Depois de anunciar a uma rádio local, há cerca de 10 dias, que estava pronto para assumir a área da saúde municipal de São Gotardo, no Alto Paranaíba, só dependendo de alguns acertos de horários, o médico Paulo Uejo, também ex-prefeito da cidade, parece ter se desencorajado da ideia, pois desapareceu, repentina e misteriosamente, sem sequer dar satisfações.

Seus fiéis seguidores, até então presentes neste site em atitudes de intenso frenesi religioso caracterizado pela mesma reverência submissa prestada ao fanatismo do pastor Jim Jones, já raramente fazem postagens anunciando sua chegada ao hospital municipal (Santa Casa).

 Uejo: por trás da cortina, o novo chefe da cidade

Uejo: por trás da cortina, o novo chefe da cidade

O motivo da aparente mudança de planos, caso ele não se apresente, poderia se justificar, em primeiro lugar, pela inesperada e maciça revolta da população que considerou sua contratação, nos moldes como foi articulada, uma vil traição objetivando ganhos políticos imorais e espúrios decorrentes de uma negociata pactuada sigilosamente: a partilha do poder como condição para livrar o prefeito Seiji Sekita das punições de uma CPI cuja tendência inexorável era de cassar seu mandato e o do vice Carlos Camargos. A outra causa de sua desistência seria uma Ação Civil Pública já elaborada para derrubar toda a armação.

Em resumo, Paulo Uejo, pelo pacto costurado à revelia do povo, deixa de ser o candidato derrotado nas últimas eleições, pelo próprio Sekita, para se transformar em dono da cidade, submetendo seu vencedor à condição de vencido, no papel de mero preposto, apenas para assinar documentos. Uma situação humilhante  pelo fato de Sekita ter sido eleito sob juramente de não conceder cargos aos participantes de governos anteriores. Uejo foi prefeito três vezes. Tal manobra é inadmissível e aos olhos do povo já era rejeitada nas eleições. Em decorrência  deste conchavo o atual governante se encontra moralmente despojado do cetro de autoridade.

Há meses, o prefeito e seu vice vêm sendo investigados por causa de acusações, como por exemplo, o caso gravíssimo de “mensalão” comprovado, inclusive, pelos delegados de São Gotardo e Rio Paranaíba. Na avaliação em torno do futuro relatório da CPI já havia, entre 13 vereadores, ampla folga de 11 votos dispostos a afastá-los do poder. De repente, através de um acordo firmado na calada da noite com Paulo Uejo,  o atual mandatário se livrou da terrível ameaça. A razão: o médico, apesar de ter sido derrotado nas últimas eleições pelo próprio Sekita, aproveitando-se da situação crítica do mandatário, resolveu retornar ao poder, a qualquer preço, levando a proposta de livrá-lo da CPI através de sua influência na Câmara Municipal.

A autoridade de Sekita perdeu-se na sombra

Autoridade de Sekita diluiu-se na sombra da negociata

Nesta linha de procedimento iníquo, PU submeteu o atual prefeito à  uma desmoralizante exigência: partir o poder político com ele, dividindo os postos mais importantes. E ainda conseguiu que seu “testa de ferro” Claudionor Anicésio Santos, até então vereador, fosse acomodado na importantíssima cadeira de secretário municipal da Administração (Anicésio tem sido parceiro em todas as empreitadas irregulares do médico)

Amedrontado diante da hipótese de ser humilhantemente cuspido da prefeitura  sob acusações de apropriação indébita do dinheiro do povo, Sekita, servilmente, se sujeitou às condições impostas. E disso se aproveitou PU. Ele tem sob seu rigoroso domínio a fidelidade de cinco vereadores na condição de subserviência como se aferrados em coleiras de uma única corrente, pelo que cumpriram, afavelmente, suas determinações.

                      OS VOTOS DA IMORALIDADE

Como conseqüência do referido arranjo envolvendo cinco vereadores (também sob o foco de gravíssimas suspeitas) foi possível, provisoriamente, tirar o prefeito do sufoco, pelo resultado de sete votos contra cinco. Pronunciaram a favor da negociata: Claudionor Anicésio Santos, Valdivino Honorato Oliveira, Célio Martins Reis (Célio das Caçambas), Mauri Inácio Morais e José Geraldo Vieira. Todos eles, até então, favoráveis às investigações pela cassação do governante.

Nesta terça feira, dia 15, encerra-se as investigações da CPI cujo teor de incriminação  não terá qualquer serventia  na Casa Legislativa  onde  cinco vereadores  se bandearam em submissão aos interesses de  Sekita, PU e o vereador Claudionor Anicésio, hoje, secretário municipal da Administração. Assim sendo, o relatório será encaminhado diretamente ao Ministério Público, em mãos do promotor Sérgio Álvares Contagem, sob cuja titularidade se fará avaliação neutra dos fatos, de acordo com as provas levantadas. Todos os advogados consultados por este site, conhecedores do processo, são unânimes em prognosticar um futuro sombrio para Seiji Eduardo Sekita. Neste momento, ele vive situação paradoxal: se romper com PU será cassado. Se não brigar, terá que se ajoelhar aos pés do médico.

Os próximos dois anos e oito meses não se anunciam como período de bons augúrios para o município de São Gotardo. O desastrado e inconsequente prefeito da cidade, no afã de se proteger da cassação, foi buscar aconchego e apoio exatamente nas hostes  de dois políticos dos quais, nos discursos de palanque, jurou ficar distante.

Claudionor: conspirando para derrubar o prefeito

Claudionor: conspirando para derrubar o prefeito

E foi muito infantil na tresloucada correria para se livrar da forca. Mal sabia que seus supostos salvadores já tinham, secretamente, preparado para ele um maquiavélico plano no qual seriam seus implacáveis algozes com a missão de defenestrá-lo da cadeira, em setembro. Não obstante,  o segredo foi publicamente revelado e pode ter tropeços, ocasionando muita desavença entre eles.

Mas de uma certeza todo mundo tem! Sekita  levou para a  prefeitura o piores inimigos do seu governo. E o preço mais caro acabará sendo pago pela própria cidade que repete através dele, Uejo  e Claudionor, quase dois mil anos depois, um acordo semelhante ao fracassado triunvirato romano formado por Júlio Cezar, Pompeu e Crasso. Em outras palavras, um município governado por três políticos envolvidos em casos gravíssimos de corrupção. Algo como um triunvirato do mal. “Alea jacta est..!” 

Facebooktwitterpinterestlinkedinmail
rss