Manuel Bibiano, jogadas de risco vieram à tona

Manuel Bibiano: jogadas de risco vieram à tona

Vai se tornando cada vez mais complicado e incerto o futuro político do prefeito de São Gotardo, no Alto Paranaíba, Seiji Eduardo Sekita, presentemente, metido numa grande enrascada já existindo opiniões de juristas de que ele, dificilmente, escaparia de perder seus direitos políticos por estar sendo acusado de irregularidades semelhantes às do “mensalão”  do PT, envolvendo a cúpula nacional.

Pesa contra o mandatário, também do PT, graves denúncias sobre seus atos administrativos  nos quais teria cometido improbidade  em favor do ex-consultor técnico para assuntos hospitalares, Manuel Bibiano de Carvalho, natural de Iguatama, a quem se pagava gordo salário sem os mecanismos de transparência pública.  Elas vêm sendo investigadas pelo delegado de polícia de Rio Paranaíba, Ítalo Oliveira Cardoso Boa Ventura. Inicialmente, foram  conduzidas pela polícia de São Gotardo.

Pelos depoimentos tomados de vários ex-funcionários, entre ocupantes de cargos de confiança  e menores  escalões, Boa Ventura  já  teria dados comprovando a existência  de um “mensalão” na prefeitura de  São Gotardo nos mesmos moldes do praticado pela cúpula do PT, em Brasília, já  julgado, criminalmente, pelo Supremo Tribunal Federal  e com ordens recentes de prisões  expedidas. Cerca de 10 servidores já compareceram ao delegado de Rio Paranaíba. Faltam outros cinco.

A razão desta ilicitude, segundo fontes bem informadas, foi decorrente de outra situação de  ilegalidade, também gravíssima. Pelo fato de Bibiano ser político cassado, em Iguatama/MG, acusado de improbidade administrativa, estava automaticamente impedido de ocupar cargos públicos ou ter serviços contratados. (Curiosamente, em 10 de março venceu, perante a lei, o prazo de sua punição e ele já poderia participar de prestação de serviços públicos, mas sob o ponto de vista ético, seu condenável passado à frente da prefeitura de Iguatama não o recomendava)

Não obstante, Sekita resolveu contrariar conselhos de amigos e advertências de vereadores, decidindo que o iguatamense seria um assistente pessoal seu, recebendo salário por trás dos panos. E ainda afirmou: “não sei se ficarei no posto por mais dois, três ou seis meses, mas Bibiano vai trabalhar conosco”.

Hoje, o mandatário  paga um preço político muito caro, pela imprevidência. Isto por que alguns servidores confirmaram ao delegado Ítalo seus papéis de “mula”’ para disfarçar a gorda remuneração  do ex-prefeito de Iguatama, dentro de um sistema similar ao “mensalão” do PT nacional.

E, assim, durante reunião da qual teria participado até o vice-prefeito Carlos Camargos se decidiu que o pagamento ao consultor técnico, não podendo ocorrer pelo sistema de transparência pública, haveria de ser retirado de salários aumentados dos funcionários comissionados (cargos de confiança).  Ou seja, eles devolveriam a Bibiano a diferença necessária a cobrir seu gordo holerite, equiparado aos dos médicos, em depósitos na agência 1820 da CEF, conta n° 22678-4, em nome de Sekita, Damaris Jesus Santos, a secretária de agricultura Leigiane e de Tarcísio Melo.

Prefeito Sekita tem dura missão, pela frente

Prefeito Sekita tem dura missão, pela frente

Por exemplo, quem recebia salário de R$ 6 mil devolvia a metade ao ex-prefeito de Iguatama. E durante um bom tempo o dinheiro era repassado pela secretária Damaris em cuja gaveta ficava guardado. Houve, então, o caso do patroleiro, que teria de devolver R$ 800,00 de um ganho  elevado para R$ 1.800,00. Mas foi exatamente esse servidor a chama do rastilho que explodiu o paiol de pólvora. Ele tomou a decisão de não repassar a diferença a Bibiano e foi aconselhado a entregá-la, diretamente, ao prefeito. Pelo visto, Sekita não teve a necessária visão do problema, pois, a partir daí, o caso escapou ao controle sigiloso do grupo. Certamente, para um bom servidor público deve ser constrangedor o forçado papel  de “mula”, todos os meses, para bancar situações que ferem os princípios da ética.

(RECONSTRUINDO OS FATOS) – Em janeiro último, Manuel Bibiano de Carvalho, 61 anos, e sua filha Nadia de Castro Carvalho assumiram importantes cargos na área de saúde de São Gotardo. Ele, contratado para o cargo de consultor técnico da rede hospitalar local, constituída de seis postos, e Nádia, para o posto de diretora do Hospital Municipal.

Em pouco tempo, os dois entraram em conflito com o quadro administrativo e o clima de animosidade se estendeu à população. Tanto pai como filha eram rotineiramente acusados de abuso de poder, desrespeito e constantes ameaças contra funcionários.  O atendimento médico foi duramente afetado e houve dois óbitos decorrentes de omissão médica e falta de fiscalização dos serviços, incluindo-se o acúmulo de  lixo hospitalar em todos os postos de saúde.

Eticamente falando, nunca foi uma decisão correta de se colocar duas pessoas de uma família numa mesma área de serviço. Nos seis meses do exercício de sua função, Bibiano foi, de fato, o verdadeiro secretário municipal de Saúde, passando por cima da autoridade do titular da pasta, Lauro Prados.

A Câmara Municipal iniciou investigações e comprovou as denúncias de brutalidade. O resultado é que tanto Bibiano camo Nádia acabaram alvos de três processos na área civil e criminal, por iniciativa de um funcionário e dos vereadores.

Finalmente, após seis meses de muitos confrontos, já sem poder conter a onda de revolta que vinha das ruas, Sekita  não teve outra alternativa: demitiu os dois. Mas o passado de Bibiano permanece vivo na cidade como se um assustador fantasma tirando o sono do prefeito.

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