Na tarde noite deste 26 de junho de 2013, o  brado de revolta e de  protestos do povo brasileiro contra a corrupção  repercutiu ainda  mais poderoso  em São Gotardo,  cidade de 40 mil habitantes, no Alto Paranaíba.

Diante de uma Câmara Municipal sem nenhum vereador presente, os manifestantes pediram o fim da corrupção, protestaram contra as tarifas da Copasa e reformas políticas já...

Diante de uma Câmara Municipal sem nenhum vereador presente, os manifestantes pediram o fim da corrupção, protestaram contra as tarifas da Copasa e exigiram reformas políticas já…

Neste município,  um compacto e bem organizado grupo de  pacíficos manifestantes constituídos, em sua maioria, de jovens sinceramente tocados pelo sentimento de mudanças  radicais por um Brasil melhor,  a partir das 18 hs, durante quase 90 m., percorreu as principais ruas  para, finalmente, se concentrar  em frente ao prédio da Câmara Municipal.

E foi ali o único  momento de desencanto,  pois a Casa Legislativa estava de portas fechadas, luzes apagadas e sem nenhum político à espera.

Tal como um pequeno   filete de água brotando e que vai ganhando corpo à medida que  toma  distância absorvendo outras nascentes, as manifestações iniciadas na Praça Ciro Franco com cerca de 50 pessoas foram adquirindo consistência,  Avenida Rui Barbosa, abaixo, recebendo adesões, a todo momento,  minuto a minuto, de  pessoas esperando nos passeios  e esquinas de ruas, avolumando-se, finalmente, para um número de quase 600  pessoas quando   se concentrou em frente à sede do poder legislativo de São Gotardo, na Praça São Sebastião.

Organizada pela advogada e professora da faculdade CESG, Sydney Miranda Fonseca, a universitária Maria Rita Melo, tendo ainda a ajuda  da jovem Gabriela Nascimento, além da competente cobertura da  Polícia Militar que disponibilizou  25 homens, seis viaturas  e várias motos, a mobilização não teve um incidente sequer. Durante todo o percurso o carro de som repercutiu, a todo instante o Hino Nacional, músicas dos anos 60  de compositores identificados contra  o regime de ditadura, tais como Geraldo Vandré, Caetano Veloso  e Chico Buarque.

Rita Melo, Sydney Miranda e Gabriela Nascimento

Rita Melo, Sydney Miranda e Gabriela Nascimento

A advogada Sydney Miranda Fonseca, dona de boa retórica, inflamada de sentimento cívico, em  todo o trajeto convocava os moradores a saírem de suas casas, gritando “vem pra rua”, “vem pra rua”, chamamentos estes sempre repetidos  por todos os manifestantes. Pode-se dizer, sem dúvida nenhuma,  que foi um belíssimo e inesquecível movimento de caráter cívico, de pessoas alegres,  ruidosas,  repletas  de sentimentos legítimos, para ficar  perene na história da cidade.

Até mesmo quem não acompanhou a passeata teve grande participação, pois saiu de suas casas e apartamentos para ovacionar o grupo que passava  com urros de “viva o Brasil”, “chega de corrupção”. Nem mesmo as tarifas da Copasa, cobradas sem justificativas, foram perdoadas. Sobre esse aspecto poder-se-ia dizer que a receptividade do povo, nas esquinas e passeios, representaria um  número incontável de participantes.

Fátima Barbosa, plena de sentimento cívico

Fátima Barbosa, plena de sentimento cívico

Nos 30 minutos de concentração em frente à Câmara, Sydney, Maria Rita e Gabriela ocuparam  o microfone, o tempo todo, disponibilizando o equipamento a quem quisesse manifestar, mas o momento mais comovente se deu quando todos foram convidados a se sentar  no asfalto  e se concentrassem, por alguns segundos, em reflexões políticas. O silêncio quase tumular tomou conta de toda a Praça São Sebastião. E o Hino Nacional, novamente repetido, causou profunda comoção, levando muitas pessoas  a derramarem lágrimas, por mais que tentassem disfarçar.

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