Entre os dias 2 e 5 de agosto,  logo após  o retorno das atividades legislativas municipais, o geólogo Pedro Gervásio Ferrari, 77 anos, ex-chefe, durante 17 anos, do Departamento de Geologia da CPRM,  deverá se fazer presente em São Gotardo, no Alto Paranaíba. 

O motivo é um convite do presidente  da Câmara de Vereadores, Claudionor Anicésio Santos, para ele assumir o posto de orientador de uma equipe técnica com a missão de avaliar os novos levantamentos determinados pelo Ministério Público em relação ao  projeto de exploração de potássio da firma Verde Fertilizantes, no município.

O relatório anterior da empresa, de impacto ambiental, é apontado por Ferrari como um grosseiro pacote  de mentiras e gravíssimas irregularidades.

Decisão do presidente da Câmara  partiu de clima  suspeito desgastante envolvendo a  Verde Fertilizantes

Decisão do presidente da Câmara partiu de clima suspeito desgastante envolvendo a Verde Fertilizantes

Na verdade, a própria ação civil que investiga o caso se encontra sob sérios questionamentos. Nela, a   firma figura na condição de ré  sob  forte suspeição, mas, mesmo assim, o ex-promotor de São Gotardo, Cléber Couto e seu colega Marcelo Maffra, de Patos de Minas, pasme-se, a contemplaram com tratamento privilegiadamente diferenciado de poder contratar  um escritório técnico para avaliar  seu   próprio projeto pelo qual já pagou  R$ 150 mil, antecipadamente.

Nos meios jurídicos,  essa inexplicável e incomum condescendência  virou alvo de muitas críticas, em clima de verdadeira chacota, por ser muito difícil uma justificativa plausível de  como se daria  o comportamento de isenção ética desse  escritório ante o obrigatório dever de   falar mal ou dar bomba no RIMA da firma que lhe pagou  regiamente.

Mais incrível ainda é o fato de  Couto ter menosprezado sugestões publicamente manifestas do geólogo Gervásio Ferrari  indicando competentíssimas e gratuitas equipes técnicas de  universidades públicas federais  sem qualquer outro custo para o Ministério Público. Nada disto foi levado em consideração pelo então promotor de São Gotardo que preferiu viajar  para BH onde  firmou  com a VF o  acordo privilegiando a ela  o direito de contratar   um escritório com a hilária (se não trágica) missão.

Conhecedor profundo do processo, Ferrari poderá ser contratado para acompanhar o novo relatório a ser apresentado pela VF

Conhecedor profundo da questão, Ferrari poderá ser contratado para acompanhar o novo relatório a ser apresentado pela VF

No entendimento de juristas, repercutiu muito mal a ida de  Couto  a BH atrás da VF, justamente, a firma apontada   como ré suspeita  de gravíssimas acusações. A obrigação deste deslocamento, em qualquer situação,  seria,  forçosamente, desta firma, em nome da transparência no serviço público e, principalmente, por ela estar sendo  acusada de fraudar um documento pela prática de irregularidades atentatórias  contra o meio ambiente.

Bem pertinho de São Gotardo, mais precisamente em Rio Paranaíba, na Universidade Federal de Viçosa – UFV, os representantes do Ministério Público poderiam ter requisitado, gratuitamente, competentes equipes de geólogos, biólogos e engenheiros químicos, isentas de quaisquer questionamentos, para acompanhar o processo, mas simplesmente não quiseram fazê-lo.

Por causa disto,  neste dia 09 último,  o presidente da Câmara Municipal, Claudionor Anicésio e os vereadores membros da comissão criada para acompanhamento do caso, Odair  Mussi, Valdivino Honorato de Oliveira e Ricardo Nunes,  estiveram em Rio Paranaíba, na referida universidade  e   pactuaram com a reitoria a disponibilidade  de um geólogo e um engenheiro químico que vão avaliar, provavelmente, em auxílio a Pedro Ferrari,  o novo relatório de impacto ambiental a ser apresentado pela Verde Fertilizantes.

Segundo informações, o vereador Odair Mussi estaria revoltado com as indefinições e procedimentos duvidosos   sempre característicos  da empresa e, definitivamente,  quer botar a questão em pratos limpos.

Por sua vez, o presidente da Câmara, Claudionor Anicésio, deixou claro a este site  já não ser mais possível conviver com as dúvidas e suspeitas em torno da VF, pois  ela nunca mandou à cidade um representante de peso  munido de  autoridade e autonomia para decidir sobre arrastadas questões que    colocam em cheque  a credibilidade em torno de suas propostas. (Ler matéria “Câmara de São Gotardo Encosta  Verde Fertilizantes no Paredão”)

INCERTEZAS PODEM OCASIONAR 

QUEBRADEIRA GENERALIZADA

Há mais de quatro anos    marcando presença com a força de poderoso  lobby pelo qual vem prometendo gerar enormes riquezas em São Gotardo e Matutina  a VF acabou disseminando esperançosas expectativas junto à população dos dois municípios. O resultado de tudo isso pode ser verificado em  maciços investimentos paralelos  de grosso calibre, na região.

São Gotardo tem  uma população de 40  mil pessoas distribuídas em cerca de 12 mil casas e, agora, em face do badalado empreendimento de potássio, conta com mais 11 loteamentos representativos  de cinco mil moradias quase a metade das já existentes.  Dentro das condições econômicas atuais, o município não tem como absorver tão grande número de unidades. Algumas imobiliárias já anunciam  preços de até  R$ 100 mil, o que é uma temeridade, confiando num mercado promissor. Até mesmo um hotel de alto padrão já estaria em fase de edificação.

O que se lastima em torno de tudo isso é o fato de os prefeitos de São Gotardo e Matutina não virem a público manifestar seus posicionamentos, seja de reprovação ou de apoio ao empreendimento da VF.  Usando o  “jogo de empurra” eles transmitem    aparente decisão de concordância, motivando  o surgimento  de investimentos paralelos. Sequer pararam para pensar sobre  riscos de uma quebradeira generalizada em seus municípios, em efeito cascata.

Falência em efeito cascata se dá quando, por exemplo, uma empresa de grande porte se torna insolúvel deixando de honrar seus compromissos na praça junto a fornecedores e instituições financeiras. Imediatamente, os credores afetados também deixam de quitar suas dívidas  e, em cadeia,  a bancarrota vai sendo repassada,  afetando todo o comércio de um município, ocasionando até mesmo desemprego em massa. A rede varejista que trabalha com vendas a prazo costuma  ser a mais prejudicada. Recentemente, as cidades de Morada Nova e Tiros se viram forçadas a viver tal crise, no frustrado e desonesto projeto de exploração de gás.

Sem se manifestar, até hoje, pelo apoio ou não do projeto de potássio, o prefeito Sekita corre riscos de amargas surpresas

Sem se manifestar, até hoje, sobre o projeto de potássio o prefeito Sekita corre riscos de amargas surpresas

No caso de São Gotardo, o prefeito Seiji Sekita, estaria optando por ficar “em cima do muro” na tentativa de usar o suposto empreendimento como cacife para conseguir   liberações  de verbas junto ao Governo Federal.  Dificilmente, contudo, ele terá uma saída política na hipótese de a  cidade experimentar o terrível  efeito cascata provocado por quebradeira generalizada.

A Verde Fertilizantes, conforme  o leitor está verificando, não dispõe, hoje, de nenhum dos requisitos básicos exigidos  para se colocar à frente de um projeto de extração de potássio nos maciços do Rio Indaiá  tais como credibilidade  moral, técnica, científica e financeira.

No dia 28 de novembro do ano passado, seu próprio diretor para assuntos econômicos, Milson Mundinho, durante entrevista no Hotel Bom Tempo,  deixou claro ao editor deste site que ela se acha  desprovida de recursos financeiros próprios  e que sem o apoio e aval dos moradores de São Gotardo e Matutina o projeto estaria morto, seria arquivado, pois não tinha como acessar os recursos do Banco Mundial e BNDES.

Isso explica, claramente, a tentativa permanente dela de  conseguir, através do convencimento das autoridades locais, um atestado de idoneidade industrial para se habilitar aos empréstimos.

Entretanto, é muito importante o questionamento em torno do que esta empresa faria com os recursos, no caso de os obter,  pois demonstra incapacitação técnica até mesmo quando não dá satisfação pública aos desafios  do geólogo Ferrari  sempre lhe  pedindo  respostas à  uma série de perguntas de ordem técnica e científica, além dos evidentes sinais de não possuir  tecnologia para extração do potássio.

Em quatro anos de muita  badalação nestes municípios, prometendo, entre outras coisas,  quatro mil empregos diretos, uma linha férrea e um distrito industrial,  tudo que a Verde Fertilizantes possui nestes municípios, como sinal de sua existência, são três supostos funcionários. Um em São Gotardo  e dois em Matutina. Certamente, isso não é próprio de uma empresa que se coloca à frente de um projeto maduro, viável e idôneo, estimado em R$ 6 bilhões.

Para se avaliar esse seu estilo pouco convincente de atuar, há poucos dias, o nacionalmente conhecido e polêmico Eike Batista aprovou, sem delongas, um projeto de mineração, em Betim, perante órgãos ambientais e municipais, sem uso de nenhum tipo de “convencimento”  ou promessas sedutoras. Apenas agindo dentro da legalidade.

Também chama atenção o fato de só a VF mostrar interesse  no potássio do Indaiá conhecido desde os anos 70.  A Vale Rio Doce, Petrobrás, nenhuma delas quis a ele se habilitar.  Produto estratégico de altíssimo valor,  existem verdadeiras batalhas de bastidores disputando seus direitos de mineração. Curiosamente, nos municípios de São Gotardo e Matutina só uma firma sem dinheiro se interessa por ele. Não aparece, de qualquer parte do mundo, uma concorrência sequer.

 E olha que qualquer empresa poderia explorá-lo, se o quisesse, pois a VF não possui um metro sequer de terra no verdete. Em quatro anos, nem mesmo um escritório ela tem em São Gotardo. E qual seria o motivo de tanto desinteresse  dos grandes grupos? Ora, exatamente, pela inexistência, em qualquer parte do planeta, de uma tecnologia capaz de torná-lo viável, economicamente.

 (ESTE SITE SEMPRE MANIFESTOU  PÚBLICA E CLARA  DISPOSIÇÃO DE SE COLOCAR À INTEIRA DISPOSIÇÃO DA FIRMA VERDE FERTILIZANTES PARA DEVIDOS ESCLARECIMENTOS, OFERECENDO-LHE  O MESMO DESTAQUE,  A RESPEITO DOS FATOS ENVOLVENDO SUAS ATIVIDADES)

 centroesteurgente@yahoo.com.br

 

 

 

 

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