No próximo dia 27 de agosto, São Gotardo, no alto Paranaíba, completa 126 anos da Lei Kerdole que a batizou com este nome inspirado no santo alemão Sankt Gothhard. 

Um mês depois, dia 30 de setembro, comemora seus 99 anos de emancipação política, faltando muito pouco para a grande festa do centenário.

E não pode ser esquecido, claro, seu aniversário de 178 anos de existência, quase dois séculos desde a fundação, em 1836,  com o nome de Arraial da Confusão.

Mas quem estiver à espera das tradicionais festas e desfiles de estudantes nas avenidas, ruas e praças embaladas pelo alegre ruflar dos tambores como se chamando o povo para fora de suas casas, podem tratar de se esquecer, inclusive, do evento de 7 de Setembro, pois o prefeito Seiji Sekita, pelo segundo ano seguido, sem uma explicação plausível e convincente, cancelou todas as programações.

Não nascido em São Gotardo, o governante assim se comporta desde sua posse, em relação aos valores e tradições culturais locais. Mandou dizer que sua decisão foi por medidas econômicas.Estaria poupando para as festas do ano que vem, mas as informações são de que a Prefeitura está literalmente quebrada, remanejando verbas. Sua justificativa foi recebida com sarcasmo e risadas por muitas diretorias escolares.

Sekita:  incapaz de captar  sentimentos de um povo

Sekita: incapaz de captar sentimentos de um povo

É necessário registrar, não obstante, que ele está sendo acusado, em CPI,  por grandes desvios de recursos públicos pelos quais poderá até perder os direitos políticas. Ano que vem, portanto, pode nem estar à frente do comando. 

A cada dia, fica mais comprovado que um governante deveria  ser escolhido pelo quanto está enraizado ao município por laços de amor, pois, em assim sendo, jamais deixará de respeitar o patrimônio cultural, os valores cívicos locais e saberá zelar, com abnegação, dos seus monumentos, prédios, ruas e praças. O estado de abandono da cidade é uma realidade cruel de como se comporta a administração do atual prefeito.

Por causa de atitudes como esta, lamentavelmente, acatada pela Secretaria Municipal de Educação, pode-se dizer que a população pouco ou nada se interessa pela história local. Um exemplo espantoso disto: a maioria dos moradores nem mesmo sabe  que o padre deputado Miguel Dias kerdole, autor da lei que batizou a vila de São Sebastião do Pouso Alegre com o nome de São Gotardo, embora idêntico ao sobrenome do fundador Joaquim Gotardo, jamais se inspirou nele, nada teve a ver com ele.

Com toda a certeza, o homem cujo exemplo de vida inspirou o atual topônimo nasceu, viveu e morreu na Europa. A participação histórica de Joaquim Gotardo de Lima se limita ao seu mérito de ter estabelecido o Arraial da Confusão, em 1836.

Em São Gotardo tudo funciona às avessas. Parece piada, mas é assim mesmo! Os educadores das escolas municipais e estaduais locais, de ensino básico e secundário, apesar de quase todos já conhecerem os fatos aqui apontados, persistem no erro. Claro que por imposição dos seus superiores.

Ano passado, a secretária de Educação, Marilene Teodoro, teve oportunidade de rever essa aberração, mas optou  por deixar as coisas como estão. Sequer se criou uma comissão para avaliação da nova versão.

Tamanha bobagem de se atribuir a Joaquim Gotardo o nome do município já foi desmistificada, há quase uma década, pela editoria deste site.

No ano de 1885, a atual cidade ainda se chamava São Sebastião do Pouso Alegre. O vigário local era o padre e também deputado Miguel Dias Kerdole muito estimado nas localidades vizinhas, principalmente, Tiros.  

Ele estava mesmo decidido a alterar o nome dela para o de São Gotardo, mas, na sua visão de obediente religioso aos preceitos católicos, a pessoa do fundador  não era um modelo exemplar de cristão enquadrado nos seus propósitos.

Não que o visse  como um inimigo. Nada disto. Afinal, Joaquim, na honrosa posição de patriarca, poderia, sim, dar seu nome à então vila. Mas nunca na representação de santo, coisa que ele estava longe de ser. Ao olhos da Igreja, ele era um grande pecador. Um pecador, sim, que  deixou sua legítima esposa na Vila de Carrancas, no Sul de Minas, para viver outra relação amorosa, no Arraial da Confusão da qual nasceram três filhos naturais.  

Resumindo, como  fiel representante da Igreja, Kerdole jamais afrontaria as leis eclesiásticas no intuito de rebatizar a Vila de São Sebastião do Pouso Alegre, com o sobrenome de Joaquim elevado à condição de santo.

Além disso, acrescente-se o incrível fato de que a vila de São Sebastião fora batizada com este nome num dia 4 de maio, exatamente, a mesma data comemorativa, na Europa, do falecimento de um bispo beneditino, alemão, muito bondoso, defensor dos pobres, famosíssimo em todo o continente, realizador de poderosos milagres, canonizado em 1.131, pelo Papa Inocêncio II.  Seu  nome: Sankt Gothhard ( São Gotardo).

Foi pesquisando as folhas do calendário de santos e mártires da Igreja Católica que o editor deste site encontrou, finalmente, em janeiro de 2008, a chave para a solução do enigma. E descobriu, então,  uma conjunção espetacular de coincidências! A data do batismo da vila (4 de maio) era a mesma do falecimento de Sankt Gothhard, reverenciada mundialmente, e cujo nome era também idêntico ao de Joaquim Gotardo e exatamente  igual ao da cidade São Gotardo. Simplesmente inacreditavel!

E mais: Miguel Kerdole, certamente, se aproveitou da surpreendente coincidência do sobrenome de Joaquim Gotardo e do bispo alemão Sankt Gothhard, para alterar o topônimo do então distrito.

Muitas outras descobertas que se sucederam em efeito cascata, a partir daí, são surpreendentes e marcantes de uma história tão bela como as de quaisquer outras cidades seculares de Minas, destacando-se a inteligência e sagacidade do padre Miguel Dias Kerdole bem como a forte presença do bispo Sainkt Gothhard”  nos principais países da Europa e no Sul do Brasil, até os dias de hoje, sob a influência de alemães e italianos.

LER, NESTE SITE, MATÉRIA; “SÃO GOTARDO, HISTÓRIA MARAVILHOSA QUE A HISTÓRIA NUNCA CONTOU”

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