Palco de muitas "maracutaias", a Casa Legislativa se encontra diante de um momento histórico

Palco de muitas “maracutaias”, a Casa Legislativa se encontra diante de um momento histórico

Seis entre os nove vereadores de Dores do Indaiá, no Alto São Francisco, sempre alvos de suspeitas por causa das antigas malandragens de passar uma borracha apagando as bandalheiras do ex-prefeito Joaquim Ferreira Cruz, terão  oportunidade, neste dia 30, de ficar bem com a sociedade local, interrompendo, de uma vez por todas, suas práticas de subserviência tão danosas ao município.

A partir das 19 horas, o plenário da Câmara colocará em votação aberta, de viva voz, as contas financeiras referentes ao período de 2012 do ex-governante e, com certeza, nenhum vereador, no caso de rejeitá-las, poderá ser acusado de ter cometido qualquer ato de injustiça, pois estão eivadas de irregularidades. Cada um dos membros terá de justificar, em alto e bom som, pelo microfone, os motivos da reprovação ou não da movimentação  financeiros do ex-prefeito.

No último dia 21, Joaquim Cruz, orientado por um advogado, não compareceu ao plenário da Câmara, apesar de intimado, para submeter suas contas financeiras de 2012 à aprovação dos nove vereadores. O motivo do seu sumiço foi o fato de ter detectado, através de fontes de confiança, que o clima político na Casa, ao contrário de outros tempos, não lhe era nem um pouco favorável. Pior ainda, havia um risco muito grande de sua movimentação financeira ser reprovada por um placar de 9 x 0. Em função do seu não comparecimento a reunião foi remarcada para esta quinta feira..

Joaquim Cruz: tentando  se livrar do carimbo de "ficha suja"

 Cruz: tentando se livrar do carimbo de “ficha suja

O ex-prefeito estaria muito preocupado, e há razões de sobra para isso, pois, na verdade, a não aprovação de suas contas equivalerá, no Tribunal de Contas de Minas Gerais, a ser carimbado com a humilhante pecha de “ficha suja” impedido de candidatar-se a prefeito, em 2016.

No entanto, sua dor de cabeça ainda mais latejante é conviver com o “the day after”, em decorrência de automáticos enquadramentos por outros órgãos de Justiça, de fiscalização estadual  e federal, retrocedendo em avaliações de uma infinidade de relatórios de  CPIs  nas quais é acusado de enriquecimento ilícito, favorecimento a amigos, parentes, esposa, filhos, cabos eleitorais  e funcionários de sua confiança. Sim, porque o ex-governante cometeu um número incontável de práticas imorais.

VEREADORES ENCABRESTADOS

No dia 21 último, o clima reinante na cidade era de uma alegre certeza: o esperto “Kinzinho”, aparentemente, não mais dispunha da subserviente fidelidade da sua base na Câmara Municipal onde seis vereadores, teimosa e persistentemente, sempre rezaram em sua cartilha de desmandos. Não obstante, após o adiamento para este dia 30 nada se sabe sobre a estratégia de Cruz tentando demover, de alguma surpresa desagradável, seus escorregadios aliados. A população de Dores deve ficar atenta.

Mas a notícia sobre o sessão plenária continua “bombando” nas redes sociais. Diante disto, não seria lógico os vereadores arriscarem o futuro político em nome de uma causa imoral. São eles: “Leo Bombril”, José Marinho Zica, Elias Ferri, Vanderlei Rodrigues. Osanan Veloso e José Oldack Pinto, Este último se encontra impedido e será substituído por José Aílton de Sousa, “Ailton Ki Casa”.

Pelo lado da oposição, dois não irão votar por se encontrarem também impedidos: Flávio Pereira Carvalho e Wilton Felix Silva. Pereira Carvalho é considerado ferrenho inimigo oposicionista de Joaquim Cruz. Os dois serão substituídos, respectivamente, por Marlene Oliveira e “Gilberto do Açougue”.

Em razão de tantos aspectos negativos e repercussões desgastantes, torna-se inimaginável que a Câmara Municipal, desta vez, se omita de um histórico pronunciamento rejeitando as contas de Joaquim Cruz, dando início a uma nova era de comprometimento político em torno dos legítimos interesses de Dores do Indaiá

Até hoje, a Câmara ainda tenta se recuperar de vexatória desmoralização ocorrida em abril último quando os vereadores Leonardo Diógenes Coelho, “Léo Bombril” (DEM), Osanan Veloso Santos (PSDB), Elias Ferry Araujo (PTC) e Vanderlei Rodrigues de Paulo (PROS), agindo sob ridícula alegação de “foro íntimo”, se recusaram a participar de uma sessão para abertura de CPI contra Joaquim Cruz.

 José Marinho, presidente da Câmara, desta vez,  vai votar. Seu pronunciamento está sendo muito esperado

José Marinho, presidente da Câmara, desta vez, vai votar. Sua palavra é  muito aguardada

Recentemente, também na tentativa de proteger “Kinzinho”, “Bombril” ameaçou abrir investigações contra alguns vereadores e funcionários da Câmara aos quais acusou de passar informações à imprensa. Causou muita surpresa tal manifestação de violência contra direitos à livre expressão. Afinal, ele é um bacharel em Direito, um automático defensor das liberdades, apesar de reprovado pela OAB ao exercício da profissão.

Curiosa e estranhamente, nem se entende a relação entre Joaquim e os seis vereadores, já que, como ex-prefeito, não mais deveria estar exercendo qualquer influência na Casa Legislativa. Portanto, a sociedade deve questionar, sim, os intrigantes motivos que levam uma meia dúzia de políticos dorenses oferecer seus pescoços ao cabresto do agora fazendeiro, de maneira tão obediente e servil.

Sabe-se que os representantes do povo de Dores do Indaiá recebem um privilegiado salário de R$ 4 mil, mais subsídios, apenas por uma única reunião semanal, além de outra da comissão. Simplificando, eles comparecem à Casa Legislativa apenas quatro vezes, em 30 dias. E, muitas delas, para emprestar solidariedade a atos desonestos do ex-prefeito.

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