“A área de saúde municipal vai de mal a pior, apesar dos gastos comprovados, este ano, de R$ 7.500 milhões contra uma previsão de R$ 3.500 milhões. Ou seja, já se queimou R$ 4 milhões a mais e tudo continua ruim, como antes”.

“Pelo que se deduz das escandalosas ocorrências de “mensalão” sob a batuta do PT de Brasília e São Gotardo, no Alto Paranaíba, tal prática de desviar recursos públicos em favor de apaniguados dispõe de mil e uma estratégias, mas o objetivo perseguido é sempre o mesmo apenas se diferenciando no “modus operandi”.

Em junho último, o povo foi às ruas contra a corrupção. Foi um momento histórico. Agora, tem-se início a uma CPI e a sociedade exige transparência e firmeza dos seus vereadores

No mês de junho último,  em momento histórico, o povo foi às ruas e se concentrou diante da Câmara, contra a corrupção. Agora, tem-se início a uma CPI. A sociedade exige transparência e firmeza dos seus vereadores

No caso do então todo poderoso ministro José Dirceu, o procedimento criminoso se dava, todos os meses, pela entrega sigilosa, em malas ou depósitos bancários, de polpudas somas em dinheiro aos políticos de partidos diversos que vendiam apoio ao governo do então presidente Lula.

Já em São Gotardo, o prefeito Seiji Sekita e seu vice Carlos Camargos, conforme consta nas denúncias,  eliminavam os riscos das suspeitas de desvios aumentando o holerite dos seus funcionários de confiança dos quais subtraiam, mensalmente,  diferenças de até 50 % para serem repassadas a um apadrinhado, também por trás dos panos.

Não obstante, tais “modus operandi”, apesar de supostamente fáceis de execução, são muito arriscados, pois costumam fomentar ódios e rachas durante a partilha ou encaminhamento dos butins e não deixam nenhuma margem de argumentação e defesa quando os autores são flagrados com a boca na botija, conforme se viu em Brasília e, agora, nesta cidade do cerrado mineiro.

Ou dizem, assim como ocorreu em Brasília, que as malas de dinheiro se destinavam a cobrir gastos em campanhas eleitorais ou, no exemplo de São Gotardo, se defendem em bloco alegando nobres doações voluntárias em favor da saúde municipal. Estes crimes, pela falta de artifícios na sustentação, ficam impossíveis de justificação, coisa que nem sempre ocorre nos superfaturamentos para os quais um bom advogado tem variado número de firulas à se apegar.

Assim como o STF sob a presidência do ministro Joaquim Barbosa não acreditou que as gordas propinas distribuídas por José Dirceu se destinavam a gastos em campanhas eleitorais, a Comissão Investigadora da Câmara Municipal e a sociedade de São Gotardo, durante os trabalhos da CPI já instaurada, não deverão se convencer de que funcionários da prefeitura fossem tão solidariamente afeitos aos humanitários ensinamentos de São Francisco de que é dando que se recebe. Um servidor, inclusive, protestou e não aceitou fazer a “contribuição”.

Seria, por demais, abusar da inteligência expor tal versão de que sofridos trabalhadores, repentinamente tocados pelos lindos sentimentos de altruísmo, abriram mão da metade dos seus salários em socorro à nobre causa da saúde municipal. É sabido e notório que todas as prefeituras dispõem de verbas específicas para estes setores. Por que, então,  tirar dinheiro logo de funcionários?

As investigações vão levantar todos os gastos no período de Manuel Bibiano. Pra saber onde foram parar R$ 4 milhões queimados a mais

As investigações vão levantar todos os gastos no período de Manuel Bibiano. Visam apurar, entre outras coisas, onde foram parar R$ 4 milhões queimados a mais

A própria CPI traz no seu bojo a denúncia de que a administração pública local estaria contratando (aliciando?) somente pessoas dispostas a participarem do esquema de devolver parte dos seus vencimentos.

Nestes exemplos acima citados não importa, jamais, os valores desviados em favor de apaniguados do PT. E nem também interessa saber se na capital federal as propinas foram de milhões enquanto de valores menores, em São Gotardo. Desfalque é sempre desfalque.

Na verdade, em se tratando deste pequeno município de 40 mil moradores, no Alto Paranaíba, os desvios de dinheiro, se devidamente comprovados, terão configuração criminal de muito maior amplitude e gravidade, por constituir prática dolosa em prejuízo de um setor prioritário rotineiramente vivendo situação de completo caos: a saúde.

Do cofre de onde desaparecem valores pequenos também se dá sumiço a grandes somas.  A CPI tem um longo caminho a percorrer, podendo perdurar até março. Sabe-se que a saúde municipal vai de mal a pior, apesar dos gastos comprovados, este ano, de R$ 7.500 milhões contra uma previsão de R$ 3.500 milhões. Ou seja, já se queimou R$ 4 milhões a mais e tudo continua ruim, como antes.

Em janeiro, os dois mandatários, Sekita e Camargos, foram previamente advertidos de que o seu contratado na rede de saúde local, o suposto consultor técnico para assuntos hospitalares, Manuel Bibiano Carvalho Neto, se encontrava juridicamente impedido de exercer funções públicas, visto ter sido ele prefeito cassado em Iguatama/MG, enquadrado  nos crimes de ficha suja e com passado não recomendável.

Assim sendo, assumiram por conta e risco próprio todas as responsabilidades pelos supostos danos materiais e morais ocasionados ao município, no que poderão ser capitulados em crimes de responsabilidade e improbidade administrativa, existindo hipótese de outras ilicitudes cometidas suscetíveis de penalizações previstas no Código Penal.

(Centroesteurgente@yahoo.com.br)

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