Sekita ainda merece crédito de confiança, na opinião da maioria do povo

Sekita ainda merece crédito de confiança, na opinião da maioria do povo

Como se já não bastasse figurar na trágica condição de município extremamente endividado  que mal pode enquadrar as rotineiras despesas ao irrisório orçamento destinado à sua população de 40 mil pessoas, São Gotardo, no Alto Paranaíba, parece predestinada, nos últimos anos, a conviver em meio a intermináveis crises sempre repassadas de um prefeito para outro. No presente cenário político vai se consolidando a convicção de que a cidade está muito perto de reviver novo capítulo desta triste sina. Enfim, uma reedição de violenta e conflitante batalha a ser travada no campo jurídico e cujo alvo é o próprio pescoço do atual prefeito Seiji Eduardo Sekita, conforme já deixa transparecer, sem segredos, o clima político na cidade.  O mandatário poderá ser enquadrado em crimes de responsabilidade e improbidade administrativa.

Numa trincheira, em cômoda e vantajosa posição de franco atirador, se encontra a Câmara Municipal representada por larga maioria de vereadores. Na outra, como se alvo de certeiro tiro, em reconhecida situação de precária base de apoio, o atual prefeito Seiji Sekita. Só teria dois vereadores na sua defesa.  De fato, pela leitura dos números, a cassação do mandatário seria tão fácil quanto surrupiar picolé de uma criança. Algo como um massacre.

A situação é gravíssima, de claro confronto, mas, de certa forma, vem sendo provocada pelo próprio Sekita, um político pouco afeito ao diálogo, eterno teimoso, desafiador, autoritário, não aceita acordos, não volta atrás nem mesmo quando erra, além de ter feito várias nomeações geradoras de transtornos ao município.

É certo que os inimigos de Sekita estão planejando aplicar-lhe a pena capital.  O rastilho de pólvora está aceso. A explosão pode ser questão de tempo, mas resta saber se tal guerra, com altos custos financeiros, terá as bênçãos da sociedade.  O país vive momentos angustiantes. Ainda se pode apagar o pavio da crise. Afinal de contas, quem lucraria com a cabeça de Sekita numa bandeja? Dizem que antigas forças presentemente derrotadas se beneficiariam, pois o atual vice tem suas raízes políticas plantadas nelas.

Além disto, nem todos os moradores do município comungam das intenções dos vereadores. Levando-se em consideração as avaliações de cinco deles entrevistados por este site (três homens e duas mulheres) o prefeito ainda não se enquadraria nesta ameaçadora situação da  perda de cargo. “Não que ele não tenha feito bobagens, mas até hoje ninguém o viu metido em corrupção como nos mandatos anteriores”, afirma um funcionário público aposentado.

Todos os entrevistados acham que o mandatário ainda é merecedor de confiança. Na opinião dos cinco está faltando alguém de peso e credibilidade para funcionar como interlocutor entre as partes. “Essa tipo de briga não resolve nada, queremos paz, bons acordos”,  diz um deles para quem o país todo está em crise e São Gotardo  só vai piorar  ainda mais. Uma proprietária de loja na Rua Bento Ferreira assim declara: “no passado do qual todos se lembram cassaram o mandato de Paulo Uejo, mas a cidade não melhorou em nada. Sekita, no próximo ano, só precisa reformular a equipe dele. Confiamos no equilíbrio de uns bons vereadores que temos lá”.

Pois muito bem! Os motivos ora servindo de combustão e artilharia para a guerra que coloca em risco o futuro político do atual prefeito estão solidamente enraizados no período, de triste memória, do ex-consultor técnico da área de saúde, Manuel Bibiano de Carvalho e da filha Nádia de Castro. Eles tiveram suas atividades caracterizadas por graves conflitos com o quadro administrativo, acusados até de violência, incluindo suspeitas de irregularidades. Só foram demitidos após muita pressão da sociedade.

Esta situação fez com que a Câmara protocolasse seguidos requerimentos junto ao prefeito pedindo cópias de documentos relativos a todas as atividades exercitadas na rede de saúde pública municipal, mas jamais foi atendida, pelo que se interpretou como tentativa de dificultar os trabalhos investigativos.

Por causa disto, semana passada, oito vereadores, contra dois votos e duas ausências (o presidente não vota), protocolaram novo requerimento a ser encaminhado ao prefeito com a seguinte solicitação de documentos: 1 – cópia integral de todos os processos licitatórios para aquisição de remédios, materiais e suprimentos para a Santa Casa, Hospital Municipal, postos de saúde e Secretaria de Saúde; 2 – cópias de todos os contratos realizados (mais os aditivos), contratação de médicos, com a respectiva remuneração, a partir de 1/1/013;  3 – e cópias de empresas que prestaram serviços na área de saúde, a partir de 1/1/013.

Assinaram o requerimento os vereadores, Onofre Roberto de Oliveira, Odair Mussi, Gilberto de Oliveira Cândido, Mauri Ignácio de Morais Silva, Marcilon Laci Rodrigues, Genésio Martins Reis e Ricardo Nunes. No caso de se comprovar irregularidades, Sekita será enquadrado em crimes de responsabilidade e improbidade administrativa. Daí para a cassação seria apenas um passo, mas tratar-se-ia de gravíssima punição quase à revelia dos moradores locais, pois este site não captou qualquer desejo nesse sentido, na maioria dos cidadãos  pesquisados.

Em são Gotardo, como no resto do país, a população está cansada, profundamente decepcionada e preocupada ante o desastroso cenário de violência, de corrupção e carência de bons políticos, mas ainda acredita no bom senso. Não seria a voz do povo a voz de Deus?

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