Dentro do processo de CPI instaurada contra atos do prefeito Seiji Sekita e seu vice Carlos Camargos, de São Gotardo, no Alto Paranaíba, a Câmara Municipal desta cidade aprovou, na última semana, requerimento solicitando quebra do sigilo da Conta/Saúde n° 22678-4, da Caixa Econômica Federal, aberta pelos dois mandatários juntamente com mais três funcionários públicos. No início da deste dia 16, o documento foi protocolado no Ministério Público local, em mãos do promotor Sérgio Alvares Contagem.

Futuro da cidade centrado na Casa Legislativa

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Através de simples verificação, a Comissão Investigadora detectou que o vice Camargo extraiu na instituição financeira um empréstimo pessoal no valor de R$ 6.353,00, sendo este o motivo pelo qual se decidiu pedir os extratos originais para análises mais aprofundadas de toda a movimentação financeira.

A conta foi aberta na CEF sob propósitos anunciados de contribuição com fundos para a área de saúde do município, mas investigações já concluídas e também encaminhadas ao MP pelo  delegado de Rio Paranaíba, Ítalo Oliveira Boa Ventura,  mostram que a finalidade dela era o pagamento mensal  dos altos vencimentos (R$ 23 mil) a um prestador de supostos serviços técnicos da  rede hospitalar local, que sequer tinha contrato.

Num sistema similar ao “mensalão” do PT de Brasília, Sekita teria mandado dobrar os salários dos seus funcionários de confiança dos quais subtraia, mensalmente, a metade dos valores que, logo em seguida, eram repassados através da conta bancária da CEF ao sr. Manuel Bibiano Carvalho Neto, prefeito cassado na cidade de Iguatama/MG, e que, por isso mesmo, estava juridicamente impedido de prestar serviços a órgãos públicos.

O inquérito de Boa Ventura joga por terra os depoimentos prestados pelos funcionários comissionados de que o depósito no banco, de parte dos seus salários, era doação deles, de livre e espontânea vontade, em favor da saúde municipal.

Nesta quarta feira, dia 18, a Câmara Municipal, a partir das 17 horas, se reúne para escolha do novo presidente da Casa em substituição a Claudionor Anicésio Santos. Tenta-se a escolha, em consenso, do novo titular dentro de um clima compatível com a condução serena  da CPI ora investigando  atos do prefeito e seu vice. Assim sendo, não existe, de fato, nenhum candidato favorito. A indicação, de comum acordo, poderá sair nos minutos que antecederão  a sessão  plenária.

Mas a crise institucional do município não está afeta somente aos impasses criados pela CPI. Faltando poucos dias para o Natal, a cidade volta a viver o mesmo clima dramático do final do ano passado quando o serviço público praticamente entrou em colapso, em decorrência de crise simultânea na área de saúde, recolhimento de lixo e os salários dos servidores públicos, não honrados.

A repetição desse cenário não pode ser desconsiderada depois das notícias chegadas à Câmara Municipal de que a prefeitura está completamente desacobertada de recursos financeiros, se constituindo em fato gravíssimo a triste realidade do Hospital Municipal  (Santa Casa) onde – apesar de verbas lá aplicadas, neste ano, de R$ 7.500 milhões, R$ 4 milhões a mais do previsto, – faltam todos os tipos de remédios, incluindo os mais simples, e até mesmo lençóis.

Hospital Municipal: onde o povo hora e o poder público não ouve

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Verbas suplementares para provimento de possíveis carências no quadro administrativo foram aprovadas pela Casa Legislativa, mas não equivalem dizer que a fonte dos possíveis recursos está solucionada. Proliferam os problemas. Por exemplo, o sistema de recolhimento de lixo continua precário e o maquinário da prefeitura se encontra todo paralisado, sem ninguém saber explicar os motivos.

Também servindo como justificativa para tanta falta de dinheiro poderia ser citado o gasto relacionado ao pagamento à vista  de R$ 8 milhões referentes a débitos da administração  passada, que poderiam ser parcelados em pelo menos 36 meses.  Pergunta-se por qual motivo o prefeito deu preferência  a estas dívidas antigas  (sempre colocadas sob suspeita), deixando de priorizar  setores em crise dos quais, antecipadamente,  tinha conhecimento. Ele mesmo, de forma repetida, dizia que herdou uma prefeitura quebrada. Mas quitou, à vista, R$ 8 milhões.

centroesteurgente@yahoo.com.br

   

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