Neste próximo dia 03, quando termina o recesso legislativo, a Câmara Municipal de São Gotardo, no Alto Paranaíba, reinicia os trabalhos da CPI que investiga atos do prefeito  Seiji Sekita e seu vice Carlos Camargos acusados de improbidade administrativa e crimes de responsabilidade.

Sekita: autoritarismo que resultou em nada

Sekita: autoritarismo voltado contra ele mesmo

A Comissão Investigadora dispõe ainda  do  prazo regimental de 45 dias úteis para finalizar o processo com apresentação do relatório e vai, agora, acelerar sua atuação, desta feita, na área de saúde, através de  avaliações documentais e periciais nas notas fiscais relativas a gastos com remédios, material e pagamentos de médicos.

Denúncias de que a área de Saúde teve despesas de R$ 4 milhões além do previsto serão também meticulosamente checadas, incluindo-se acusações graves de que os pacientes internados no Hospital Municipal se alimentam muito mal.

Vai se priorizar  a fase relativa à gestão do suposto consultor  técnico Manuel Bibiano de Carvalho Neto contra quem existem fortes  suspeitas  de ter sido fornecedor  de medicamentos, por fora de suas atribuições, inclusive, sem licitações. Não foram poucas as vezes que ele, chegando de viagem em seu carro, foi visto descarregando caixas de remédios. Há quem não duvide de sua continuada permanência na Saúde, representado por terceiros, nas licitações de compras.

Bibiano, ex-prefeito cassado na cidade de Iguatama/MG, assumiu, ilegalmente, a função  de consultoria  nos seis postos de saúde pública da cidade, sem qualquer contrato de trabalho, por determinação do prefeito Sekita. Sua admissão foi  considerada atentatória às leis respectivas, recebendo  um polpudo  salário de R$ 24 mil, maior que  de um deputado  ou prefeito. Para seu pagamento mensal, Sekita, conforme apurou o delegado de polícia de Rio Paranaíba, mandou elevar os vencimentos dos  funcionários comissionados (de confiança), em até 100 %. Como condições para conseguirem o emprego, tinham de repassar a diferença.

O próprio secretário municipal de Saúde, Lauro Prados, participou da operação ilegal que ficou conhecida como “mensalão de São Gotardo”.  Ele deve uma satisfação pública à cidade. Aceitou ter seu salário duplicado e era ele quem, de maneira submissa,  acertava as contas de Bibiano e sua filha Nádia Carvalho (também empregada no Hospital Municipal),  nos hotéis e restaurantes. Na verdade, Lauro, que ainda poderia se resgatar, moralmente, diante da população,  jamais exerceu a titularidade da pasta. Quem mandava era Bibiano e a filha Nádia.

Câmara Municipal: muita atividade nos próximos dias

Câmara Municipal: muita atividade nos próximos dias

Mas as atribulações do prefeito Sekita não se resumem somente às graves acusações  pelas  quais  responde a uma CPI. Desgastado ao extremo, ele vem tomando iniciativas, infantil e precipitadamente, apostando na propaganda do hospital  regional a ser construído na cidade, na esperança de resgatar sua imagem perante o povo e até, quem sabe, influir num  julgamento favorável  de absolvição  ao seu governo.

Informações chegadas a este site, de fontes confiáveis, dão conta de que a Caixa Econômica Federal, instituição financiadora da obra, simplesmente,  não aprovou o projeto. Isso equivale dizer mais problemas, mais retardamento e mais dinheiro a ser gasto.

 O problema da recusa seria pelo fato de a CEF não estar convencida da ausência de graves riscos de poluição do histórico Córrego Confusão  no qual se lançaria o lixo originário do complexo hospitalar. O leito corre em direção ao Rio São Francisco. A procura de outro terreno poderá ser á única alternativa.

E o prefeito pode ter ainda uma grande dor de cabeça, além daquelas já provocadas pelas graves acusações pendentes: corre sérios riscos de se transformar em  alvo de ira do próprio Ministério Público, em decorrência de outra medida considerada ilegal, também relacionada ao hospital. Os políticos de oposição estão planejando, inclusive, formalizar uma queixa contra ele. No dia 23 último, o mandatário teria ordenado o fechamento da prefeitura, na parte da tarde, exigindo  a presença de todos os   funcionários numa cerimônia para anúncio da construção do  hospital mirando também prestigiar a presença do deputado federal, autor da liberação da verba. Quem necessitou dos serviços públicos não foi atendido.

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