Os milhares de toneladas de cenoura produzidos no Alto Paranaíba e distribuídos diariamente nos principais centros consumidores do país não levam o carimbo de procedência da agricultura de São Gotardo. E nem poderia, pois, pasme-se, esta cidade que se arvora do badalado título de “capital nacional da cenoura” está muito aquém de fazer jus à pomposa deferência. Sua participação no processo de cultivo da raiz é hoje tão insignificante e inexpressiva na região que, há anos, a variedade mal integra a planilha de plantio. Tais riquezas fabulosas são originárias, isto sim, da pujante e sofisticada agricultura de Rio Paranaíba cidade de 20 mil habitantes, fronteiriça a São Gotardo, que passou a deter 99 % da produção dessa leguminosa. Por se tratar de município privilegiado de área rural geograficamente plana, de fácil mecanização, viu-se contemplado com 60,8 % de participação no Padap (600 % mais que as terras de SG   usuária de apenas 10 %), carreando para lá todo o cultivo da variedade, além de campeã em produtividade de alho, batata e cebola, entre outros.  Não há dúvida, se existe na região uma capital nacional da cenoura ela está sediada em Rio Paranaíba.

Com muita razão, os moradores desta cidade se queixam de “como é possível rolar no noticiário engalopação de tamanha magnitude, atribuindo a SG um título não merecido”. Com certeza, a falsa honraria atende exclusivamente a interesses comerciais e politiqueiros, iludindo até mesmo seus moradores que, honesta e de boa-fé, se orgulham do galardão tal como lhes é passado. Na verdade, em termos de tapeação, o povo de São Gotardo, já de longa data,  vem sendo vítima  dos seus políticos …!

Fazem parte também do Padap as cidades de Campos Altos com área de 23 %, mais que o dobro de São Gotardo, e Ibiá, 6,2 %, todas se confrontando. Trata-se de projeto do Governo Federal que não deveria ser pensado separadamente de maneira individualista e excludente, referendando-se-se uma região produtora com benevolência falseada em detrimento de outra.

Há muito tempo     que Rio Paranaíba se destaca no mapa produtivo de alimentos básicos, mas pouca gente sabe disso, passando-se a impressão, pela ostensiva propaganda,  que São Gotardo é a capital regional das riquezas. Torna-se necessário buscar uma fórmula para se fazer justiça à cidade por sua maior representatividade. De qualquer maneira, os quatro municípios, em maior ou menor grau, fazem parte da bem sucedida implantação do Padap. Enfim, todos  produzem riquezas em alimentos sagrados à mesa dos brasileiros! O que não se  pode e nem se deve é compactuar com inverdades.

Ninguém melhor para confirmar a realidade dos dados, acima, que a própria família Sekita, do prefeito de São Gotardo, Seiji Sekita, maior produtora de cenoura, alho, batata e cebola de Rio Paranaíba, irrigados sob os mesmos pivôs! A restrita área de São Gotardo, representativa de apenas 10 % no Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba – PADAP, é utilizada quase exclusivamente no cultivo de café, soja, milho e a pecuária, mal atendendo tais finalidades ali no Distrito de Guarda dos Ferreiros e proximidades do Rio Abaeté.Por tais razões, a cenoura deixou de ter importância na agricultura são-gotardense.

A área restante do município se estende pelos lados montanhosos da Serra da Mata da Corda e Rio Indaiá, caracterizada pelo solo de verdete (torrões esverdeados) de pouca ou nenhuma produtividade e difícil mecanização. Presentemente, nem mesmo se pode afirmar a existência de pivôs destinados   ao plantio de cenoura no Distrito de Guarda dos Ferreiros e bandas do Rio Abaeté, únicas áreas planas nas quais poderia  ser cultivada mecanicamente.

As quatro áreas do PADAP:
Rio Paranaíba =  60,8 %
Campos Altos  =  23 %
São Gotardo    =  10  %
…………. Ibiá  =     6,2  %

Por volta de 1988, São Gotardo produziu, pioneiramente, através dos  colonos Pedro Takigami, Odair Mussi e Luiz Kawazaki, em pivôs alugados a Seiji Sekita,  sua primeira e humilde safra de cenoura na região de Capelinha do Abaeté, implantando a cultura desse gênero no município.  Depois disso, Rio Paranaíba, nas mãos da família Sekita, assumiu a liderança do plantio  e São Gotardo ficou à margem do processo produtivo…

O certo mesmo é que a FENACEN – Feira Nacional da Cenoura, com concurso anual de rainha do evento, foi inteligentemente criada em São Gotardo para justificar o título de capital nacional da cenoura e vem sendo comemorada com sucesso no Parque de Exposições local. Mas não deixa de ser constrangedor o fato de um município  com participação inexpressiva no cultivo de cenoura  se valer do título de capital do produto  sem o menor acanhamento de negar a Rio Paranaíba    seu legítimo direito à honraria. Com toda certeza, não é culpa dos moradores locais cuja maioria desconhece a realidade.

SÃO GOTARDO,  A CAPITAL DA TAPEAÇÃO

No último domingo, a vereadora são-gotardense Denise Alves, provavelmente agindo de boa fé, se utilizou do Face Book para, orgulhosamente, enaltecer sua cidade como se a “capital nacional da cenoura”, pelo que recebeu um número incontável de clicadas e comentários de aplauso por parte dos conterrâneos orgulhosos do feito. Ela ainda exibiu muitas fotos ilustrativas do cultivo de cenoura que, com toda certeza, nem mesmo foram tiradas em São Gotardo. As cenas devem ter sido fotografadas em Rio Paranaíba ou em qualquer outro centro produtor ou mesmo extraídas dos arquivos do Google. .

Passados 45 anos da implantação do Padap no Alto Paranaíba a conclusão a que se chega é que São Gotardo recebeu apenas as rebarbas progressistas do empreendimento. Ali se instalaram os colonos de família japonesas, além de comerciantes e profissionais liberais de diversas procedências movimentando atividades diversas que, como ocorre em Dores do Indaiá, Tiros, Matutina, Quartel Geral e Serra da Saudade, não existiam. Mas não passou disso. Em termos de desenvolvimento representou muito pouco. Houve muita oferta de emprego a peões no campo, mas a cidade tem sido uma negação no aproveitamento de profissionais especializados lançados, todos os anos, no mercado de trabalho.

A super população mal alojada em Guarda dos Ferreiros, originária de diversos estados nordestinos buscando trabalho na zona rural, tornou-se um grave problema social coexistindo em péssimas condições de estrutura urbana, além dos altos índices de violência como jamais se viu por lá.  Sim, são decorrências do projeto agrícola federal cujos executores, os hoje riquíssimos colonos de descendência japonesa, pouco fazem para amenizar a trágica  realidade principalmente no Distrito de Guarda dos Ferreiros. Resumindo, São Gotardo desempenha o papel de cidade dormitório da estrutura de produção agrícola. De madruga, comboios de ônibus partem desta cidade e de Guarda dos Ferreiros, repletos de peões rumo aos campos de Rio Paranaíba.

Fantasmas  na vida  de Paulo Uejo

Das famílias originárias do país do sol nascente surgiram dois políticos, o médico Paulo Uejo e Seiji Sekita, eleitos várias vezes. Suas decepcionantes administrações têm a marca de seguidos escândalos de corrupção. Uejo, condenado a cadeia duas vezes, penas acumuladas de seis anos, além de outro processo em aberto na Justiça Federal de Patos de Minas, por desvio de verbas no Projeto Solar, de casas populares. Entre outras coisas, PU é acusado de ter dispensado o projeto de implantação em SG da Universidade Federal de Viçosa que, nos dias atuais, impulsiona a cidade de Rio Paranaíba rumo a um futuro promissor.

Por sua vez, Sekita teve seu penúltimo mandado permeado de graves acusações de escândalos financeiros na área de saúde onde, em 2013,  levantou-se desvios de verbas públicas estimadas por uma auditória de Araxá em R$ 6 milhões . Se atualizados, os valores superam a casa de 12 milhões. A saúde local se encontra presentemente falida gerando intranquilidade e desesperança aos moradores. A promessa de Seiji de inaugurar um hospital regional em 2014 não  passou de estelionato eleitoral. O canteiro de obras se encontra abandonado.

Sekita, administração questionada.

Além disso, não se sabendo os estranhos motivos, o executivo japonês vem nomeando para principais chefes na área da saúde cidadãos forasteiros, menosprezado escolhas locais. O primeiro foi Manoel Bibiano, prefeito corrupto cassado em Iguatama, que ocasionou gravíssimos prejuízos morais e financeiros à SG. A segunda nomeação é a atual secretária municipal de Saúde, Leandra de Fátima da Silva Castro, figurando na Justiça em quase 10 processos, entre os quais, desvios de dinheiro público. Com certeza, apadrinhamento com cheiro de promiscuidade.

Denúncias silenciosas ora correndo ao pé do ouvido – os médicos não gostam de dar declarações – dão conta de que o município está acometido de espantoso índice de doenças cancerígenas, um dos maiores do país, decorrente do excesso de agrotóxicos nas lavouras. A água da Copasa já foi reprovada por uma engenheira sanitarista. Os motivos: poluição e coliformes fecais causadores de infecções intestinais. A Copasa, desde   a privatização na calada da noite a preço de banana pelo então prefeito Paulo Uejo, vem se transformando em constante dor de cabeça dos moradores.

O leito do histórico Córrego Confusão se encontra ameaçado de secar vitimado pelo uso indiscriminado do solo e devastação na sua cabeceira, além de resíduos tóxicos de venenos carreados para o lago. Um dos acusados desse feito lesivo é o próprio prefeito Seiji Sekita que,certa vez, foi convocado à Câmara Municipal para dar explicações, quando tergiversou: “se todos plantam lá eu também posso plantar!”.

Infeliz resposta de quem, no posto de primeiro cidadão, deveria tomar as medidas preventivas contra danos ambientais.

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