“Uma única palavra ouvida, enfaticamente, a todo instante, nas esquinas de ruas, praças e estabelecimentos comerciais vem refletindo o sentimento de amargura, angústia, decepção e tristeza da população de São Gotardo, no Alto Paranaíba, quando o assunto é o prefeito da cidade: traição.

População revolta reagiu contra prefeito Sekita

População revoltada reagiu contra prefeito Sekita

E há muitos motivos justificando tamanha frustração. Afinal, esse cidadão, Seiji Eduardo Sekita,  ungido das bênçãos a ele concedidas pelo processo democrático das urnas foi conduzido ao insigne posto de comandante dos destinos municipais sob a bandeira desfraldada de um pacto em nome da honestidade, da competência e do rompimento com as forças políticas tradicionais, historicamente, causadoras de tantos malefícios.

E, agora, menos de 11meses decorridos do anúncio de suas promessas, o que se verifica em meio a um torvelinho de denúncias escabrosas a serem investigadas em CPI já aberta é a existência de dois Sekitas: a do Sekita dono de um belo e honesto discurso de mudar para melhor a história da cidade, e a de outro Sekita, provavelmente o verdadeiro, capaz de mentir às escâncaras e atentar contra os princípios da ética, negando todas as promessas de palanque, na mira de outros objetivos. Enfim, duas faces de uma mesma moeda, nenhuma delas a lhe recomendar.

Rotineiramente, as denúncias de mau gerenciamento dos recursos públicos se dão após o  decorrer de um espaço no processo administrativo, mas no caso do prefeito Sekita elas já se faziam anunciar nos primeiros dias do seu governo.

Assim, durante seis meses de crise ininterrupta, registros de confrontos diários, abusos de poder e caos no atendimento médico com dois casos de óbito por omissão, sem se sensibilizar em momento algum diante dos apelos de desespero, ele empurrou goela abaixo do povo, na área da saúde, os serviços do consultor técnico Manuel Bibiano Carvalho Neto, um político cassado, em Iguatama, de passado duvidoso, que afirmou, publicamente, em São Gotardo,  ter sobre as costas uns 40 processos.  Sekita só reviu sua trágica imposição após fortes pressões brotando das ruas.

Durante o ruinoso e improdutivo exercício da função nos postos de saúde municipal o sr Bibiano atropelou, sem dó nem piedade, a autoridade do então titular da pasta, Lauro Prados,  transformado em simples enfeite de parede, como se estratégia previamente concebida para que as coisas tivessem de acontecer exatamente assim.

Vice Camargos, até onde vai sua culpa?

Vice Camargos, até onde vai sua culpa?

Não obstante, o sintoma mais revelador desse chocante estado de permissividade  – sintetizador de uma  administração completamente desarrumada  – pode ser diagnosticado  nas entrelinhas de um parágrafo do pedido de CPI aberta contra o prefeito e o vice. Lá está escrito que a prefeitura, no quadro administrativo, objetivava contratar somente pessoas dispostas ao comprometimento de embutirem em seus salários as diferenças a serem repassadas ao consultor técnico.

Esse jeito de acessar os cofres públicos por trás dos panos, submetendo funcionários a situações de humilhação e constrangimento, se torna ainda mais grave, pois mostra, acintosamente, o poder público abrindo mão da qualidade dos serviços em nome de interesses escusos. Ou seja, a prefeitura contrataria qualquer pessoa desde que se enquadrasse no esquema.  Sabe-se que o holerite de Bibiano, por exigência dele mesmo, era equiparado aos dos médicos. Nesta época, os ganhos dos doutores estavam situados entre R$ 35 e R$ 70 mil.

Com certeza, Sekita e Carlos Camargos não permitiriam tão insidiosa prática em suas empresas, mas não tiveram a menor consideração em se tratando do dinheiro do povo. A propósito, em artigo específico do código penal brasileiro o significado do agrupamento de pessoas em favor de delitos desta natureza se encontra muito bem tipificado. Lastimável, pois muita gente iludida neste período de mentiras comprou verdadeiras brigas na defesa dos princípios honestos dos quais os dois mandatários seriam portadores!

Os 11 meses do atual prefeito se caracterizaram por crises constantes. Autoritário, teimoso, arrogante, quase um déspota, sempre impôs seus equívocos à base de força. Jamais cedeu, pacificamente, através do diálogo, em nome dos interesses coletivos. Nem mesmo soube levar ordem e tranqüilidade aonde, há décadas, vem reinando a bagunça. Por tudo isto, jamais poderá se apresentar como vítima de intrigas da oposição. Na verdade, Seiji  nunca  precisou de um inimigo, pois ele, sim, sempre foi o maior inimigo dele mesmo”.

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