O vereador José Oldack Pinto, marido da tesoureira-chefe Nilma Carla Pinto junto da qual é acusado de cumplicidade em desvios de dinheiro público municipal estimados em cerca de R$ 3 milhões,  em Dores do Indaiá, no centro-oeste mineiro, está sendo denunciado também como beneficiário de um favorecimento ilícito a ele concedido diretamente pelo ex-prefeito Joaquim Ferreira da Cruz, de cuja amizade íntima desfruta.

Vereador Oldack: os privilégios da amizade

Vereador Oldack: os privilégios da amizade

Em 2012, a mãe do político adquiriu um terreno de 32 mil m2 e o registrou no nome dele. Na hora de pagar o ITBI foi generosamente contemplado por Cruz – assim como ocorreu a dezenas de outros donos de imóveis sem que tivessem qualquer necessidade de ajuda oficial – com um “big” desconto de 20 % no qual o então governante mandou cancelar a guia original e a substituiu por outra garantindo  a porcentagem com sua assinatura.

Trataram-se, todo os casos, de operações realizadas na total ilegalidade, pois ao lançar mão desse artifício de conceder privilégios em troca de apoio político, o prefeito se apropriou, indebitamente, de recursos gerados em favor de um sofrido município, como se fosse patrimônio financeiro dele, favorecendo cidadãos não necessitados de ajuda oficial.

Ao mesmo tempo em que ocorria tais permissividades, outros setores prioritários  do município, entre eles, a saúde,  eram deixados  ao completo sucateamento.  Cruz está sendo rigorosamente investigado, por causa disto e, mais uma vez, mesmo fora do poder, será enquadrado em crimes de improbidade administrativa.

Prefeito Cruz: menosprezo ao dinheiro do povo

Prefeito Cruz: menosprezo ao dinheiro do povo

José Oldack, vereador a quem a Câmara Municipal concedeu cargos dignitários tais como o de secretário, tesoureiro  e conselheiro municipal do meio ambiente,  está envolvido nos mesmos crimes praticados  pela esposa Nilma Carla, de desvios de recursos públicos, conforme ficou evidenciado nos depoimentos do servidor Wagner Ribeiro, o “Boquinha,  ao promotor Ângelo Ansanelli Junior, no Fórum de Dores.

TESOUREIRA CONFESSA TER

APROVEITADO FACILIDADES

Os trabalhos da sindicância instaurada para investigação em torno dos envolvimentos da tesoureira-chefe Nilma Carla Pinto e sua colega Neide Oliveira, no escandaloso caso de desfalques na prefeitura de Dores do Indaiá, se limitam, agora, à rotina de levantamentos dos valores em dinheiro desviados dos cofres públicos, estimados em R$ 3 milhões, visto que todas as suspeitas contra elas já se confirmaram, sem margens de questionamentos, e elas aparecem no processo devidamente qualificadas na condição  de rés confessas dos crimes praticados.

Cientes das graves ilegalidades praticadas, as duas funcionárias envolvidas não somente as confessam e pedem desculpas à sociedade, mas também apresentam, como seduções motivadoras dos desfalques, a ausência de fiscalização dos serviços por parte de quem mais deveria exercê-la, o então prefeito Joaquim Ferreira, situação de desleixo que, certamente, redundou na própria fragilidade do sistema de checagem do controle interno de acompanhamento da execução financeira orçamentária.

No caso de Nilma Carla, ela apresenta  –  também como justificativas dos seus desvios de conduta  –  o fato de ser portadora, desde os 15 anos de idade, de sintomas compulsivos por gastos exagerados com utilidades pessoais. A servidora também tentou convencer os inquiridores de outras motivações: “sua frustração e indignação pelos  parcos vencimentos recebidos enquanto tinha sobre seu ombro  um grande volume de responsabilidade, mas  afirma  que tem pretensões de ressarcir o município o dinheiro apropriado”.

"Boquinha" virou herói, só tapinhas nas costas

“Boquinha” virou herói, só tapinhas nas costas

Fica ainda mais fácil a comprovação do descalabro administrativo no mandato do então prefeito  quando se avalia outras chocantes revelações de Nilma, todas elas motivadoras de irregularidades das quais, facilmente, qualquer servidor mal intencionado poderia se aproveitar: “os serviços delas não eram monitorados, acompanhados, fiscalizados e auditados por nenhum órgão e nem pelo setor de contabilidade ou pela empresa ETAC à qual cabia muitas responsabilidades. Muito pelo contrário, o pessoal da ETAC até recorria à Nilma para conferir serviços”. 

Ao tomar posse, o atual prefeito Ronaldinho tinha pleno conhecimento do incrível número de denúncias envolvendo os  três governos de Cruz em práticas  altamente lesivas de desvio de dinheiro, mas, em se tratando de um dos principais setores de toda administração pública, a tesouraria municipal, deixou que tudo continuasse como estava, permitindo a permanência de Nilma, Neide e o contador Fabiano, veteranos servidores da plena confiança e intimidade do mandatário.

Nilma Carla tinha raiva do salário que ganhava

Nilma Carla tinha raiva do salário que ganhava

Ronaldinho descurou-se da obrigatória necessidade de promover alternâncias no posto, preferindo,  conforme informações de  fontes confiáveis, atender pleitos do próprio Cruz  como paga de apoio político nas eleições de 2012, entre eles, a continuidade de Nilma, Neide e Fábiano, sem a menor necessidade. Cruz, completamente desmoralizado, não teve cacife, à época,  sequer para indicar um candidato à sucessão. E todos os vereadores de sua base de sustentação, que impediram os trabalhos de quatro CPIs, foram derrotados, fragorosamente, na tentativa de reeleição.

Em decorrência de tantas brechas na repartição, sedutoramente atiçando convites à prática de irregularidades, a tesoureira-chefe Nilma Carla, segundo suas palavras, já revoltada por ganhar tão pouco, convidou Neide para se aproveitarem das facilidades (recebendo plena concordância) mirando desfalques nos cofres públicos cujo montante, em moeda corrigida, poderá superar a casa dos R$ 3 milhões. A partir daí, as lojas de moda e objetos pessoais, de Dores do Indaiá, ganhariam duas  grandes clientes. No caso de Nilma, os gastos eram com roupas, calçados, perfumes, faturas de cartão de crédito e outros, mas afirma não ter guardado dinheiro. Dizem que ela não gostava de repetir o mesmo vestido.

Neide, imoralidades levadas a extremos

Neide, imoralidades levadas a extremos

Os desvios de dinheiro através da conta da prefeitura n° 6084-4, do Banco do Brasil, aberta em 1991 (estava paralisada e foi reativada para as finalidades ilegais) é considerado estarrecedor, e todos eles transferidos em seus benefícios. Segundo informaram, não houve pacto de porcentagens na partilha dos butins.  

Para se ter ideia da ausência de receio delas na prática amiúde dos rombos, citando apenas dois casos, os montantes referentes aos cheques  de números 456 a 499 e 504 a 542 foram todos desviados para as contas de Neide, de Nilma e sua própria empregada, não se incluindo a quantidade de pessoas que se aproveitaram. Somente Neide apontou 12 nomes de beneficiários, entre eles,  sua irmã “Vermelha”, mãe e o noivo. Atualmente, ela mora em Nova Serrana, trabalhando numa empresa.

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