Rio Indaiá, ainda límpido e sereno buscando o São Grncisco

Rio Indaiá,  límpido e magestoso buscando o São Francisco

Recentemente, numa completa confirmação de irregularidades gravíssimas antecipadamente denunciadas pelo geólogo Gervásio Ferrari, uma perícia determinada pelo Ministério Público de São Gotardo, no Alto Paranaíba, reprovou o Relatório de Impacto Ambiental-RIMA da firma Verde Fertilizantes, de exploração de potássio nos maciços do Rio Indaiá.

Some-se a este fato as bombásticas informações vindas de Toronto e Inglaterra, respectivamente, atestando sobre a inviabilidade econômica da rocha verdete e que a empresa não dispõe de tecnologia para fazer frente ao empreendimento.

Temos aí, então,  que a firma, em se tratando de potássio,  não tem mais o que fazer na região. Seria inexplicável outra concessão a ela, para elaboração de novo relatório.

Nesse sentido, o Centroesteurgente publica, abaixo, considerações técnicas e científicas de Gervásio Ferrari mostrando uma seqüência de erros e atitudes de ma fé cometidos pela Verde Fertilizantes desde o princípio  até a última pá de cal em seus objetivos.

Ferrari entende que  VF errou demais e se enroscou no próprio emaranhado

Ferrari entende que VF errou demais e se enroscou no próprio emaranhado

Inicialmente, conforme explica Gervásio Ferrari,  o roteiro de produção industrial a ser apresentado ao mercado pela Verde Fertilizantes foi o “Termofosfato de Potássio”, mas após denúncias do próprio geólogo, de que o sistema simplesmente não funcionaria por causa do baixo teor de fósforo contido no verdete, ela partiu, imediatamente, na busca  de um novo simulacro, o “Termopotássio” com venda subsidiada de até 95% do valor.

Mas também os enunciados desse improviso acabaram sendo encostados, rapidamente, graças a novas denúncias sobre  insolubilidade e outros riscos do produto feitas pelo geólogo, publicadas  no Centroesteurgente,  forçando a firma a engendrar  um outro rótulo com o  nome de “Cloreto de Potássio”.

A mudança foi, de fato, procedida em ritmo acelerado,  entre o dia da apresentação à imprensa (27/10/12) e a Audiência Pública, exatos 30 dias depois (27/11/12), no Parque de Exposições de São Gotardo. Mas como diz o ditado, a pressa é inimiga da perfeição, ainda mais quando se comete ilegalidades. Na correria contra o tempo, alguém, por ter ouvido falar do sucesso,  teve a idéia, prontamente  aceita, de se adotar a queima da rocha  verdete com cal e este acabou sendo o processo apresentado no EIA/RIMA, no Parque de Exposições de São Gotardo.

Entretanto, para se ver o quanto esse projeto foi caracterizado pela falta de escrúpulos, objetivos técnicos e científicos, a VF – ao adotar a precipitada alteração do roteiro inicial da queima da rocha  verdete com calcário para o presente modelo com cal – se esqueceu de que este, pela sua cor e pureza, tem multi utilidade. Não teria cometido tantos erros crassos se tivesse acessado trabalhos sérios que, por coincidência ou não, já se encontravam  à disposição de qualquer pesquisador, desde meados de 2012, na internet, sob o título: “VERDETE DO CEDRO DE ABAETÉ COMO FONTE DE POTÁSSIO, CARACTERIZAÇÃO, TRATAMENTO TÉRMICO E REAÇÃO COM CaO”.

Nesse competente trabalho científico, pesquisadores do CETEM (Centro de Tecnologia Mineral, RJ) e do Instituto de Química da UFRJ apresentam testes do verdete puro e/ou misturado a cal (CaO) objetivando determinar o percentual de extração do óxido de potássio. (Registre-e que a VF, nesse período, já era acusada de ter apagado, na internet, dados importantíssimos deste mesmo CETEM, sobre pesquisas comprovantes de teores de potássio no verdete muito abaixo dos preconizados por ela)

Para tanto, técnicos do órgão apresentam as análises químicas do verdete e seu teor de 6,95% de óxido de potássio em confronto direto ao apresentado no EIA/RIMA. Prepararam quatro amostras de 10 gramas cada: a/ verdete puro; b/misturas de 9,0gr de verdete com 1,0 de cal; 8,0gr de verdete com 2,0gr dw cal; 7,0gr de verdete com 3,0gr de cal.

As amostras foram cozidas a 1.200 graus por três horas, a massa vítrea formada sofreu choque térmico com água fria, passou por moagem mecânica para quebrar ao máximo a estrutura da bolota vítrea formada e o material finamente moído foi imerso em frasco contendo 50ml de ácido cítrico por quatro horas.A eficiência percentual mais elevada de extração de óxido de potássio do verdete é comprovada laboratorialmente na mistura de 8,0 gramas de verdete (80%) e 2,0 gramas de cal (20%) em 7,67% do peso total do óxido de potássio contido no verdete.

Assim, o baixíssimo percentual de liberação 7,67% do teor de óxido de potássio contido em 8,0 gramas de verdete (8,0 multiplicado por 6,95=0,5660gr e  este valor multiplicado por 7,67%=0,04265gr) passível de utilização pelas plantas contrapõe frontalmente com 92,33% do óxido de potássio restante nas 8,0 gramas de verdete (0,566-0,0426=0,5234gr) que permanecerá para sempre insolúvel. Sobrou para a “INVIABILIDADE ECONÔMICA”, que assistia o processo, a ingrata tarefa de enterrar a rota cloreto de potássio e, com pesar jogou a última pá de cal.993975_673710005991329_1329818133_n

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