O presidente da Câmara de Vereadores de São Gotardo, no Alto Paranaíba,  Claudionor Anicésio Santos, concedeu entrevista, hoje,  ao Centroesteurgente quando  informou sobre sua decisão tomada de   acionar o Ministério Público desta cidade através de uma Ação Civil Pública já existente   para forçar a firma  Verde Fertilizantes responder  importantíssimas perguntas de aspecto técnico e científico  formuladas pelo renomado geólogo Pedro Gervásio Ferrari que coloca  sob  total suspeição o  projeto dela de exploração de potássio nos maciços do Rio Indaiá.

Presidente da Câmara ainda não rompe com a VF, mas projeto já depende de respostas

Presidente da Câmara ainda não rompe com a VF, mas projeto já depende de respostas

  

 Ferrari   acusa a firma de não ter tecnologia para exploração de potássio e ainda de  ter montado um Relatório de Impacto Ambiental  – RIMA  referente ao projeto coalhado de mentiras e irregularidades gravíssimas com finalidade de enganar instituições financeiras.

Geólogo Ferrari, finalmente, pode ter suas perguntas respondidas, através do Ministério Público

Geólogo Ferrari, finalmente, pode ter suas perguntas respondidas através do Ministério Público

Anicésio Santos esclarece também que a decisão, embora não seja ainda de  condenar o empreendimento, se dá, entre vários motivos,  pelo fato de  ele e os demais vereadores serem responsáveis pela fiscalização dos interesses da sociedade.

No seu entendimento, esta questão vem adquirindo contorno perigosos  com riscos de  acarretar consequências gravíssimas para o município, podendo até ocasionar quebradeira  em efeito cascata  de atividades de grande porte já sendo implantadas  por causa dos sonhos inspirados  nas   promessas da VF, de riquezas e geração de milhares de empregos.

Ao externar, publicamente, suas opiniões e decisões a serem tomadas  em torno do projeto de potássio  ele deixa claro  sua estranheza pelo fato de a VF jamais ter respondido dezenas de importantíssimas perguntas técnicas e científicas feitas a ela, por Ferrari, embora tivesse se comprometido a respondê-las. “São coisas que nós, como cidadãos ou empresários, não podemos nos furtar”, diz ele.

–  Se vamos comprar  fiado temos de mostrar  credibilidade do nosso nome, se vamos participar de uma licitação pública temos de apresentar nossas credenciais atestando capacidade e idoneidade. Assim sendo, achamos que a VF se encontra devendo   em relação a tais requisitos. Certamente, ela se prestará a nos municiar de todos os esclarecimentos necessários, através do MP, dentro da Ação Civil Pública já existente. Então, como se verifica,  não estamos criando processo novo, para complicar as coisas.

 Claudionor justifica que só não tinha ainda tomado um posicionamento por causa da delicada questão política envolvendo a essência do projeto que é de geração de riquezas  e  de milhares de emprego. A  população de São Gotardo está vivendo essa expectativa, motivo pelo qual fica complicado criar obstáculos sepultando sonhos de uma população inteira. Mesmo assim, ele já estuda a hipótese de  contratar, nos próximos dias,  um advogado especializado em meio ambiente, um geólogo e um biólogo, para acompanhamento.

Na opinião do presidente, para uma empresa que se propõe a um investimento sério e idôneo, de tamanha envergadura, envolvendo bilhões de reais, a VF está permitindo dúvidas  gravíssimas em torno dela ao não responder os questionamentos de Gervásio Ferrari, ex-chefe do Departamento de Geologia da CPRM, durante 17 anos, um renomado profissional cujas opiniões não podem ser ignoradas sob pena de se configurar suspeitas de não capacitação técnica ou de “jogadas” escusas.

E atira: “a Verde Fertilizantes jamais nos enviou um representante do seu alto escalão em cujas informações  sobre o empreendimento pudéssemos  fundamentar conceitos de seriedade e idoneidade.  Não  estamos aqui anunciando  um rompimento com a empresa ante nossa intenção de procurar o Ministério Público. Muito pelo contrário, em sendo  ela, de fato, uma firma séria, fará questão, certamente, de atestar a idoneidade de suas propostas sem criar  quaisquer obstáculos, através do MP e do  PRONAN. Após todas as dúvidas esclarecidas, encerrados os questionamentos,  a sociedade se encontrando devidamente   informada,  daremos reinício ao projeto a toque de caixa, se necessário, mas não do jeito que se apresenta, hoje”.

Anicésio Santos, durante todo o tempo da entrevista, em seu gabinete, demonstrou muita preocupação em relação às gravíssimas consequências no caso de continuarem permanecendo dúvidas e desconfianças (o processo sem  conseguir deslanchar) só existindo grandes promessas de linha férrea, distrito industrial,  ao mesmo tempo em que já se registra em São Gotardo fortes investimentos paralelos motivados pelas riquezas do potássio.

– A cidade , com uma população de 40 mil pessoas e 12 mil casas, já conta com mais 11 novos loteamentos  recentemente aprovados todos eles respaldados no projeto de mineração, ao preço de  R$ 100 mil cada, cerca de cinco mil unidades, quase a metade das residências existentes, além de um moderno hotel. Tudo isso pode ir por água abaixo.

Para ilustração desta delicada situação, o vereador cita o caso do frustrado projeto de extração de gás, no município de Tiros,  onde os moradores acreditaram nas  mentiras plantadas e investiram nas mais diversas atividades culminando com suas falências. Ele mesmo, Claudionor, fez investimentos lá e perdeu tudo. Não vai admitir que esta situação se repita na sua cidade.

Sobre a hipótese de ocorrerem mentiras, ele ainda se lembra de sua  desconfiança,  por ocasião da suposta audiência pública no Parque de Exposições de SG,  quando a  VF lhe apresentou uma pequena máquina e disse: “é através dela que empreenderemos nossa atividade de separar o potássio da rocha verdete”.  Claudionor  sabe que um projeto de tamanha envergadura não funciona assim e cobra. “a firma  deveria nos dar uma prova mais substancial, algo mais concreto, a tecnologia patenteada, por exemplo,  mostrando, na hora, o processamento a ser comprovado nos devidos órgãos competentes”.

O que o presidente da Câmara  não sabe também é que a cidade de Morada Nova passou por uma crise semelhante a esta de Tiros com centenas de falências entre micros e médios empreendedores lá aplicando suas economias  acreditando nas fabulosas reservas de gás suficientes, segundo seus responsáveis,  para tocar as indústrias de todo o noroeste mineiro.

Esse tipo de falência coletiva é muito grave por que gera  efeito cascata.  Quando uma firma se inviabiliza ela  deixa de pagar seus funcionários  e fornecedores que também não  honram  compromissos firmados com terceiros, e assim por diante, todo mundo empurrando suas dificuldades. Um município onde isso ocorre passa por momentos gravíssimos de crise  social refletidos em toda a cadeia de comércio local.

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