Ontem, no Rio, cenas de violência que vão se repetir

Ontem, no Rio, cenas de violência que vão se repetir

O presente quadro político do país se assemelha ao cenário assustador de uma barcaça à deriva em alto mar, repleta de gente, ameaçada de se partir em pedaços sob o estrepitoso choque de ondas revoltas ou arremessada contra afiadas pontas de cachopos. As chances de ela não ir a pique sempre vão depender do seu timoneiro que, nestas horas, tem de ser dotado, entre tantas virtudes, de nervos de aço, ostentar-se da absoluta confiança dos tripulantes e conhecedor instintivo das rotas por ele praticadas, além de calejado em freqüentes superações de borrascas.

Sem esses dotes adquiridos no acúmulo de experiências consagradas, certamente, pilotar uma embarcação em mares agitados não pode ser tarefa para qualquer um. O leme acaba se transformando em arma suicida e a nau estará fadada a soçobrar virada por ondas bravias ou rompendo o casco nos cachopos, levando também a tripulação para o fundo.

Embora tais exemplos aqui expressados tenham sentido figurativo claro está que nenhuma atividade, seja ela sob chancela oficial ou de iniciativa privada,jamais logrará êxito sem a contribuição daqueles cujos desempenhos levam a marca dos verdadeiros timoneiros.

Militares combatendo manifestantes com tochas de gás

Militares combatendo manifestantes com tochas de gás

Mas nesse ponto, há tempos, o país vem se dando muito mal, sim, senhor. Pior ainda, nestes momentos já prenunciando inequívocos e perigosos sinais de prolongadas tormentas não se vislumbra no horizonte sequer um postulante a cargo, entre quase  200 milhões de cidadãos, em condições de empunhar o leme para conduzir o barco a bom ancoradouro.

Os nomes ora anunciados para esta missão de gravíssimos riscos são os mesmos rostos de sempre, ingredientes de um corriqueiro panelaço com tempero do PT apenas trazendo o fato inédito de que, pela primeira vez na história de um pleito eleitoral, em todo o mundo, duas mulheres poderão se digladiar no segundo turno.  Para se ver que não mais se faz homens como antigamente. Mas os candidatos são insipientes e nenhum consegue impactar como liderança emergente capaz de enfrentar os graves problemas sociais.

O país se encontra em estado de perplexidade, os nervos à flor da pele.  E neste 15 de outubro, dia dos professores, o povo, novamente,  se fez violento nas ruas. No mesmo dia, notícias de roubos descarados envolvendo 12 prefeitos de Goiás surrupiando verbas de remédios para os pobres. Anualmente, R$ 80 bilhões desaparecem na corrupção e apenas migalhas para a educação, saúde e segurança.

A sociedade submeteu-se ao império do crime, a Justiça se cala, as instituições não funcionam, o país estaqueou-se, os índices de emprego só despencando. É assim onde quer que se vá. A população entregue à própria sorte. Em Taboão da Serra (SP) já um caso explícito de impaciência: oito ônibus foram queimados por ter faltado água nas residências. Dia 15 último,  registrou-se, no Rio,  a primeira ocorrência de manifestante ferido por dois disparos.

A imprensa submissa minimiza as responsabilidades do Estado e incrimina os vândalos, baderneiros, mas omite que o vandalismo não tem espaço onde inexistem crises sociais. É certo que a realidade presente vai muito além do vandalismo… Só está faltando a fagulha em hora e lugar errado para tudo  explodir.

Presença do povo foi maciça, no Rio. Quase 100 mil pessoas

Presença do povo foi maciça, no Rio. Quase 100 mil pessoas

O presidente da AMM, em entrevista ao jornalista Carlos Barroso, no programa Cena Política da TV BH News, denuncia que os 853 municípios mineiros estão literalmente quebrados e que seus prefeitos não passariam de meros executores das políticas assistenciais do Governo Federal. Não sobra dinheiro para outros investimentos. E que já está sendo marcada a data para protestos contra a União detentora de injustos 70 % dos recursos arrecadados. Seu desabafo deixa claros recados de iminente sublevação.

Mesmo assim, pelas pesquisas de hoje, Roussef abocanharia fácil a cadeira. Por um motivo: ruim por ruim o eleitor optaria por deixar tudo como está. Contudo, não existisse a excrescência abominável do voto obrigatório as próximas eleições seriam caracterizadas pelo menosprezo da sociedade.  Haveria o maior índice de abstenção, de toda a história..

Dilma e Marina Silva são criaturas do governo Lula ao qual serviram como ministras. Silva, uma amotinada, abandonou o barco do PT do qual foi fundadora e tentou em vão armar o seu, terminando por se abrigar na fragata de Eduardo Campos, também ex-ministro do PT.  Enfim, todos de uma mesma liga. E some-se mais uma  agravante. Nenhum deles parece conhecer o terreno minado onde pisa. Importa apenas a ascensão ao poder.

Mas situação delicada mesmo é a do PSDB vivendo crise existencial marcada por uma briga sem tréguas entre Aécio e Serra, pela cabeça de chapa. O que se pode esperar dessa disputa intestina? Nos dias de hoje, os dois perderiam as eleições ainda no primeiro turno, segundo a Vox Populi. Mas Aécio também tem o cheiro do PT.  Seu último governo se deu pelo pacto “Lulécio” e a eleição do seu afilhado,  pelo acordo “Dilmasia.

É quase humilhante o nível de decadência a que chegou a política nacional. As principais unidades da federação, São Paulo, Minas e Rio, já não conseguem trazer à luz sequer uma liderança.

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