Oldack Pinto: perda de credibilidade e confiança

Oldack Pinto: perda de credibilidade e confiança

O servidor público Wagner Ribeiro, o “Wagner Boquinha”, 54 anos, um humilde e honesto cidadão cumpridor dos seus deveres no exercício da função de boy na Prefeitura de Dores do Indaiá, no Alto São Francisco, jamais poderia se imaginar, algum dia, transformado em instrumento de ardilosa trama criminosa. Sim, pois isso aconteceu, de fato, e ele, ingenuamente, foi usado por funcionários superiores na mira de roubos descarados aos cofres públicos de sua cidade e até mesmo apropriação indébita de grandes somas em dinheiro destinadas ao pagamento de salários dos seus colegas. 

De qualquer maneira, numa verdadeira reviravolta provando  que o castigo sempre vem a cavalo, pois o dia de amanhã só a Deus pertence, o mesmo “Boquinha” se veria alçado ao implacável papel de algoz dos próprios vilões que, maldosamente, ousaram aproveitar-se de sua boa-fé, entre eles, a tesoureira-chefe do município, Nilma Carla Gomes Pinto.

Em recentes depoimentos prestados ao promotor Ângelo Ansanelli  Junior, no Forum deste município, Ribeiro fez revelações tão surpreendentes quanto contundentes, confirmando a participação dela em desfalques praticados contra os cofres públicos. Ele afirma ter entregue à tesoureira, bem como ao marido vereador José Oldack Pinto, por diversas vezes, dentro de envelopes fechados com clipes, grandes somas em dinheiro originárias de cheques da prefeitura, sacadas no Banco do Brasil, atendendo suas orientações.

As declarações do servidor desmentem, de vez, as versões de Oldack Pinto de que não sabia de nada sobre a participação de sua mulher no escandaloso caso de desfalque gerador de prejuízos ao erário, estimados em R$ 3 milhões. Ele não apenas sabia como também recebia, em mãos, os envelopes com dinheiro vivo diretamente na sede do Indaiá Clube onde, há mais de 30 anos,  trabalha como administrador.

“Boquinha” informou que, repetidas vezes, pegou cheques no Instituto de Previdência Social de Dores do Indaiá, assinados pela presidente Terezinha Alvin,  e por ele mesmo sacados no Banco do Brasil após serem endossados pelo prefeito Joaquim Ferreira e a própria tesoureira Nilma Carla. Logo em seguida, ela o esperava nas proximidades da agência e recebia o dinheiro dentro de envelopes. De outra feita, o servidor  entregava  os envelopes contendo valores (sempre somas estimadas entre R$ 2 e R$ 4 mil) diretamente ao vereador José Oldack Pinto, na sede do Indaiá Clube, na avenida Francisco Campos.

Amigo íntimo do ex-prefeito Joaquim Ferreira da Cruz (acusado nas quatro CPIs  contra ele por enriquecimento ilícito) em favor do qual liderou uma bem-sucedida operação de apoio visando impedir a reprovação de suas contas referentes ao último dos três mandatos, Oldack se encontra, agora, em  situação insustentável na própria Câmara onde seus colegas terão de conviver com ele sob a constrangedora visão de réu  enquadrado nos crimes contra o erário público.

Sem mais poder merecer confiança da sociedade, como agente público comprovadamente envolvido  em corrupção, seria  inadmissível sua permanência  no posto, embora disponha do apoio da maioria dos colegas. Ele terá, obrigatoriamente, de ser cassado, tal como o deputado Natan Donadan, caso não renuncie ao cargo. Faz-se necessário esclarecer que, a partir de agora, o voto tem de ser manifesto em plenário, publicamente, e quem se posicionar favorável à sua continuidade terá de dizer isto perante a sociedade  e estará,  implicitamente, concordando com a prática de apropriação indébita de dinheiro do povo. 

Ronaldinho: desafiando o partido e a sociedade

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Avaliando as declarações do servidor Wagner Ribeiro pode-se concluir que o esquema planejado por Nilma Carla, também com grande participação criminosa de sua colega Neide Oliveira, mereceu os devidos cuidados no intuito de ser executado sempre fora da prefeitura longe dos olhos do quadro administrativo. Logo após sacar o dinheiro, “Boquinha”  o entregava a Nilma já o esperando dentro de um carro, nas proximidades do Banco do Brasil. De outras vezes, o boy levava os envelopes contendo os valores diretamente à sede do Indaiá Clube onde José Oldack trabalha.

A cidade de Dores do Indaiá, ultimamente, vive momentos conturbados em sua vida político administrativa.  O próprio prefeito Ronaldo Costa, “Ronaldinho”, do PT, através do qual  se instaurou uma sindicância para investigação dos desfalques no tesouro municipal, está igualmente envolvido em rumoroso caso de favorecimento à sua esposa Luciene de Oliveira. Por causa disto, já se questiona até sua credibilidade na condução do processo.

É de se considerar que grande parte dos desvios de recursos públicos, certamente, teriam sido evitados caso o mandatário, ao assumir o comando, tivesse afastado da tesouraria as funcionárias Nilma Carla e Neide Oliveira, pessoas da estrita confiança do corrompido Joaquim Ferreira, contra quem foram instauradas quatro CPIs.

Sem sequer residir em Dores do Indaiá, de cuja localidade ela afirma não gostar, Luciene foi brindada com o cargo de secretária municipal de Assistência Social, praticando minguados serviços, semana sim, semana não, pelo qual recebe R$ 3.820,00, não se incluindo nele os custos referentes aos encargos sociais. Dentro deste raciocínio, ano passado, ela só trabalhou seis meses, mas recebeu seu salário, integralmente. A cúpula local do PT já se manifestou, terminantemente, contra a permanência dela, mas, por esses motivos  sempre inexplicáveis na vida política, Ronaldinho também se negou, decididamente, entregar o cargo.

 

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