O autoritário e abusivo poder da Copasa de impor taxações extorsivas empurradas goela abaixo dos usuários nos moldes das derramas praticadas no século XVIII nas minas de ouro sem ao menos dar satisfações públicas e ainda tripudiando sobre as leis acabou acendendo o estopim de um levante mobilizando dezenas de municípios mineiros, que pode levá-la, finalmente, a baixar sua crista e prestar contas dos seus atos na Justiça.

Câmara de São Gotardo decidida contra atos COPASA

Câmara de São Gotardo decidida contra atos da COPASA

Neste dia 28 último, centenas de vereadores, incluindo São Gotardo e São Sebastião do Paraíso, de onde partiram os primeiros protestos, lotaram o auditório da Assembléia Legislativa de Minas quando se denunciou, publicamente, que a empresa não apenas vem se apoderando, através de mecanismos escusos em conluio até com prefeitos, dos serviços de recolhimento de esgoto dos municípios assim como também oferecendo estrutura precária muitas vezes sequer funcionando.

Nesse encontro caracterizado por manifestações inflamadas de centenas de representantes de casas legislativas estiveram presentes, por São Gotardo, no Alto Paranaíba, os vereadores Célio Martins Reis (Célio das Caçambas), Valdivino Honorato, Marcilon Rodrigues e José Geraldo Vieira.

Eles retornaram de BH convictos de que a Copasa não vai escapar de vários questionamentos, na área judicial, entre eles o cancelamento dos contratos e devolução de tarifas acrescidas e valores por serviços não prestados. Muitos municípios manifestaram o interesse de se libertar da empresa, criando estrutura própria, assim como já ocorre em Uberlândia

Em relação a São Gotardo, todos os problemas estão ocorrendo por causa do contrato de concessão mal firmado com a empresa ( há quase seis anos) pelo então prefeito Paulo Uejo quando – na transferência a ela dos serviços públicos na área de recolhimento e tratamento de esgoto-  os privilégios concedidos foram avaliados como se verdadeiro presente de pai para filho, gerando graves suspeitas e profundos questionamentos. Ela se deu o luxo de escolher somente os serviços que lhe interessavam. Um dos avalistas da operação foi o próprio filho de Uejo, Chico Uejo, então deputado.

Tratou-se de uma operação de dilapidação do patrimônio municipal. Na oportunidade, foi revelado pelos diretores intimados que o balneário construído por Paulo Uejo, hoje, pertencendo à Copasa, só não rompeu ocasionando uma tragédia em virtude de investimentos preventivos suplementares estimados em mais de R$ 5 milhões

Geraldo Magela, gerente geral da COPASA no Alto Paranaíba, na Câmara, sem respostas convincentes

Comparecendo à Câmara de SG, Geraldo Magela, gerente geral da COPASA, no Alto Paranaíba, não teve  respostas convincentes 

Protestos iniciados em São Gotardo ganharam proporções no Estado

Protestos iniciados em São Gotardo ganharam proporções no Estado

Os movimentos de rua, em junho último, liderados pela advogada e professora universitária Sidney Miranda e suas amigas Rita Melo e Gabriela Nascimento, se concentraram diante do prédio da Câmara Municipal de São Gotardo quando, entre dezenas de reivindicações, a exigência do cancelamento do contrato com a Copasa, revisão das tarifas e devolução de valores cobrados ilegalmente foi uma das questões prioritárias.

O vereador Odair Mussi sentiu a legitimidade das reivindicações populares, denunciando as irregularidades e, em pouco tempo, os 13 vereadores, em peso, compraram a briga contra a Copasa. A primeira providência foi intimar seus dirigentes do Alto Paranaíba a prestar esclarecimentos na Câmara, mas pouca coisa foi resolvida a não ser o anúncio da inauguração, a partir de janeiro próximo, de alguns serviços  há vários anos atrasados.

Embora a iniciativa de romper com a firma se encontrasse respaldada em fortíssimo apoio popular, o prefeito de São Gotardo, Seiji Sekita não pareceu muito entusiasmado em tomar medidas contra a Copasa que, no seu entendimento, poderia marginalizar o município em projetos de interesse, como represália. Foi uma atitude considerada decepcionante, mas não esfriou os ânimos contra a firma, agora, sendo refletidos em nível de Estado, por intermédio da Assembléia Legislativa.

 

 

 

 

 

 

 

 

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