As margens do Confusão estão desguarnecidas de matas ciliares. O leito já não tem aquele vigor de antigamente. Pastagens substituíram exuberantes coberturas de vegetação. Na cabeceira, uma nascente está ameaçada por uma plantação do prefeito. Na Câmara Municipal onde foi questionado, Sekita respondeu: "se eu não plantar lá, outro planta". O Confusão, presentemente, é a única fonte de abastecimento de São Gotardo. Recuperar suas margens degradadas é um inadiável compromisso com as gerações vindouras.

As margens do Confusão estão desguarnecidas de matas ciliares. O leito já não tem aquele vigor de antigamente. Pastagens substituíram exuberantes coberturas de vegetação. Na cabeceira, uma nascente está ameaçada por uma lavoura do prefeito. Na Câmara Municipal onde foi questionado, ele respondeu: “se eu não plantar, outro vai lá e planta”. O córrego, presentemente, é a única fonte de abastecimento de São Gotardo. Recuperar suas margens degradadas é um inadiável compromisso em benefício das gerações vindouras.

São Gotardo, cidade de quase 40 mil habitantes localizada em terras do Alto Paranaíba altamente desmatadas por causa de grandes plantações de lavouras não tem o que comemorar neste  05 de junho quando se celebra  o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Já há quem arrisque amarga previsão de que sua população, nos próximos 15 anos, no máximo 20, não terá água sequer para beber, pois seu principal e único manancial, o histórico Córrego da Confusão, está seriamente ameaçado.  Em outras palavras, uma criança que vier ao mundo na data de hoje, daqui a 15 ou 20 anos, corre riscos de se deparar com os efeitos de uma nefasta política sem os devidos cuidados com o futuro.

É o que já antevê o geólogo Pedro Gervásio Ferrari, cientista conhecedor profundo do assunto após avaliar o terreno de 2.768 hectares dentro do qual, num raio de 8 kms,  estão localizadas, ribeirão abaixo,  21 pequeninas nascentes do histórico Córrego da Confusão cujo leito, além de abastecer uma represa, corta o centro de São Gotardo.

No seu entendimento, elas estão perigosamente ameaçadas pela agricultura, loteamentos irresponsáveis na região da Agrovila e total falta de cobertura vegetal em suas duas margens, não se incluindo os riscos de poluição por resíduos da pecuária e de agrotóxicos. (Gervásio, recentemente, jogou por terra todas as falsas afirmativas da empresa Verde Fertilizantes, sobre a viabilidade de exploração de potássio na região de verdete do município)

Gervásio Ferrari: cético quanto ao futuro das nascentes

Gervásio Ferrari: cético quanto ao futuro das nascentes

O geólogo é muito pessimista em sua avaliação sobre o futuro das nascentes do Confusão, caso não se inicie, agora, imediatamente, um projeto de revitalização da flora lá perdida, ao longo de décadas, nas duas margens.

E ele não deixa por menos. Afirma que a primeira nascente na cabeceira do ribeirão, acredite quem quiser, deve secar, completamente, em menos de dois anos. Ela está localizada a menos de 80 metros de solo devastado e hoje ocupado por uma lavoura do grupo agrícola do prefeito Seiji Eduardo Sekita. É o mesmo terreno sobre o qual o ex-mandatário e atual vereador Gilberto de Oliveira Cândido quis construir um distrito industrial, mas foi oportunamente barrado pelo diretor do IEF, José Luiz Messias Neto.

Não faz muito tempo, Seiji Sekita, presente no plenário da Câmara, se viu questionado sob os riscos da lavoura na cabeceira do Confusão. Sua resposta, pouco edificante, foi típica do perfil de um comerciante ou de um produtor interessado em lucros imediatos, mas jamais de um dignitário governante preocupado com o futuro de quase 40 mil moradores. E metralhou: “se eu não plantar, outro vai lá e  planta…”

Portanto, como se verifica, as educadoras do ensino básico e ginasial de São Gotardo acostumadas a fretar ônibus de turismo para levar seus alunos a Serra da Canastra no intuito de fazê-los conhecer as preciosas nascentes do São Francisco deviam se preocupar, daqui pra frente, em reorientar seus projetos ambientais centrados no histórico Confusão, mostrando sua importância como única fonte, presentemente, de abastecimento do município que corre sérios riscos de virar apenas citação de um passado trágico. Quem conheceu o ribeirão, há décadas, pode prever o que vem pela frente.

Em alguns pontos, muita exuberância e beleza. As instituições de ensino deveriam adotar e brigar por esse ribeirão

Em alguns pontos, muita exuberância e beleza. As instituições de ensino deveriam adotar esse ribeirão. Próximo da cidade e excelente para lazer e pesquisas ambientais.

Em se tratando do meio ambiente, se avaliarmos o quanto é impotente a humanidade nos cuidados dos seus problemas rotineiros, não constitui surpresa que ela ainda se encontre despreparada para evitar as terríveis ameaças ora pairando sobre o próprio planeta, entre elas, a destruição sistemática da natureza.

Neste 05 de junho, o mundo inteiro estará celebrando o Dia Mundial do Meio Ambiente. Resta saber se haverá algo a ser comemorado. Barbados, um país caribenho situado em ilha de 430 km, com população de 270 mil pessoas, líder em energia solar, teve seu nome escolhido para sede das comemorações do evento programadas para durar uma semana quando serão debatidos tecnologias de adaptação à mudança do clima, negócios, manejo de recursos sustentáveis, áreas protegidas e cultura local.

A comemoração do evento é resultado de uma decisão da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1972, quando da primeira Conferência sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, realizada em Estocolmo. Daí então ficou decidido o dia 5 de junho como data para celebração global. É de se salientar que em alguns países a pauta de debates se estende por todo o mês de junho.

Cenário hoje de pura grama era coberto, antigamente, de  matas verdejantes

Paisagem, hoje, formada  quase só de  grama e solo erodido era coberta, antigamente, de matas verdejantes

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