos, ele teria concordado em nomear Claudinei e Cleomar para titulares das secretarias de Assistência Social e Esportes, além de criar um emprego para a filha de Claudinei junto à Diretoria de Licitações. Os salários dos três engrossariam valores a serem abatidos, mensalmente, nas pendências. Ou seja, Ronaldinho transferia aos cofres públicos o pagamento de suas dívidas pessoais. Recursos saindo  líquidos e transparentes do órgão municipal emprestando legitimidade a uma operação  de lavagem de dinheiro.

Entre as várias perguntas enviadas pela editoria deste site ao presidente da Câmara, órgão encarregado de fiscalizar a atuação do executivo, destaca-se uma em que ele foi questionado por não ter encaminhado as investigações sobre o caso ao Ministério Público local. Em resposta, sugestiva de um longo caminho burocrático a ser percorrido, ele diz: “ Senhor Jornalista, respeito sua opinião, mas não podemos agir motivados por comoção social ou qualquer outro sentimento parcial. Assim como a justiça tem que ser feita com isenção, nós parlamentares devemos agir com prudência. De que adianta enviar estas ilações ao Ministério Público sem antes apurarmos os fatos? Nos dias atuais impera o julgamento parcial, proferem acusações ácidas e denunciam sem o menor fundamento”.

A resposta de “Bombril” é uma referência direta ao editor do Centroesteurgente.

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