Em São Gotardo, cidade de quase 40 mil habitantes, a família Sekita tornou-se muito influente desde que lá chegou nos anos 70 dentro do projeto do Governo Federal de entregar mais de 60 mil hectares de terra aos colonos de origem japonesa, na tentativa de alavancar o progresso no cerrado do Alto Paranaíba. Hoje poderosamente econômica, a família tem suas atividades centradas no agronegócio, proprietária de milhares de hectares de terra nas quais planta alho, cebola e cenoura, entre outras variedades que, ultimamente, vêm batendo seguidos recordes em matéria de lucratividade.

Pela sua importância no agronegócios, os Sekita, inevitavelmente, acabaram se enveredando também pelas searas da política. Três irmãos do grupo Sekita exercem postos de relevância em São Gotardo. Seiji Sekita é o atual prefeito, Tamil é presidente do importante sindicato rural local e Makoto Sekita é sócio majoritário da fortíssima Sekita Agronegócios. Nada mais justo que eles continuem bem-sucedidos levando o progresso ao Alto Paranaíba. É nesse sentido que as populações de lá torcem por eles.

Entretanto, não deixa de ser um tanto quanto estranho e questionável o fato de que esse trio, de maneira persistente, venha tentando estender seus domínios na política, pelo que se utilizam de todo o empenho na mira de não deixa-los escapar ao seucontrole.

Neste dia 19, durante reunião na empresa Sparta Diesel, para escolha do futuro candidato petista a prefeito, lá estavam os três empenhadamente usando do poder de mando conquistado em quase 50 anos de atividades na região. Entretanto, não chegaram a um acordo e até houve desentendimento entre Makoto e Seiji, pois este queria um postulante de sua escolha pessoal. Que foi prontamente recusada pelo mano. Não se sabe se o desentendimento foi em nome dos interesses legítimos da cidade ou de suas prioridades particulares. 

Na tentativa de achar uma solução, Makoto se deu o luxo de perguntar ao ex-prefeito Edson Cezário, que ali comparecia de maneira extemporânea e inoportuna, se ele era candidato. Diante da resposta do político de que estava impedido juridicamente, Makoto logo o descartou, de maneira entendida como ríspida.

Fica claro, assim, que seus interesses particulares estão diretamente associados ao processo eleitoral. E os três agem a um só tempo nos projetos políticos, pelos quais demonstram sinais de insistência Não obstante, aquilo que se encaixa nos seus propósitos pode não ser bom para o município. Pelo menos foi o que aconteceu à Seji, atual governante. O que foi muito bom para ele tornou-se altamente lesivo a São Gotardo. Não à toa Seiji vem sendo avaliado como o pior administrador público da história local. Mesmo assim, apesar de tanta desmoralização, os três irmãos se mostram agarrados às seduções do poder.

Diante de tamanho repúdio, a melhor alternativa aos Sekitas seria a não interferência deles no processo eleitoral, permitindo que a população caminhe com as próprias pernas. Tais interesses não se coadunam com os do município e Seiji se encarregou de provar. Interesses empresariais sempre serão conflitantes às prioridades de uma administração pública. São Gotardo retrocedeu, ética e moralmente, nos mandatos de Paulo Uejo e Seiji. Além de que a cidade não precisa de um protetorado.

Nos seus planos de garantir o poder em todas as frentes, é de se registar que, há poucos dias, o sr. Makoto, juntamente com Sekita, percorreu as ruas da cidade, alicerçando a hipótese de se tornar candidato. Mas a rejeição ao irmão é tão grande que o fez desistir do projeto. Só  que em política sabem-se lá como as coisas funcionam. Olha-se para o céu a nuvem tem um formato. Olha-se novamente e ela já mudou de figura. O dia de manhã em política é sempre imprevisível.

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