Povo reescrevendo  a história do Brasil

                    Povo reescrevendo a História do Brasil

“O intenso  período de manifestações em atos de violência de norte a sul  repete os momentos de “terror” e instabilidade da Revolução Francesa que, a partir da  Tomada de Bastilha, fez  refugiar – acovardados, trêmulos e  bem trancafiados em  suas mansões – os políticos  e aristocratas corruptos do primeiro estado, impotentes ante a reação  cheia de ódio incontrolável da turba esfomeada e cansada  de bancar privilégios da casta sangue suga”.

Em 1992, o então presidente Fernando Collor de Mello, numa súbita reviravolta por ele jamais pensada,  se viu despido das fantasias  de mocinho caçador de  marajás  e herói dos planos de congelamento para vestir a roupagem suja de vilão corrupto inimigo número um do povo,  atraindo  contra  ele toda a fúria e indignação deste país.

Em outras palavras, um político repentinamente rejeitado por uma nação inteira se viu jogado à rua da amargura, restando sozinho no palácio, tendo contra ele todos os setores  da sociedade, forçando  a Câmara e o Senado a votarem o seu impedimento, num processo político traumatizante.

À época, o impeachment teria sido uma dura lição aos políticos corruptos. Contudo, o tempo foi passando, coisa de 21 anos, mais da metade deles sob a égide Lula/Dilma, mas, pasme-se,   os atos de  safadeza e roubalheira contaminando todo o setor público, muito pelo contrário,  atingem proporções estarrecedoras, inimagináveis, insuportáveis.

Por causa da descrença generalizada nas instituições, as presentes manifestações de agora trazem mensagem   oposta às mobilizações contra  Collor. A sociedade em peso como se um gigantesco exército  se perfila sozinha no campo de batalha, contra o sistema vigente, para repensar seu país que nada tem a lhe oferecer. Não por acaso, os dizeres de um cartaz: “estamos reconstruindo o Brasil, desculpe os incômodos”.

Em mobilização inédita na história, sem nenhuma convocação de lideranças, livre de partidarismos, a sociedade  brasileira coloca no paredão a classe política, as instituições públicas, em todas as esferas,  corrompidas,  incompetentes, inoperantes, repletas de vícios,  inúteis, a serviço exclusivo de uma casta de privilegiados, repetidamente  se servindo do poder em proveito pessoal  e do enriquecimento ilícito.

Desta vez, apesar de, publicamente,  até aqui ninguém ter  ousado denunciar, tem-se clara e consistente  intuição  de que as instituições públicas  nas suas mais diversas    atribuições constitucionais, casas legislativas, Cortes de Justiça, executivo, enfim, todo os   poderes em nível, federal, estadual e municipal, se encontram  em franco processo de falência  e apodrecimento moral.

A população tem,  em definitivo, de forma natural,  a percepção de que já não mais dispõe  dos indispensáveis  serviços públicos para os quais paga extorsivos impostos e de que o Estado se encontra longe, distante, criminosamente omisso e indiferente aos graves problemas sociais.

De uma só vez, se dá conta de que as  áreas de Transportes, Saúde, Segurança e Educação, –  suas importâncias   estratégicas cinicamente  relegadas  a plano inferior como se desnecessárias – se encontram em regime  de real  colapso, completamente emperradas, enquanto, paralelamente, a sensação inevitável e inaceitável da  total impunidade dos responsáveis por  desvios de recursos fenomenais, volumes estimados em R$ 80 bilhões anuais, irrigando  crimes do colarinho branco  tais  como, por exemplo,  o escandaloso  processo envolvendo os  “mensaleiros”.

De toda essa trágica situação de sacanagem contra  o povo brasileiro — nunca  tornada pública pela grande imprensa cujo faturamento  em torno de quase 80 %  é originário dos governos, federal, estadual e municipal (estrategicamente a lhe comprar  silêncio) —  a população se apercebeu, ressentindo na própria pele, de forma dolorosa, desesperadora, de desalento,  quando sai em busca do setor  público necessitada  de ajuda, de socorro, mas    que  jamais  vai encontrar.

Sem mais alternativas, saiu, maciçamente, para as ruas, gerando perplexidade em todo o planeta, em todos os confins bombardeados com propagandas enganosas sobre o Brasil.

O já intenso  período de manifestações em atos de violência  de norte a sul  repete os momentos de “terror” e instabilidade da Revolução Francesa que, a partir da  Tomada de Bastilha, fez  refugiar – acovardados, trêmulos e  bem trancafiados em  suas mansões – os políticos  e aristocratas corruptos do primeiro estado, impotentes ante a reação  cheia de ódio  incontrolável da turba esfomeada e cansada  de bancar privilégios da casta sangue suga.

As situações que se sucederam, de vandalização e depredação de bens públicos e privados — instalando-se o período de  “terror” (termo real usado) pelo qual  milhares de cidadãos foram levados à guilhotina, entre eles, Luiz XVI e Maria Antonieta — só se encerrou quando a nação esvaiu-se em si mesma, no mais completo esgotamento,  após um número incontável  de vidas ceifadas, criando-se então o cenário favorável  à ascensão  de Bonaparte, como salvador da pátria.

No próximo dia 14 de julho, comemora-se os 224 anos desta sangrenta revolução   geradora de profundas e  radicais mudanças no mundo político  ocidental cujas lições os governantes do nosso país  jamais  assimilam. Entretanto, um momento oportuno para reflexões profundas.

 

Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedinmail
rss