Excelentíssimo senhor General Comandante das Forças Armadas do Brasil, Eduardo Villas Boas! A população inteira testemunha as operações militares do seu Exército no Rio de Janeiro com a finalidade de desalojar dos morros um Estado bandido paralelo sob a tutela dos narcotraficantes. Mas tamanho poder bélico a serviço do crime jamais será vencido pelo sistema de enfrentamento porque as origens do explosivo grau de violência decorrem, entre outras causas, dos graves problemas sociais, presentemente, em limites insuportáveis, além da certeza de impunidade por parte desses agentes delituosos. Eles sabem que, em algum momento, os senhores se desmobilizarão e deixarão aquela unidade federativa entregue a eles. Mais grave ainda, excelência, é a constatação cruel de que, na Praça dos Três Poderes, se pratica, às escancaras, todas as vilanias e torpezas geradoras das misérias e tragédias ora assolando o Rio de Janeiro e os demais Estados. Nesse sentido, se o Exército entende ser necessário intervir na unidade carioca, o mesmo procedimento deveria ser adotado em Brasília onde se abrigam os verdadeiros criminosos que não apenas destroem a nação em hediondos atos de pilhagem, mas também conspiram contra ela, desbragadamente, em projetos políticos de a transformar num gigantesco puxadão de Cuba. As incertezas no futuro, a ausência de probidade, honestidade e ética nos homens que comandam os nossos destinos clamam por medidas profiláticas. Faz-se mister registrar que o Regime Militar, quando se afastou do poder, não deixou ao país sequer um político com visão de estadista capaz de planejar as base de um futuro promissor. Os senhores têm essa dívida a ser resgatada. Faz-se uma revolução para substituir o ruim pelo bom, mas esse objetivo deixou de ser cumprido…

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