DORES DO INDAIÁ/URGENTE – A sociedade dorense precisa ficar atenta e se precaver, sem mais tardar, contra atos de verdadeira velhacaria ora em franco processo de articulação na Câmara Municipal, pela maioria dos seus vereadores, e cujas conseqüências, caso seja bem-sucedida, terão o mesmo significado de retorno às práticas antigas de imoralidade administrativa, hoje, responsáveis, pelo grande atraso e empobrecimento do município.

E veja o leitor se não há razão para tal. Sem apresentarem nenhuma justificativa dos graves prejuízos de ordem moral e financeira a serem causados ao município,  quatro dos nove vereadores, contra três pareceres contrários, propiciaram condições  para que o colega José Oldack Pinto pudesse participar da  legalização de uma grande farsa: aprovar, em sessão plenária cuja data ainda será  marcada, as contas financeiras referentes ao período de 2012  do ex-prefeito Joaquim Ferreira Cruz.

Cruz: protegido por vereadores sem compromisso com o povo

Cruz: protegido por vereadores sem compromisso com o povo

Até aí tudo bem não fosse o vergonhoso propósito nela escondido. O intuito deles  é passar uma borracha nas contas  do ex-mandatário de forma a apagar das denúncias um dos períodos mais escandalosos da história da cidade quando se conseguiu comprovar, através de uma CPI, uma roubalheira sem limites de recursos  financeiros municipais envolvendo a tesoureira Nilma Carla Pinto Coelho e sua auxiliar Neide de Oliveira, geradores de prejuízos atualizados, semana passada, em mais de R$ 4 milhões.  O nome do próprio José Oldack, marido de Nilma, foi incluído no processo, na condição de investigado.

Não obstante, por artes e beneplácitos dos velhos compadrios típicos da política local, decidiu-se que o vereador está apto a participar da sessão plenária destinada a bater  o martelo aprovando as  contas de Joaquim Cruz.

Ressalte-se que  o mesmo Oldack foi um dos 127 cidadãos agraciados com os generosos descontos nos pagamentos de ITBI concedidos pelo então prefeito que, por outro lado, não teve a mesma complacência com o restante da população. Não há quem duvide da grande amizade entre os dois, mas nem isso impediu que o voto do vereador fosse colocado sob suspeição.

A recente decisão na Câmara, por quatro votos a favor de Oldack, contra três, foi resultante de um requerimento apresentado pelo vereador Flávio Pereira Carvalho questionando a legalidade ou não de Oldack opinar sobre as contas do ex-governante, mas  foi vencido assim como os colegas Wilton Felix e Silvio Silva. Em favor de Oldack manifestaram, José Marinho, Leonardo Coelho (Leo Bombril), Osanan Veloso e Vanderlei R. Paulo. Elias Ferry não compareceu.

Pereira Carvalho não conseguiu demover os colegas

Pereira Carvalho não conseguiu demover os colegas

Por ocasião da sessão plenária a ser marcada, Cruz poderá sair de lá inocentado de todos os desmandos em sua administração encerrada em 2012, pois a maioria dos votos virá de sua leal tropa de choque.  Mas se isto ocorrer (e a sociedade não pode deixar) a Câmara não estará referendando apenas o período administrativo de 2012, mas também outras gravíssimas irregularidades denunciadas em cinco CPIs contra ele nos seus 12 anos no comando do município.

Em todas as investigações anteriores contra Cruz, comprovou-se práticas escandalosas de enriquecimento ilícito pessoal e em benefício de secretários municipais, amigos, altos funcionários, cabos eleitorais, primos, filhos e esposa.

À época, Dores do Indaiá foi única cidade do país a possuir uma terceira moeda de compra que chegou a ter aceitação até fora do município: o “vale combustível” pelo qual pessoas da confiança de Joaquim, secretários, funcionários, parentes e filhos, trocavam óleo diesel ou gasolina por produtos de consumo pessoal. Não há na cidade quem não saiba disto.

Não se pode esquecer também que o ex-prefeito, ao passar o cargo, em 2012, deixou a prefeitura completamente falida, com uma dívida superior a R$ 10 milhões.

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