Os números da desfaçatez. Operações de lavagem estimadas em R$ 250 mil. O nome da filha do prefeito aparece, mas não se acredita em qualquer envolvimento dela

Números da desfaçatez.  Movimentações ilegais na CEF estimadas em R$ 250 mil, mas poderiam ser três vezes maior caso Manuel Bibiano tivesse continuado. Só  foi demitido após muita pressão popular

Nesta terça feira, a Câmara Municipal de São Gotardo, no Alto Paranaíba, entrega ao promotor público Sérgio Álvares Contagem o relatório da CPI instaurada contra o prefeito Seiji Eduardo Sekita e seu vice Carlos Camargos, para investigar denúncias de um “mensalão”.

Coisas estarrecedoras praticadas na área de saúde foram descobertas e causa vergonha e constrangimento imaginar que pessoas supostamente de bem possam cometer tamanhas atrocidades em área tão sacrificada.

Conta da CEF era utilizada para todas as finalidades não oficiais do grupo fechado com Sekta. Onde se lê Nara, ler Nadia

Conta da CEF era utilizada para todas as finalidades sem carimbo oficial  do grupo fechado com Sekita. Onde se lê Nara, ler Nádia. (clique na foto para ampliar)

A prometida doação feita pelo prefeito à causa da saúde, registrada  oficialmente em cartório, do seu salário de R$ 20 mil, não passou de deslavada mentira. Os contínuos saques volumosos feitos por ele e sua filha na conta 2267 da CEF são demonstrativos de que  buscava de volta o dinheiro depositado. Não se tem notícia de nenhuma fundação de saúde beneficiária do seu suposto pendor filantrópico. Há quem defenda a prisão dele, por causa desta mentira, altamente lesiva, com fins eleitoreiro e apropriação indébita.

Tal condenação de reclusão por declaração mentirosa foi aplicada ao próprio ex- governante Paulo Uejo, com um ano e dois meses de cadeia, além do impedimento de cinco anos de se candidatar. Seu cúmplice e então presidente da Câmara Municipal, Claudionor Anicésio Santos, falsificou um atestado de legalidade para ele disputar as eleições de 2012.

Neste dia 15 último, foi concluída a CPI aberta contra o mandatário e seu vice Camargos. Na próxima terça feira o relatório de 30 páginas assinado pelos vereadores Ricardo Nunes e Gilberto Cândido de Oliveira, respectivamente, presidente e relator da comissão de investigações, será protocolado no Ministério Público local, em mãos do promotor Sérgio Álvares Contagem, numa decisão que tira  o processo da área sempre duvidosa e imprevisível da política para o julgamento  isento e neutro do Judiciário.

Um jurista, entre vários consultados por este site, considera muito robustas as provas acumuladas, inclusive, com a participação das polícias de São Gotardo e Rio Paranaíba, pelo que assim define a situação:  “a própria maneira suspeita de cooptar  vereadores demonstra que Sekita e Camargos  não tinham chances de absolvição. A partir de agora, podem  ir cuidando de limpar as gavetas de suas mesas.”

Ocorrendo seus afastamentos, a administração pública será entregue ao presidente da Câmara Municipal por um prazo de 180 dias quando se realiza nova eleição.

Imediatamente ao  processo de cassação também cai por terra o esquema armado por Paulo Uejo e Sekita, de partilha do  comando da prefeitura, eliminando-se  as nomeações de apaniguados, como é o caso presente do vereador Claudionor Anicésio Santos ocupando a cadeira de secretário da Administração.

  GOLPE DA DOAÇÃO DE SALÁRIO

A triste realidade divulgada no relatório da CPI mostra que a prática das gravíssimas irregularidades estava planejada muito antes das eleições e que, nas últimas quatro décadas, a política em São Gotardo vem sendo pensada não como um processo de cidadania e dedicação em nome dos interesses legítimos da sociedade, mas sim como corriqueira atividade mercantil na qual os cargos públicos são loteados e utilizados, de forma dolosa e planejada,  mirando o enriquecimento ilícito, via apropriação indébita de recursos públicos.

Renúncia ao salário ajudou Sekita na imagem de homem honesto a serviço dos pobres. Tal como Paulo Uejo o doutor dos humildes e oprimidos

Suposta renúncia ao salário ajudou Sekita na falsa imagem de homem honesto a serviço dos pobres. Tal como Paulo Uejo, o doutor dos humildes e oprimidos

A conta bancária n° 2267 – Agência 1820 aberta na Caixa Econômica Federal com a suposta finalidade de administrar fundos arrecadados para investimentos na área de saúde municipal, não passou de um simulacro para lavagem de dinheiro que ali entrava pela também mentirosa doação, agora comprovada, do salário de R$ 20 mil do prefeito Seiji Sekita e das arrecadações referentes à metade dos salários aumentados dos funcionários comissionados. Nem sequer se sabe o nome de alguma fundação hospitalar beneficiária da suposto gesto filantrópico do governante.

A propósito do salário de Seiji, o falso consultor Manuel Bibiano recebia R$ 24 mil, quatro mil a mais que o do mandatário, o que é proibido pela Constituição. Suspeita-se que Bibiano também fazia devolução de grande parte da remuneração, tendo o governante como beneficiário.

Durante os quatro meses de falcatruas mantidas no banco até o escândalo vir à tona, movimentou-se na operação de lavagem um total de R$ 250 mil. O único nome mantido na sombra foi o do consultor técnico Manuel Bibiano de Carvalho Neto, pela certeza, de todos os envolvidos, do seu impedimento de contratar com órgãos públicos.

Nos primeiros 60 dias, as operações não dispunham de conta bancária e eram controladas através de planilhas em mão da própria secretária Damaris de Jesus Santos, que guardava o dinheiro na gaveta de uma mesa no gabinete do prefeito.

Nas mãos do promotor Sérgio Álvares momentos decisivos na história política de São Gotardo

Nas mãos do promotor Sérgio Álvares Contagem momentos decisivos na história política de São Gotardo

Tão grave quanto isto é a demonstração de que o suposto salário de R$ 20 mil doado à área de saúde municipal e depositado na conta da CEF pelo prefeito, em favor da sacrificada área de saúde do município, não passou de uma  deslavada mentira eleitoreira. 

Descobriu-se   que ele e sua filha sacaram valores altos (apesar do nome de Renata aparecer não se acredita que soubesse das irregularidades do pai). Também se beneficiaram de somas volumosas o vice prefeito   Carlos Camargos (considerado o operador do esquema), a esposa de Manuel Bibiano, sra. Fátima Rosa Castro Carvalho e os filhos Nádia Castro Carvalho e Michel de Castro Carvalho. (Ver demonstrativo, acima, dos rotineiros saques, principalmente, os efetivados por Michel e Nádia)

O relatório a ser encaminhado ao promotor Sérgio Alvares Contagem é um dos mais bem redigidos e de boa assessoria jurídica já presenciados pela editoria deste site, em dezenas de CPIs acompanhadas. Nele se demonstra também que o prefeito Seiji Sekita, além dos atos de apropriação indébita, a mentirosa declaração de renúncia ao salário, lavagem de dinheiro e contratação de cidadão incluído no cadastro de ficha suja, cometeu o gravíssimo crime de prevaricação, qual seja o de, intencionalmente,  omitir e retardar informações.

De acordo com o documento, Seiji  violou princípios e regras constitucionais e infraconstitucionais, importando frisar, neste ponto, o efetivo dano ao erário que, para ser configurado, não exige a existência do dano  ou prejuízo material, pois a moralidade pública quando agredida, enseja censura.

E assim conclui: “todos os funcionários (comissionados) que devolveram dinheiro (para ser repassado a Bibiano) devem integrar o polo passivo da ação de improbidade, uma vez que contribuíram efetivamente para o esquema fraudulento. Sem eles, o “mensalão” não teria existido. Portanto, é inegável a compreensão de que também são réus e praticaram conduta descrita como ato de improbidade administrativa.”

  PERGUNTAS QUE NÃO

 QUEREM CALAR

Em sua defesa apegada a detalhes sem consistência, o prefeito de São Gotardo afirma que as operações das quais é acusado foram doações com finalidades filantrópicas e que não há crime nisto. E foi com base nas suas próprias palavras que praticamente se conduziu todo o trabalho de investigações da CPI.

Colocado à força na área de saúde, o corrupto Manuel Bibiani é o calcanhar de Achilis do prefeito Sekita

Instalado à força na área de saúde, o corrupto Manuel Bibiano é o calcanhar de Achilis do prefeito Sekita

Se não, vejamos: tivessem essas operações sentimento filantrópico, por qual o motivo foram encerrados os depósitos na CEF, assim que houve a denúncia? Porque os funcionários pararam de realizar doações tão logo pipocaram as acusações? Porque, logo em seguida, os comissionados foram dispensados? Será que se tornaram incompetentes, da noite para o dia? Ou foi a desculpa encontrada para distanciá-los das investigações e, quem sabe, porque Manoel Bibiano já havia sido dispensado, e o prefeito não precisava mais usá-los nas ditas finalidades? 

Se as doações eram filantrópicas, porque o prefeito não solicitou tais iniciativas dos outros funcionários e até mesmo dos vereadores? Porque os funcionários, após a dispensa, perderam o espírito de filantropia e deixaram de fazer contribuições? Teria sido por simples perda de tais sentimentos ou pelo fato de a fonte de escoamento criminoso de dinheiro ter sido estancada por causa das denúncias?

Sobre estas irregularidades, o prefeito chegou a ser advertido pelos treze vereadores, em reunião na Câmara realizada no mês de fevereiro de 2013 (Pelo que não se justifica nenhum deles ter ficado contra a CPI). O vereador Odair Mussi o repreendeu, publicamente, sobre as dezenas de processos nos quais Bibiano estava enquadrado, explicitando ainda  que o iguatamense não podia ser contratado, por se encontrar enquadrado na lei de improbidade administrativa.

O próprio vereador Gilberto Oliveira Cândido questionou o mandatário sobra a forma de pagamento a Bibiano, sem ele ter vínculo com a prefeitura. Por sua vez, o colega Ricardo Nunes fez a Seiji a seguinte pergunta: “Caso o contrate nessas condições, como fica nossa situação perante a Câmara?” A resposta do governante foi seca, grosseira e autoritária: “Nem as dezenas de processos, nem a improbidade administrativa, impedirão de contratá-lo, vocês tomem as providências que quiserem.”

Pela avaliação desse diálogo ocorrido no princípio do mandato é possível deduzir que a participação de Bibiano na administração municipal já estava sacramentada muito antes da posse de Seiji Sekita.

Negociata com ex-prefeito e médico Paulo Uejo complicou ainda mais a vida de Seiji Sekita

Negociata com ex-prefeito e médico Paulo Uejo complicou ainda mais a vida de Seiji Sekita

Não obstante, independente do relatório a ser encaminhado ao MP, inicia-se, também nesta terça feira, na área de saúde, a auditoria para avaliação de toda a documentação, notas fiscais de compra de remédios e material, bem como pagamentos de médicos contratados pelo próprio Manuel Bibiano. Em 2013, gastou-se quase R$ 16 milhões nesta pasta, R$ 7 milhões a mais, e tudo continua ruim, como antes.

E a cidade também amarga problemas insuportáveis com lixo acumulado, ruas e avenidas esburacadas e a dengue se espalhando, ameaçadoramente, aterrorizando os moradores, principalmente, nos bairros Boa Esperança e Nossa Senhora de Fátima.

A editoria deste site alertou, em matéria anterior, que  a sociedade são-gotardense se encontra perto de oportuna chance de aproveitar o momento para embrulhar Sekita e Paulo Uejo em um mesmo pacote e se desfazer deles, para sempre….! O povo não deveria deixar que os problemas destes dois se agravem, ainda mais, como ocorre, agora, com acúmulo de lixo, as ruas esburacadas  e a própria dengue.

 

 

 

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