Cada dia mais degradado e impiedosamente tratado, tanto na nascente como no leito abaixo do balneário, o Córrego Confusão vai se tornando uma ameaça para os rios que buscam o São Francisco

Descendo entre rochas vulcânicas cada dia mais impiedosamente degradado tanto na nascente como no leito abaixo do balneário o Córrego Confusão vai se tornando uma ameaça em direção ao  Rio  São Francisco (foto de Ednilson Ferreira)

O ano de 2008 – quando o então prefeito Paulo Uejo repassou à COPASA a concessão dos serviços de tratamento de água e esgoto – foi o início de uma novela dramática, de terror e sofrimentos sem fim para a população de São Gotardo, no Alto Paranaíba. Terror e sofrimento, sim, porque os moradores a partir de então vêm bebendo água contaminada por bactérias causadoras de infecções intestinais e agentes pesticidas cancerígenos, além de, ao longo dos anos, nunca mais contar com um serviço regular de abastecimento em suas casas.

Presentemente, a cidade inteira vive o caos no abastecimento de água, interrompido há quase três dias, mas o pior de tudo é a frustração dos consumidores ora em regime de completo abandono e sem  ninguém a quem reclamar. Nem a COPASA nem o omisso prefeito Seiji Sekita demonstram ter qualquer proposta de solução imediata para o gravíssimo problema.

Poder-se-ia dizer que toda essa situação de irregularidades e menosprezo à população começou em 2008 quando o prefeito Paulo Uejo, com o aval do seu filho então deputado Chico Uejo, repassou à COPASA, em acordo firmado na calada da noite, os serviços de tratamento de água e esgoto. Nesse acordo altamente lesivo, Uejo ainda isentou a empresa de pagar impostos. 

À época, os vereadores de oposição denunciaram que a operação foi como se um presente de pai para filho, em troca de uma bagatela. Desde então, a cidade parece não ter uma data para interromper o sofrimento dos moradores. E ainda sobra um boato que mancha o nome de Paulo Uejo. Ele seria dono, na atualidade, de milhares de ações da COPASA. (Caso ele queira contestar, este site se coloca à sua inteira disposição)

Por todas essas razões, já existe um consenso entre os moradores de que a única solução é anulação do contrato com a empresa, através de ação judicial movida pela prefeitura, mas o comportamento de Sekita é muito estranho. Desde 2013, ele vem arranjando desculpas para evitar o confronto jurídico. Alegou que era muito arriscado brigar coma firma. Em represália, ela poderia deixar de levar benefícios ao município. Pois muito bem, o prefeito optou por fazer média com ela e teve como paga os piores serviços prestados; só recebeu malefícios, em troca.

Semana passada, o governante de SG, através do seu fiel escudeiro vereador Valdivino Honorato, mandou dizer que por motivo de força maior não poderia comparecer a BH para negociar junto à COPASA uma saída para os gravíssimos problemas na área de abastecimento de água e esgoto. É de se perguntar: haverá um motivo de força maior que os vazamentos de esgoto na lagoa, os agentes cancerígenos de pesticidas e as bactérias causadoras de infecções intestinais não eliminados no tratamento de água convencional da empresa?

Engenheira Sanitarista Alexandra Soares

Engenheira Sanitarista Alexandra Soares

Quem declara isso não é uma pessoa qualquer, é a engenheira sanitarista Alexandra Fátima Saraiva Soares, também graduada em recursos hídricos e meio ambiente, em relatório sobre seus levantamentos no Córrego Confusão e balneário, a serviço do Ministério Público de São Gotardo e Patos de Minas.

Existe um perigoso equívoco nessa história toda. A função de vereador é legislar e fiscalizar as ações do executivo. Assim sendo, não faz o menor sentido a viagem de quatro deles a BH para negociar com a COPASA uma atribuição que é do chefe executivo. Caso não haja uma iniciativa decisiva por parte da prefeitura essa questão não será resolvida. E foi isso o que aconteceu. Os membros da Câmara que foram a BH não têm sequer uma notícia boa sobre a solução do problema. Muito pelo contrário, ao retornarem, encontraram a cidade completamente sem água. A eles só restaria uma alternativa. Fiscalizar o prefeito e até abrir um processo por improbidade administrativa contra ele, caso não solucione o problema. Infelizmente, eles “rezam” na cartilha do sr. Seiji. Porque será? Antes, eles eram da linha de oposição.

Ontem, em pleno domingo e sob uma temperatura absurda, os quase 40 mil moradores de São Gotardo aparentavam desespero após sofrimento de dois dias sem água em suas residências e sem sequer ter uma pessoa a quem reclamar na Prefeitura ou na COPASA. Nem sequer se sabe quando se restabelecerá a normalidade. Nem mesmo a empresa parece saber o motivo que provocou o interrupção de água.

E como notícias ruins nunca chegam sozinhas, tem mais uma para os moradores de São Gotardo. Por enquanto, a COPASA está apenas fazendo o serviço de transporte do esgoto local, empesteando o leito do Confusão, pouco abaixo da cidade, pelo que já cobra caro. Mas quando ela inaugurar a estação de tratamento, a exação deverá chegar a quase 100 % dos serviços cobrados.

Consta que o prefeito, em sua ruinosa administração, é um dos produtores proprietário de lavouras na cabeceira do Confusão, acusados de danos ambientais e contaminação do leito do ribeirão com agentes agrotóxicos. Certa vez, Sekita disse na Câmara: “se todo mundo planta lá porque eu não posso plantar também?” Como se verifica, um prefeito,  primeiro cidadão do município, respondendo como se réu confesso.

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