O país vive momentos dramáticos, para não dizer trágicos. Índices atualizados projetam crescimento econômico anual que mal ultrapassam um por cento e inflação escapando ao controle. Áreas de saúde, educação, transporte e segurança pública estão caindo aos pedaços. Em meio a esta crise impregnada de corrupção o governo do PT esvai-se em si mesmo, completamente batido sem saber como sair do atoleiro.

O futebol da seleção brasileira, no entanto,  ainda desfrutava de certa confiança nacional. Mesmo não fazendo jogos convincentes, dele se esperava uma reação no momento certo. Pois nesse dia 08/07, a derrota catastrófica de 7 X 1 para a Alemanha mostra que o nação, em todas as setores, se encontra completamente desmantelada. Nada escapa de salvação.

E não se iludam os brasileiros com a possibilidade de uma breve reabilitação. Expelido da Copa do Mundo disputada em casa e com a torcida a seu favor, contando até com ajuda de supostas facilitações, nossa seleção corre o risco de ficar pelo menos mais cinco décadas, talvez até mais, sem chances de conquistar um título.

E o motivo salta a olhos vistos. Paralelamente ao futebol decadente do Brasil, o mundo assistiu incrédulo, com assombro, a apresentação fantástica de um novo estilo de se praticar esse esporte representado justamente por humildes e singelas equipes de países originários dos mais distantes recantos. Um espírito de competição como jamais se viu nestes 85 anos de Copa, algo que faz lembrar os jogos olímpicos da Grécia e os espetáculos de quase 200 dias no Coliseu e outras arenas do império romano.

Filipão: mal educado e ultrapassado

Filipão: um chato mal educado e ultrapassado

De repente, modestos países de terceiro mundo, politicamente instáveis, PIBs insignificantes, pobreza absoluta, originários da África, Ásia, América Central e continente sul-americano, resolveram se rebelar contra seus papeis de simples coadjuvantes no preenchimento de chaves. E como se Impregnados do verdadeiro espírito guerreiro do jovem personagem bíblico Davi – se transformaram em grandes sensações, destemidos matadores de Golias, emprestando raça, espírito de combatividade e qualidade técnica a este torneio cujo título de campeão já, há décadas, vem se caracterizando por modorrenta e viciosa repetição entre cinco ou seis escolas distribuídas exclusivamente na Europa e América do Sul.

Já no próximo torneio a ser realizado na Rússia eles se constituirão no terror e vão inspirar medo não apenas ao nosso país como também a todas as tradicionais escolas européias sempre apontadas como favoritas. Desde Pelé e Maradona pouca coisa mudou no futebol. Ignorar tamanha evolução entre os pequenos Davis constituirá erro crasso. Eles mostraram  intenção de ficar. Os futuros reis do futebol estarão entre eles.

Quem viu os atacantes da seleção ganesa cheios de vigor físico e técnica partirem em alta velocidade contra a cidadela dos “puro-sangue” alemães, vislumbrou cenário típico de enraivecidos guerreiros de uma tribo africana dispostos a conquistar cidadela inimiga, de lança e escudos nas mãos. Parecia uma batalha campal. Algo assim como jamais se viu no futebol. E com aprovação de todas as platéias. Na próxima Copa, seleções como Costa Rica, Gana, Nigéria, Costa do Marfim, Chile, Colômbia, Irã e a própria República de Camarões, se apresentarão ainda mais fortes.

Assimilar, de pronto, tamanha revolução mostrada pelos pequenos é uma imposição tão logo encerre o presente torneio. Não por acaso, Espanha, Itália e Inglaterra foram eliminadas, vexatoriamente, na primeira fase da presente Copa.

Não há dúvida de que a derrota humilhante do Brasil vai acirrar debates. Serão inevitáveis as avaliações de que as coisas não estão dando certo nesse país.  A presidente Dilma garantiu que  no dia 13 próximo estará no Maracanã, para entregar a taça à seleção campeã.  Certamente, ela esperava que fosse aos atletas brasileiras.  Pois deveria repensar sua decisão. Caso vá ao Maracanã pode estar incorrendo em perigoso equívoco.

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