De qualquer maneira, o Hospital Regional de São Gotardo, com pouco mais de 100 leitos, será muito pequeno para atendimento de quase 20 municípios do Alto Paranaíba. Seu projeto, se algum dia levado a cabo, deveria ser reavaliado.

 Hospital Regional de São Gotardo, com pouco mais de 100 leitos, será muito pequeno para atendimento de quase 20 municípios do Alto Paranaíba. Seu projeto, se algum dia levado a cabo, deveria ser reavaliado.

A uma distância de apenas quatro meses do pleito municipal já se podendo ouvir os estampidos de foguetes e as tradicionais promessas de palanque eleitoral, o prefeito petista Seiji Sekita, de São Gotardo, no Alto Paranaíba, reassumiu o compromisso de construir o sonhado Hospital Regional para atendimento de pacientes originários de pelo menos 20 municípios, pelo que   fez o lançamento da pedra fundamental em solenidade realizada dia 20 último. Em 2013, o mandatário prometeu erguer esse hospital com cronograma de inauguração para agosto de 2014, mas até a  data de hoje nunca se viu descarregar um tijolo sequer no local da obra, na Av. Paulo Shimada.

Presentemente, sem dispor nos cofres da CEF de um tostão sequer dos R$ 22 milhões prometidos pelo Governo Dilma, Sekita se arrisca, assim mesmo, a relançar o projeto que, conforme ele mesmo diz, ficará a cargo do futuro prefeito. Verdadeira bomba que poderá explodir nas mãos do novo governante caso assuma a responsabilidade com recursos locais em época   que a Prefeitura mal terá dinheiro para pagar seu quadro administrativo.

Foi um gravíssimo equívoco do mandatário Sekita de relançar o empreendimento faltando tão pouco tempo para as eleições, tornando  inevitáveis as desconfianças de tratar-se apenas de mais uma jogada eleitoreira. Tanto assim que a população não compareceu à festa.

E para disfarçar a ausência do povo decepcionado ante empreendimento que jamais saiu do papel procurou-se dar à solenidade um ar de muita movimentação com estrepitoso e ensurdecedor foguetório cuja fumaça cobriu os céus ali perto da represa do balneário, tudo presenciado sob atentos olhares ressabiados e desconfiados de um público inferior a 100 pessoas, a maioria de servidores municipais, para lá convocados.

De qualquer maneira, quem compareceu teve razão para  ficar com um pé atrás posto que, em plena época de campanha eleitoral visando renovação também na Câmara Federal e Estatual, os deputados Reginaldo Lopes e Cristiano Silveira, intermediários do projeto junto aos órgãos oficiais, não compareceram à solenidade, como seria natural, para desfrutarem dos privilégios de receber cumprimentos e apertos de mãos de agradecidos eleitores. A ausência deles foi interpretada como se um mau presságio de que a cidade está, novamente, predestinada a assistir mais uma encenação teatral de palanque eleitoreiro.

Conforme relata o site SG Agora, Seiji Sekita, ainda na dúvida se candidata à reeleição, declarou que a obra deverá ser iniciada a partir de janeiro sob administração do futuro prefeito, com dois anos e meio para conclusão. Prazo longo demais para um projeto que já deveria estar inaugurada, conforme ele prometeu.

É aí que se encontra o busílis da questão. Estando o Governo Federal completamente quebrado, não existindo um tostão sequer depositado na CEF da verba de R$ 22 milhões contratada junto ao Ministério da Saúde, o futuro prefeito, caso não receba o dinheiro para o referido projeto, e mesmo assim se aventure em tocar a obra com os minguados trocados dos cofres locais, estará cometendo um suicídio que levará o município ao colapso.

Ninguém seria tão idiota assim de dar prosseguimento a um empreendimento, momentaneamente inviável, para atendimento a pressões políticas. Sekita, se tiver feito isso apenas para se fazer passar como benemérito lançador do empreendimento, estará cometendo um ato de incivilidade. Recentemente, Dilma Rousseff, sem ter nenhum tostão em caixa e certa de que seria afastada, rancorosa e vingativamente, assinou medidas provisórias de obras, por exemplo, para construção no futuro governo de 11 mil moradias do Minha Casa Minha Vida. . Temer, quando assumiu o posto, não foi idiota. A primeira coisa que fez, corretamente, foi desarmar tais sandices.

Na Prefeitura de São Gotardo, que mal dispõe de dinheiro em caixa para pagar o quadro administrativo, o futuro administrador, salvo se for muito imbecil, não poderá investir um tostão sequer na obra, por se tratar de projeto dependente de recuperação da economia nacional.

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