Há algo mais que infunde medo nos  companheiros de crimes do senador Aécio Neves réu em oito inquéritos no STF. É sabido e notório que ele, caso se deixe seduzir pelos benefícios da delação premiada, disporia de material inesgotável para implodir os alicerces da República. Além disso, existem boatos de possíveis ameaças suas de que possui dossiês incriminadores da companheirada que tomou de assalto a Praça dos Três Poderes. Portanto, continuará tendo mais serventia vivo do que morto e soa falso dizer-se que estaria moralmente arrasado pelos acontecimentos e desejoso de cometer suicídio. 

Nos meios políticos e jurídicos tem-se como certo que, caso vier a ser preso, se mostrará pouco afeito a dividir o exíguo e sombrio espaço de uma cela com outros colegas situados no andar de baixo da escada social. Habituado às luxúrias de uma vida aristocrática de play boy nos recônditos faustosos das noitadas cariocas ele jogaria a toalha já nos primeiros dias do seu recolhimento ao sistema carcerário, buscando os privilégios da delação. Isso explica porque vem prevalecendo o espírito corporativo daqueles que lhe dão cobertura, conseguindo obstar os pedidos de prisão contra ele.

Nesta quarta feira, o senador poderá se constituir em ator principal de um dos momentos mais constrangedores do Judiciário e da história de Minas, Estado onde se originou de família aristocrática consolidada nos meios políticos. Nesse dia, será julgado em plenário a confirmação ou não do seu afastamento do mandato eletivo e as medidas cautelares para prisão de parlamentares.

Em tom de represália, o Senado já advertiu a Corte Maior que, caso seja mantida a decisão anterior da Primeira Câmara punindo o político mineiro, irá atualizar o Código Penal para processar pedidos de impeachment contra seus ministros. Bem ao estilo bateu levou!. As duas instituições vivenciam clima de guerra declarada! Perdeu-se o respeito que simboliza a independência entre os poderes. E paira no ar a insegurança de que os interesses do submundo se sobrepõem aos da nação. O senado Investe contra o STF tal como narcotraficantes quando em ação para livrar capangas da cadeia.

Sobre a inexplicável influência de Aécio no Supremo ela não encontra limites. Usufrui da cumplicidade total de Gilmar Mendes e Marco Aurélio, seus “Quinta Colunas” no plenário. Assim, por conta de tais minudências, esse mineiro neto de Tancredo Neves conta com a solidariedade forçada das instituições mais importantes, apesar de se transformar em fardo pesado demais para ser carregado. O próprio Gilmar Mendes lhe continuará serviçal por não mais ter como se furtar do jogo sujo.

Nesse sentido, a sugestão aos amigos leitores é a de torcerem pelo aprofundamento da crise. Seus efeitos serão decisivos para se desnudar a podridão que empesteia os poderes constituídos. Resumindo, torcer para que o Supremo não se comporte como o lacaio de sempre e mantenha a decisão de punir Aécio com seu afastamento e o recolhimento domiciliar.

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