Em 17 meses, maior destaque dos vereadores vereadores foi de apoio a falcatruas.

Em 17 meses, maior destaque na pauta dos vereadores  foi de apoio às falcatruas do mensalão.

O vereador licenciado Claudionor Anicésio Santos ora ocupando o cargo de secretário municipal de Administração em São Gotardo, no Alto Paranaíba, está vivendo momentos delicados que o deixam em situação muito difícil, pois   colocam em cheque suas atividades no exercício de agente público à frente do qual cometeu  falta  de decoro parlamentar e infrações político-administrativas.  

Em um pedido de cassação do seu cargo de vereador e do posto de secretário municipal, protocolado neste dia 13 último, seu colega Odair Mussi o denuncia em decorrência de um gravíssimo crime praticado em 2012 quando – abusando da titularidade de presidente da casa – falsificou uma declaração atestando a viabilidade da candidatura a prefeito do médico Paulo Uejo então impedido juridicamente por desvio de verbas federais. Uejo era acusado de ter embolsado todo o volumoso dinheiro de um convênio para canalização do Córrego Confusão, crime que lhe valeu recente condenação de cinco anos de cadeia.

Odair Mussi: "situação não pode continuar, município não aguenta mais"

Odair Mussi: “situação ultrajante, município não aguenta mais”

Em tese, se dependesse, presentemente, da maioria dos vereadores para seu afastamento, Anicésio Santos dificilmente seria punido, pois as ambições pessoais têm falado mais alto que os interesses legítimos do município. Entretanto, a questão é muito mais abrangente do que se pensa e pode, com certeza, mudar o resultado do julgamento. O crime do qual é acusado – já devidamente comprovado na área do Judiciário – envolve gravíssima operação de fraude documental na qual figuram como vítima, a Casa Legislativa, o povo de São Gotardo,  enfim, todos os poderes constituídos.

Neste sentido, qualquer um dos vereadores que se expressar favorável à sua permanência no cargo de vereador ou de secretário estará manifestando afrontoso apoio a um dos momentos mais humilhantes e constrangedores da história de São Gotardo quando o plenário da Câmara Municipal, a Casa do Povo, foi transformado em valhacouto de uma dupla de políticos destituídos de ética  para prática de crimes fraudulentos. Além disto, estarão  cometendo, implicitamente, o suicídio político de admitir a completa desmoralização das nobres funções da Casa Legislativa.

A continuidade de Anicésio nos cargos equivalerá a uma silenciosa e acumpliciada confissão de concordância com sua total impunidade como praticante de   iníquo ato lesivo ao  município. Não se pode esquecer que seu atestado falso concedido a Paulo Uejo teve a finalidade de enganar eleitores, um promotor e um juiz eleitoral, além de gerar altos custos financeiros desnecessários  na derrotada tentativa do médico para se eleger.  E o crime que tentavam disfarçar no falso atestado era exatamente a causa da  condenação recente de cinco anos de cadeia para o sr. Paulo Uejo.

Esta é a realidade com a qual Claudionor e todos os seus colegas terão de defrontar perante um eleitorado já desconfiado deles, no caso de perpetrarem tal consentimento. Apenas  dois anos e meio os separam das próximas eleições. Forçosamente,  terão de fazer opção entre a defesa da legalidade ou se tornarem cúmplices dos maus instintos de dois políticos que usaram a Câmara Municipal para tramar e forjar uma mentira abjeta contra o povo e os poderes constituídos.

De qualquer maneira, caso os vereadores não se envergonhem de optar pela completa desmoralização da Câmara, votando em favor do acusado, ainda restará ao autor da denúncia, Odair Mussi, o recurso de outra solução: apelar ao Ministério Público local cujo promotor Sérgio Álvares Contagem já prepara, para o devido pronunciamento, seu parecer sobre o relatório da CPI investigativa de atos do prefeito Seiji Eduardo Sekita contra quem pesam também denúncias idênticas de fraudes mirando desviar dinheiro público em escandaloso caso de mensalão.

Claudionor: abuso de poder e fraudes

Claudionor: abuso de poder e fraudes

Todo cidadão, seja qual for o tipo de ilegalidade cometida, tem direito a ampla defesa até se esgotar o último recurso, motivo pelo qual não se comete nenhum ato de injustiça ao acusado quando  investigações são abertas contra ele. É um dever inalienável e impostergável de todo vereador acatar denúncias e fazer investigações quando diante de irregularidades contra os cofres públicos. Nenhum eleitor, no momento do voto, concede procuração ao seu candidato para roubar ou defender envolvidos em denúncias de desvio de dinheiro.

A propósito das situações imorais e desrespeitosas sempre ocorrendo na Câmara de São Gotardo, cabem aqui duas perguntas: como pode um vereador abdicar da missão de guardião dos interesses principais da população que lhe paga o régio salário de R$ 6 mil e ainda lhe banca substancial ajuda de custo factível de proporcionar retirada mensal de até R$ 10 mil? Como pode um vereador menosprezar quase 40 mil cidadãos para livrar algumas pessoas de punições por práticas de ilegalidades altamente lesivas ao município? 

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