Honorato: emprego para o genro falou mais alto

Honorato: emprego para o genro falou mais alto

O prefeito Seiji Eduardo Sekita, de São Gotardo, no Alto Paranaíba, discretamente, já está  pagando a conta do apoio negociado com vereadores para evitar sua cassação na CPI instaurada contra ele para investigação de práticas escandalosas na administração pública tais como um mensalão, fraudes para criação de uma conta bancária fantasma e renúncia mentirosa ao seu salário de governante.

Só que os elevados custos não estão sendo bancados com recursos financeiros do próprio Sekita, mas sim às custas do sofrido contribuinte. Pior ainda, o dinheiro para esta finalidade sai da área mais sacrificado do município, a saúde.

No Hospital Municipal (Santa Casa), desde 1° de maio, se encontra empregado no desnecessário cargo de subdiretor administrativo, com direito a uma sala particular, o genro do vereador Valdivino Honorato, de nome Bruno, cuja única função é ficar sentado, o dia inteiro,  diante de um computador, sem fazer praticamente nada.

No início da crise causadora das investigações na área de saúde envolvendo as relações do prefeito com o suposto consultor técnico hospitalar Manuel Bibiano de Carvalho Neto e, posteriormente, na fase da CPI, Valdivino Honorato figurou no papel de ferrenho defensor das apurações.

Entretanto, no encerramento do processo, repentina e estranhamente, na contramão de todas as provas de irregularidades acumuladas, preferiu situar-se ao lado de Seiji Sekita, por interferência do ex-prefeito Paulo Uejo. O emprego ao genro seria resultado de parte das condições de apoio.

A facilitação em favor da nomeação de Bruno ocorreu justamente após o acordo secreto firmado entre Seji e Paulo Uejo, veementemente rejeitado pela população de São Gotardo. Uejo foi derrotado nas últimas eleições por Sekita  que juramentou, em documento publicado por este site, seu propósito de não aceitar governar com forças políticas de outros mandatos. 

Mas atualmente, além de se deixar manobrar de forma submissa por Uejo, o atual prefeito entregou ao seu ex-inimigo político o principal cargo da prefeitura, a secretaria de Administração em mãos do vereador licenciado Claudionor Anicésio Santos.

Uejo é réu condenado na Justiça Federal a cinco anos de cadeia, por apropriação de verbas federais, e Claudionor está envolvido em crime gravíssimo de falsificação de documento da própria Câmara Municipal.

Não obstante, o acordo secreto não parece limitado somente a estes casos. Seiji estaria na iminência de ceder também ao ex-rival outro disputado posto da administração pública, a Secretaria Municipal de Obras.  Na cidade, corre a notícia de que o filho de Paulo Uejo, o ex-deputado estadual Chico Uejo, também acusado de irregularidades gravíssimas de enriquecimento ilícito, a qualquer momento, deverá assumir o comando da pasta.

Como se verifica, o atual mandatário, na tentativa desesperado de não ser ejetado da cadeira, abriu mão da autoridade e dos princípios da moralidade no serviço público em benefício de políticos que, até então, eram seus  inimigos declarados. Enveredou-se no mesmo equívoco de Lula, hoje, amigo dos seus antigos rivais, Fernando Collor, José Sarney, Paulo Maluf, Edson Lobão e Renan Calheiros, entre outros. Por causa disto, além de outros motivos, o governo petista de Dilma perdeu o respeito dos brasileiros.

Da mesma forma, não se pode entender a razão que leva um vereador como Valdivino Honorato – beneficiário de um salário de R$ 6 mil mais ajuda de custo factível de dobrar sua remuneração – colocar em risco um cargo altamente honroso em troca de iníqua negociata em favor do genro, ocasionando também graves prejuízos  morais ao município.

Um representante público quando no exercício honesto do posto tem chances de se aposentar em contínuas eleições, recebendo salário digno sem se deixar seduzir pela corrupção. Os eleitores, certamente, pelo poder sagrado das urnas, futuramente, também não abrirão mão de lhe apresentar a conta salgada de suas dívidas com o município.

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