Moro e Lula, o mocinho e o bandido

O três de maio próximo terá significado de data histórica prometendo fortes emoções, em dose dupla, de inevitável teor explosivo e cujos ingredientes a tornarão inesquecível, seja pelo ineditismo de envolver personalidades centrais, seja  pelo ambiente carregado de profundo constrangimento. Com certeza, as horas que a precederão serão de exacerbado nervosismo, tensão, stress, além das consequências imprevisíveis.

Pois muito bem! Nesse dia, na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, se dará, finalmente, a partir das 14 horas, o mais aguardado confronto entre dois brasileiros, um do Norte o outro do Sul, quando se baterão de frente, num duelo de mocinho contra bandido, o juiz Sérgio Moro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu acusado em hediondos crimes de lesa-pátria.

Na sala de audiência haverá um silêncio tumular. Não faltarão mesuras forçadas. Excelência pra cá, excelência pra lá! Tudo conforme as regras de boa conduta. Que não disfarçarão o pesado clima de vida e morte pairando no ar!  Lula vai suar frio no rosto e nas mãos. Interesses radicalmente opostos estarão em jogo.

Situações, enfim, que o réu vem espertamente conduzindo para o cenário político e cujas repercussões tiveram o perigoso efeito de seccionar o país em dois campos de batalha.

Separados por uma distância não superior a dois metros, em clima de total desconfiança, eles terão de se encarar, se olharão de frente, um verdadeiro tete a tete. Da parte de Lula e sua truculenta equipe de defesa, Moro será visto como se perigoso e perseguidor  xerife inimigo do petismo, a ser combatido. Já na visão do sensato e equilibrado Moro se dará o contrário. Lula ali comparecerá cumprindo intimação de rotineira audiência de instrução criminal tal e qual um reles bandido entre os muitos por ele interrogados.

Uma coisa, porém,  é certa. O petista não terá nenhuma dúvida de que, no duelo a ser travado, só haverá um mocinho: Moro. E ele, o delinquente a ser batido.

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