Já está praticamente concluída a nova CPI aberta pela Câmara de Vereadores de Dores do Indaiá, Alto São Francisco, para investigar desvios de dinheiro na prefeitura através de cheques, – com suspeitas recaindo sobre o ex-prefeito Joaquim Ferreira Cruz, ex-secretários municipais, a tesoureira chefe Nilma Carlos e sua auxiliar Neide Oliveira, incluindo-se a indústria de reciclagem de lixo.

Os trabalhos comprovaram  práticas escandalosas de roubos perpetrados contra os cofres públicos e que, entre 2006 2013, o tesouro municipal esteve sob o  domínio de uma perigosa quadrilha constituída de membros do próprio quadro administrativo.

Neide e o noivo Tanierlon: vida boa com dinheiro do povo

Tanierlon e Neide: vida boa com dinheiro do povo

Contra a funcionária Neide de Oliveira, por exemplo, pesam acusações gravíssimas de desfalques calculados em exatos R$ 1.205.371,34 (um milhão duzentos e cinco mil trezentos setenta e um reais e trinta quatro centavos) depositados em seu favor,  do seu noivo Tanierlon, do cunhado, de sua irmã, mãe, amigos e primos. (ver relação, abaixo), não se mencionando quase R$ 400 mil referentes a saques feitos na boca do caixa por autores ainda não identificados, além do valor de R$ 1.970,00 relacionado a uma cirurgia plástica supostamente feita por ela.

Parte dessa soma total de R$ 1.205 milhão foi empregada no aluguel de uma fazenda e na compra de um rebanho bovino com mais  de 200 cabeças sem acobertamento de notas fiscais. Quando “pipocaram” as denúncias sobre tal operação com dinheiro roubado da prefeitura quase todo o gado foi sacrificado e sua carne vendida, apressadamente, a preços baixíssimos, em um açougue especialmente montado, na própria cidade, com a exclusiva finalidade de esquentar dinheiro rápido.

Comenta-se que toda a população de Dores do Indaiá sabia dessa jogada irregular.  Grande parte da carne então vendida a preços de galinha morta, causando raiva aos concorrentes,  virou deliciosa paçoca de pilão – uma suculenta iguaria típica e tradicional  do município e cujo sabor tem a característica inigualável  da região.

Rosângela "Vermeia",  disputou eleições, em 2102, mas perdeu

Rosângela “Vermeia”, disputou eleições, em 2102, mas perdeu

Os valores desviados foram depositados nas contas das seguintes pessoas: Neide Oliveira, R$ 351.063,50; seu noivo Tanierlon Rodrigues Araujo,  R$ 183,589,00; Rosângela de oliveira, a “Vermeia”, (irmã de Neide), R$ 225.388,95; Reginaldo Gomes Sales (dono do açougue, cunhado de Neide), R$ 161,683,35; Claudinei da Silva (amigo de Neide), R$ 60.904,99; Iris de Oliveira (prima), R$ 53.263,41; Ramounielle Lorrane Silva Oliveira (prima), R$ 41.011,00; Marieta Ribeiro de Oliveira (tia), R$ 6.200,00; Eliana de Oliveira (irmã),  R$ 81.623,00; Enezita Orozina (mãe), R$ 29,507,00; Keila Gomes Silva (amiga), R$ 200,00;  Lusmar Cândida Silva Oliveira (prima de Neide), R$ 4.670,00; e  André Jarbas Campos, casado com Ìris de Oliveira (irmã de Neide), R$ 6.362, 00 . Este se encontra preso, em Pompeu, por tráfico de drogas.

A CPI da Câmara ainda apurou outros desvios através de autoria desconhecida, na conta da Prefeitura,  que elevam os desfalques contra o tesouro municipal, neste período, a mais de R$ 1.600.000,00, assim distribuídos: saques na boca do caixa, R$ 370.165,58; docs, R$ 13.507,00;  teds, R$18.163,32, pagamentos de títulos, conta de água e telefone, respectivamente, R$ 54.598,88, R$ 11.766,49 e R$ 2.722.64. Na indústria de reciclagem, até aqui, os desvios de dinheiro foram de R$ 54.073,40.

Dona enezita Orozimbo, provavelmente sem saber, capeou gado na fazenda da filha

Dona Enezita Orozina, provavelmente sem saber de nada, campeou gado na fazenda alugada pela filha

Também se descobriu uma despesa de R$ 1.970,00 na Clínica São Francisco. A suspeita é de  que Neide Oliveira tenha feito, neste hospital, uma cirurgia plástica pela qual pagou com dinheiro transferido da prefeitura.

Os valores vão aumentando a cada remessa de microfilmagem de cheques que chega dos bancos. Acredita-se que os prejuízos ao município sejam muito maiores.  E se estranha muito também o fato de Neide Oliveira estar assumindo, publicamente, crimes na prefeitura que ela não teria praticado sozinha. A editoria deste site entrou em contato com o advogado da jovem, oferecendo a ela o direito de defesa, mas não conseguiu obter confirmação.

“DESVIAVA DINHEIRO EM  

 NOME DOS NECESSITADOS”

Na CPI aberta a pedido dos vereadores Flávio Pereira de Carvalho, Silvio Silva e Wilton Felix da Silva, a servidora, de forma hilariante, tenta se passar por uma cidadã imbuída de sentimentos altruísticos, preocupada em ajudar as pessoas, enfim, uma espécie de bandoleira inspirada no modelo Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres.

Ela assim declarou: “comecei a ajudar as pessoas e elas, como sabiam que eu ganhava bem, sempre acreditaram em mim. Com o passar dos anos, meu salário foi ficando defasado e eu já não tinha mais oportunidade de ajudar tantas pessoas. Por isso, vi a oportunidade de continuar ajudando, pela prática dos desvios dos quais nunca ninguém desconfiou”.

Neide Oliveira e suas irmãs

Neide Oliveira e suas irmãs

Em seus depoimentos, Neide se auto declara única culpada das operações de desvios. Ninguém nunca desconfiou deles, pois era ela quem realizava o fechamento bancário e também lançava todos os créditos e débitos nas contas da prefeitura. E devido a confiança que todos tinham em sua pessoa nunca desconfiavam, nem mesmo o contador, a empresa de assessoria contábil, o prefeito e sua própria chefe Nilma Carlos Pinto. “Infelizmente, confessa ela, consegui mentir e enganar a todos. Se nem os colegas que trabalhavam comigo desconfiavam, como poderiam meus familiares e outras pessoas suspeitar?

Neide, inclusive, já gostaria de estar cumprindo cadeia, para acabar logo com o seu sofrimento. E diz: “quero afirmar que nenhuma das pessoas beneficiadas sabia de onde vinha o dinheiro. Cidadãos de bem não podem ser condenadas por um crime que eu cometi. O meu sofrimento, hoje, não é fingimento, jamais fui hipócrita em relação aos outros, principalmente em relação à minha família que amo muito. Eu preferia estar morta ou até mesmo com uma doença em estado terminal do que estar passando por tudo isto. É um sofrimento que parece não ter fim. Eu queria, imediatamente,  já cumprir minha pena, pagar o que for necessário e seguir depois de tudo, mas, infelizmente, pior que o julgamento da justiça é o julgamento das pessoas”.

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