Já se jogou na lata de lixo, sem resultados práticos, pelo menos 40 dos 150 dias do prazo legal dado à Comissão de Investigações da Câmara de Vereadores de São Gotardo, no Alto Paranaíba, para conclusão de uma auditoria destinada a exames periciais em notas fiscais arquivadas na Prefeitura Municipal  sob suspeitas de fortes  indícios de irregularidades. Entre elas, superfaturamento  na compra de remédios, equipamentos e material administrativo  na  rede hospitalar local.

Câmara Municipal de São Gotardo muito aquém de suas dignas funções. Com poucas exceções, seus legisladores são péssimos.

Câmara Municipal de São Gotardo muito aquém de suas dignas funções. Com poucas exceções, seus legisladores não são confiáveis.

Nos meandros da estrutura funcional do órgão público já não mais se consegue abafar a existência de gravíssima crise institucional, de total paralisia, por se encontrar sistematicamente voltado para articulações e estratégias miradas na tentativa de se defender dos ataques da CPI centrados na auditoria. O município já vive um cenário negativo desta estratégia, carecendo de eficiência e presteza na execução dos serviços essenciais.

Os conflitos entre os dois órgãos se aprofundaram ainda mais a partir desta segunda feira diante da inexplicável recusa, pela quarta vez consecutiva, do prefeito Seiji Eduardo Sekita  através do seu  secretário de Administração vereador licenciado Claudionor Anicésio Santos, de entregar os documentos requisitados pela equipe de auditores.

Por causa disto, a Comissão de Investigações protocolou uma notificação ao prefeito concedendo-lhe um prazo de 48 horas, que vence hoje (dia 28/06) às 17 horas, para apresentação de todos os papéis cuja numeração já se conhece através de averiguações no Portal da Transparência.  Na hipótese de nova recusa, será impetrado um mandato de segurança.

De qualquer maneira, não mais se acredita que o prefeito autorizará a liberação dos papéis, pois isto poderia  precipitar seu processo de impeachment. E, certamente, fará de tudo para proteger seu pescoço. Pior ainda, a notificação redigida pelo Departamento Jurídico da Câmara (também acusada de estar subordinada aos interesses do ex-presidente do órgão, Anicésio Santos, atualmente, secretário municipal) não passaria de um jogo de encenação para esticar o tempo necessário ao sepultamento definitivo da CPI.

Sabe-se que, a partir do dia 12, por conta da Copa do Mundo, mas sem motivos justificáveis, a Casa Legislativa entra em período de recesso e o prefeito se beneficiará de mais 30 dias de inatividade. As outras chicanas protelatórias viriam de acordo com as necessidades.

A paralisia na área do executivo municipal se deve ao fato de sua total mobilização exclusivamente na estratégia de obstar a entrega dos documentos fiscais, ao passo que a Câmara Municipal vive momentos vergonhosos protagonizados pela maioria dos vereadores, de total  submissão a interesses escusos nos quais o anterior presidente do órgão, Claudionor Anicésio, continua exercendo influência sobre os colegas como se fosse o titular.

Presentemente, esta Casa se encontra completamente estagnada, dividida entre os membros que apoiam ou acusam o prefeito e a inoperância do Departamento Jurídico, este temerariamente parecendo desconhecer as finalidades específicas de sua função de estar a serviço exclusivo dos interesses municipais. Já se discute a hipótese de contratar advogados, pagando por fora.

O atual presidente Tchesco, até hoje, não mostrou a que veio, sua autoridade é sempre questionada e não vem sendo respeitada. Coincidentemente, a assinatura da notificação ao prefeito depende de sua assinatura, mas ele se encontra em Uberaba, gerando especulações de que tão coincidente ausência é um plano pré-concebido para emperrar as atividades da auditoria. E se percebe também uma perfeita sintonia entre a Câmara e a Prefeitura, articulada por Anicésio Santos, visando impedir a auditoria,

Não se sabe porque Gilberto Cândido, "ganga", não recorreu ao Judiciário para obter os documentos

Não se sabe porque Gilberto Cândido, “ganga”, não recorreu ao Judiciário para obter os documentos

Por outro lado, o presidente da Comissão Investigadora, Gilberto Cândido de Oliveira, pouco fez para dinamizar a atuação dos auditores. Há mais de 40 dias, quando se deu a primeira recusa de entrega dos papéis, ele poderia ter recorrido ao Ministério Público, mas não tomou nenhuma iniciativa, sempre concordando com Claudionor Anicésio. Verifica-se uma clara demonstração de que os responsáveis pelos destinos de São Gotardo ainda não perceberam que estão brincando com fogo.  Não se pode imaginar que políticos supostamente de bons princípios possam fazer vista grossa ante tanta situação escandalosa.

Um jurista sempre consultado por este site definiu a situação política de São Gotardo, nos seguintes termos: “grande parte dos vereadores está envolvida nos escândalos e como  sabe de sua total impossibilidade de retornar ao poder na próxima eleição já não se importa de afundar ainda mais na lama. A única coisa que vale, agora, é aproveitar os quase dois anos e meio restantes. Não podemos alimentar ilusões em torno de bons augúrios”.

Assim, os trabalhos de auditoria vêm sendo arrastados sob o olhar complacente de quem está à frente das responsabilidades, pelo que, de fato,  não se pode esperar nada de bom para o povo cuja representatividade, seja no executivo municipal ou na Casa Legislativa,  está sob domínio de  alguns políticos  alvos de condenações na Justiça, fraudes e apropriação indébita de recursos municipais. A sociedade local já está passando da hora de decidir se concorda com tamanhas aberrações.

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